Já não tenho nenhuma dúvida. Existem soluções - das boas - para a "indústria" musical. E não, as soluções não passam por cortar o acesso à internet a quem faz downloads ilegais. A solução não é inventar mais e melhores sistemas de protecção de dados. Aliás, o problema não é a internet nem o download. Aliás, a solução pode mesmo ser a internet e o download. O download gratuito e autorizado. Talvez este caso da Optimus Discos sirva de exemplo.
Eu também tinha os meus pudores em relação a estas iniciativas de marcas na distribuição e promoção da arte. Conversas aqui e ali fizeram-me pôr esse tipo de preconceito de lado e dar mais importância à qualidade artística do produto e não à marca, que não é nada mais nada menos que um mecenas. E quando o mecenas se rodeia de quem realmente entende do assunto, não há razão nenhuma para que as coisas não resultem.
A verdade é que, se por detrás da Optimus Discos não estivesse Henrique Amaro, o projecto seria mais um falhanço como o Rock Rendez Worten. Mas a iniciativa é boa, Amaro está lá a dar as coordenadas e as bandas escolhidas para esta primeira leva de EP's são, sem sombra de dúvida, parte da nata da música contemporânea portuguesa. O resultado não poderia ser outro: 6 EP's deliciosos, inquestionáveis, de uma qualidade estrondosa.
A música gratuita digital e autorizada, que salvaguarda os direitos e liberdades dos músicos é possível. Mas será que alguém ainda tem dúvidas disso? Para os coleccionadores, os amantes do suporte físico, haverá sempre o CD e o vinil, com edições especiais, limitadas e outras mais-valias associadas. O lugar das grandes editoras também não se extingue, porque há mercado para as duas formas de produzir e distribuir música.
Estas considerações ficam por aqui, por hoje.
E para hoje proponho uma Beat Journey, com Dj Ride. Às vezes nem sei o que dizer. Beat Journey, o EP com o selo Optimus Discos, vem reforçar o que todo nós já suspeitavamos: para além de exímio turntablist, Ride é um produtor genial. É ouvir para crer, como aos 23 anos alguém consegue fazer um trabalho tão maduro e consistente.
Dj Ride, Beat Journey.
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segunda-feira, 27 de abril de 2009
domingo, 11 de janeiro de 2009
Dj Ride - Come Take The Ride (2007)
Talvez fosse preconceito. Apesar da minha melomania não estou a salvo.
A verdade é que a música electrónica, as festas, os dj sets, os clubes de dança nunca me chamaram muito à atenção. Eu sou rock 'n' roll. Gosto dos grandes concertos e do pó que levantam, gosto da rudeza do som ao vivo, do suor, das salas pequenas, dos recintos sujos. Não saio para dançar, saio para ouvir e ver música.
Não é algo que tenha escolhido, nem que consiga explicar.
Por força da profissão, os meus preconceitos musicais - se é que assim se podem chamar - têm ido todos pelo cano abaixo. O último deles a ser destruído, e talvez um dos maiores, foi o "preconceito-dj", vamos chamá-lo assim.
O maior responsável é Dj Ride, campeão nacional de turntablism e um dos poucos portugueses a dedicar-se a sério à arte do scratch. Começou aos 17 anos e hoje, aos 20 e muito poucos, lançou o tão aguardado álbum de estreia, Turntable Food, já colaborou com nomes como Micro Audio Waves, The Legendary Tiger Man, Slimmy ou Coldfinger e prepara-se para cumprir um feito inédito em Portugal: lançar o 1º vinil de scratch português, uma ferramenta essencial para que o turntablism nacional saia do quase marasmo em que está.
Quase, porque Ride é um agitador incansável nestas coisas do scratch, e o panorama pode realmente mudar, daqui em diante.
Ouvi os temas dele no MySpace, vi os vídeos todos e ao conhecê-lo consegui entender porque é que o sólido "preconceito-dj" se desfez. É que o dj pode (e deveria sempre que possível) ser um criador, mais do que um mero passador. Também gosto de alguns passadores de discos, mas aquilo que mais me afastou do deejaying foi isto: alguma falta de criatividade.
Ora, Dj Ride faz a sua própria música e fá-la de forma - quanto a mim, que sou leiga - brilhante.
Escolhi este Come Take The Ride, com a magnífica participação de Margarida Pinto, vocalista dos Coldfinger. Soberbo.
Não deixem passar a boleia de Dj Ride, Come Take The Ride.
___
"Come on, take the ride
Come along, baby, won't you take the ride?"
A verdade é que a música electrónica, as festas, os dj sets, os clubes de dança nunca me chamaram muito à atenção. Eu sou rock 'n' roll. Gosto dos grandes concertos e do pó que levantam, gosto da rudeza do som ao vivo, do suor, das salas pequenas, dos recintos sujos. Não saio para dançar, saio para ouvir e ver música.
Não é algo que tenha escolhido, nem que consiga explicar.
Por força da profissão, os meus preconceitos musicais - se é que assim se podem chamar - têm ido todos pelo cano abaixo. O último deles a ser destruído, e talvez um dos maiores, foi o "preconceito-dj", vamos chamá-lo assim.
O maior responsável é Dj Ride, campeão nacional de turntablism e um dos poucos portugueses a dedicar-se a sério à arte do scratch. Começou aos 17 anos e hoje, aos 20 e muito poucos, lançou o tão aguardado álbum de estreia, Turntable Food, já colaborou com nomes como Micro Audio Waves, The Legendary Tiger Man, Slimmy ou Coldfinger e prepara-se para cumprir um feito inédito em Portugal: lançar o 1º vinil de scratch português, uma ferramenta essencial para que o turntablism nacional saia do quase marasmo em que está.
Quase, porque Ride é um agitador incansável nestas coisas do scratch, e o panorama pode realmente mudar, daqui em diante.
Ouvi os temas dele no MySpace, vi os vídeos todos e ao conhecê-lo consegui entender porque é que o sólido "preconceito-dj" se desfez. É que o dj pode (e deveria sempre que possível) ser um criador, mais do que um mero passador. Também gosto de alguns passadores de discos, mas aquilo que mais me afastou do deejaying foi isto: alguma falta de criatividade.
Ora, Dj Ride faz a sua própria música e fá-la de forma - quanto a mim, que sou leiga - brilhante.
Escolhi este Come Take The Ride, com a magnífica participação de Margarida Pinto, vocalista dos Coldfinger. Soberbo.
Não deixem passar a boleia de Dj Ride, Come Take The Ride.
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"Come on, take the ride
Come along, baby, won't you take the ride?"
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