quinta-feira, 15 de maio de 2008

The Offspring - Hammerhead (2008)

Esqueceu-se de tomar esta dose musical?
Tome-a assim que se lembre, mesmo que isso signifique tomar duas ao mesmo tempo.
Porque uma música por dia, ou duas, nem sabe o que que lhe fazia!

Os Offspring estão de regresso ao seu melhor estilo punk. Hammerhead, o primeiro avanço para o novíssimo Rise and Fall, Rage and Grace, recupera a sonoridade de outros tempos. Nada tem a ver com o primeiro single de Conspiracy Of One, o último álbum de originais. É um tema, posso dizê-lo, à séria.

Hammerhead começa com um interessante solo de guitarra, seguido da entrada da bateria, para depois continuar num registo poderoso e acelerado. A linha de baixo parece ter sido importada directamente de outros temas da banda, mas isso é um mal menor. Hammerhead protagoniza um regresso em grande.

A letra é um cenário de guerra. Ou não fossem os Offpring americanos. Não vou dizer que isto é música pós-11 de Setembro. Mas duvido que uma composição destas seja alheia ao que acontece desde então no Iraque. A música é um sinal dos tempos.

O single, penso, ainda está disponível no site oficial da banda para download legal gratuito. Passe por lá e tire as suas próprias conclusões.

Agora venha daí o albúm, pela nossa saúde!

O regresso dos Offspring previsto para Junho, aqui com o primeiro avanço, Hammerhead.

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"Smoke and dust
Enemies are crushed
Nothing left
Where a man once stood"

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Jorge Palma - Deixa-me Rir (1985)

Hesitei muito em escrever aqui sobre a noite de Domingo. Estava em casa, a escrever, música em modo aleatório e a tv de quatro canais apenas a servir de companhia. Tive a (in)felicidade de parar o meu curto zapping na SIC. Estavam a transmitir a cerimónia dos Globos de Ouro.
E parei, sentei-me no sofá, porque estavam a anunciar os vencedores na categoria de Música.

Ao título de melhor intérprete individual concorriam David Fonseca, Ana Moura, José Cid e Jorge Palma. Dividi-me entre Fonseca e Palma. Rapidamente me decidi pelo ex-Silence 4, apesar de Jorge Palma ser dos meus músicos preferidos de sempre, porque em 2007 David Fonseca se destacou mais com Dreams in Color.

Ganhou Jorge Palma. Não fiquei desiludida, o cantor/compositor merece. Mas Palma estava literalmente do outro lado da noite. A tv não lhe fica bem, o globo dourado não lhe fica bem. Jorge Palma é um homem das ruas, das esplanadas de Paris, das grandes e pequenas salas. Não é um homem de galardões e medalhas. Ainda que os mereça.

Ao palco da SIC e da Caras, subiu um tipo alcoolizado, como sempre. Herman José elevou a situação ao ridículo. Não fosse ele, e embora embriagado, Palma não teria caído ao chão.
Ao piano, todos achamos graça à dificuldade que Jorge Palma tem em dizer frases com início, meio e fim. E ao cabelo, agora esbranquiçado, sempre desgrenhado. Palma é assim. Não é um tipo sóbrio. Nunca foi, nunca será. Mas vê-lo assim, naquele mundo que não é o dele, custa.

Palma é um génio da composição em português. E como tal não precisa de noites de gala, nem de objectos dourados, nem de orquestra.

Pois é, pois é.

Escolhi para hoje Deixa-me Rir, do Lado Errado da Noite, álbum de 1985. Hesitei entre este tema e Frágil e O meu Amor Existe e tantos tantos outros.

Porque Jorge Palma é o homem dos discos e não o dos Globos de Ouro, Deixa-me Rir.

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"Pois é, pois é
Há quem viva escondido a vida inteira
Domingo sabe de cor
O que vai dizer Segunda-Feira"

terça-feira, 13 de maio de 2008

Buena Vista Social Club - Amor Verdadero

Em 2005 morria Ibrahim Ferrer e só aí conheci o Buena Vista Social Club. Um mundo tão vasto como é o da música tem sempre cantos recônditos e os ritmos cubanos, para mim, eram um desses sítios.

Amor Verdadero conquistou-me principalmente pela voz de Ferrer. Voz suja, como gosto de lhe chamar. A forma como esta história trágica é contada também me despertou interesse. É como uma conversa de amigos. Uma traição levou o homem ao álcool e à droga, depois à prisão. Só um amor, de entre todos ficou.

Mas os melhores momentos da longa faixa são sem dúvida os solos, mais ou menos a meio da composição. Y Al piano, Don Rúben González. E lá começam as virtuosas teclas do grande músico do Buena Vista Social Club. Logo a seguir Oiga Compay, mira quien viene por allí, Compay barbarito Torres... Special. Como se de facto um amigo que não se vê há muito tempo entrasse pelo bar adentro.

E mesmo para quem como eu não tem particular afeição à musicalidade latina, digo-vos, Amor Verdadero é contagiante.

Ibrahim Ferrer, Compay Segundo, Rúben González e outros, o Buena Vista Social Club com Amor Verdadero.

Caramba!

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"Amigo pida otra copa, caramba
Que este cantor le convida,
Que aunque a ustedes no le importa,
Voy a hacerles la historia de mi vida

Amé mucho a una mujer,
De mi alma la más querida,
Me traicionó la perdida, caramba,
Que ingrato y mal proceder

Ella me hizo beber,
Ella me hizo un perdido,
A la droga me tiré, amigo mío,
Y a la cárcel fui llevado"

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Louis Armstrong - When It's Sleepy Time Down South (1942)

Quando chegar a casa, cansado do trabalho que se prolongou mais do que o que seria natural, desligue as luzes, telvisão e computador, deixe-se estar à luz de uma vela ou da lua que entra pela janela e ligue o rádio. Ouça When It's Sleepy Time Down South, Louis Armstrong.

É que Satchmo, como era também conhecido, sabia bem como cantar os este wonderfull world, em várias canções.

E porque todos temos os nossos lugares, onde a noite cai suavemente e sem fanatsmas, When it's Sleepy Time Down South, Louis Armstrong.

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"Pale moon shining on the fields below
Folks are crooning songs soft and low
Needn't tell me so because I know
It's sleepy time down south

Soft winds blowing through the pinewood trees
Folks down there like a life of ease
When old mammy falls upon her knees
It's sleepy time down south

Steamboats on the river a coming or a going
Splashing the night away
Hear those banjos ringing, the people are singing
They dance 'till the break of day, hey

Dear old southland with his dreamy songs
Takes me back there where I belong
How I'd love to be in my mammy's arms

When it's sleepy time way down south"

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Ornatos Violeta - Letra S (1997)

Os Ornatos Violeta foram das melhores coisas que se fizeram no seio do rock alternativo português. Uma originalidade inesgotável, a de Manel Cruz. E isso nota-se mesmo nos projectos pós-Ornatos.

Não são só letras (fabulosas, do que melhor se faz em Portugal), são ambientes, são mundos. E pronúncia do Norte. Fusões de todos os estilos, criatividade ao melhor nível.

Em Letra S, do álbum de estreia Cão, Cruz faz dueto com outra grande voz do Norte, Manuela Azevedo.

Soberbo.

Letra S, os eternos Ornatos Violeta, aqui com Manuela Azevedo.

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"Sorrir
Não é pêra doce
Diz-me quem eu sou como se o não fosse

Matei o monstro da monogamia
e a minha vida parou na letra S"

terça-feira, 6 de maio de 2008

Xutos & Pontapés - Privacidade (2001)

Para uma fã dos Xutos & Pontapés como eu, vê-los em concerto pelo menos uma vez por ano é uma necessidade. Há uma altura do ano em que penso: tenho de ir vê-los. Seja onde for, quando for. E então vasculho as agendas de concertos até descobrir uma data e um local.

Muitos dizem que ao vivo os Xutos são sempre a mesma coisa. São e não são, digo eu. É claro que o que leva multidões aos concertos são os mesmos hinos, é a vontade de rever ideais e partilhá-los, uma vez mais. Mas há algo que torna cada actuação única. Não sei o que há, mas há. É como aqueles encontros anuais de amigos de longa data. É isso. A magia do reencontro. Relembram-se os velhos tempos e contam-se as novidades.

Privacidade, a minha proposta para hoje, está para a discografia dos Xutos como a notícia de um casamento ou gravidez está para os encontros de velhos amigos. Passamos de preocupações como o desemprego, a emigração, a CEE, para as preocupações modernas da super-vigilância.
É como se o amigo de infância, que só queria saber de copos, se preparasse agora para ser pai.

Este tema, do pouco consensual XIII, é um dos meus preferidos do álbum de 2001. É actual, é pertinente, é bem escrito e bem composto. É crítico. Deveria ter sido single.


E se 1984, o livro, tivesse banda-sonora, talvez pudesse ser esta.

Privacidade, os Xutos & Pontapés.

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"Quem vive, quem morre,
quem come e quem passam fome,
passa tudo pela minha mão,
Agradece ao Grande Irmão"

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Cool Hipnoise - Dantes (1999)

A falta de tempo tem sido o grande motivo desta minha ausência prolongada. Ando com trabalhos extra e o dia, esse, continua com as mesmas 24 horas.
Ainda não ouvi novamente Violet Hill, como tinha prometido. Mas vou ouvir.

A propósito do tempo, e da falta dele, lembro-me sempre dos Xutos & Pontapés. O tempo, é difícil controlar o tempo, faz tempo que não penso muito em mim, dizem eles em Queimando Tempo. E, como em tudo na música desta Instituição do rock português, é verdade.

Depois temos Dantes, do primeiríssimo álbum 78/82. Uma grande canção.
A versão que proponho hoje aqui pertence a XX Anos XX Bandas, de 1999, álbum comemorativo dos 20 anos de carreira dos Xutos & Pontapés. Nele, grandes nomes da música nacional revisitaram os temas a banda de Tim e companhia, muitos deles com roupagens verdadeiramente surpreendentes.
É o caso de Dantes, re-arranjado pelos Cool Hipnoise: o punk-rock característico da versão original deu lugar a uma doce bossa-nova, a voz seca de Tim, a uma voz doce e melodiosa.
E é esta contradição que faz de Dantes uma das faixas mais surpreendentes do álbum de tributo.

Falar do tempo, da falta de tempo, da passagem do tempo, da dolorosa passagem do tempo, com uma suavidade inacreditável.

6 estrelas.

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"Dantes, o tempo corria lento, meu
Dantes, matava-se o tempo, meu.
Mas tudo isso passou,
foi o tempo que me matou."