Miguel Esteves Cardoso não está sozinho quando diz que sente uma curiosidade incontrolável quando vê alguém de phones nos ouvidos, ao entrar no metro. Eu também partilho dessa forte sensação.
Voltei esta semana ao trabalho e, consequentemente, às viagens de metro. Entro, sento-me, às vezes também eu ponho os phones nos ouvidos, mas quando não ponho não consigo evitar: deixo-me levar pela imaginção e faço apostas sobre o que é que os dois passageiros da frente e o que ocupa o lugar mesmo a meu lado estão a ouvir nos seus leitores. Porque são poucos aqueles que viajam sem música. Aposto que o rapaz de barba mal semeada, mala a tiracolo, camisa às riscas e ténis gastos ouve as últimas do indie-pop. Que descobertas terá ele feito nas últimas semanas? A rapariga que encontro dia sim, dia não na estação da Pontinha - de cabelo muito preto e liso, unhas inpecavelmente pintadas, cores vibrantes e roupas da moda - deverá ouvir as novas tendências da pop e do r&b. Será mesmo assim? Nunca consigo descobrir. A viagem chega ao fim e eu não sei o que os outros ouvem e ninguém saberá aquilo que ouço todos os dias durante aquele percurso.
A internet é a casa de chocolate dos melómanos gulosos. Basta passar pelo Myspace, pelos blogues e revistas on-line para se encontrar música nova. Já não é preciso esperar pelos programas de autor que passavam a altas horas nas rádios, já não é preciso estar atento ao crítico X ou Y, já nem é preciso ir ver as novidades às lojas.
Mas ninguém me tira aquela ideia (acho que a roubei também do MEC, na altura no Blitz) de nos sentarmos no tapete da sala, ao pé de aparelhagem, com pilhas de discos de um lado e um amigo curioso do outro. O tapete pode até ser virtual, em vez de Cds, vinis e cassetes empilhados podemos ter links e ficheiros mp3, se a ideia original for demasiado exigente.
Como me disse o Henrique Amaro certa vez, o divulgador hoje pode ser qualquer pessoa. Pode ser um amigo que te apresenta uma música no rádio do carro ou de casa ou até no computador. Pode ser o locutor de rádio. Pode ser o crítico musical num jornal de referência. Pode ser um anúncio de televisão ou um filme. Pode ser uma coincidência. Pode estar a teu lado no metro.
E também pode ser outro músico. Nos últimos tempos tenho feito descobertas muito interessantes através de colaborações entre músicos. Dificilmente prestaria atenção ao trabalho do rapper/soulman Phonte Coleman se não me tivesse apaixonado por este Look What You're Doin' To Me, de Of All The Things, o último álbum dos Jazzanova. E isto é só um exemplo tosco.
Jazzanova, Look What You're Doin' To Me.
______
"And when the day comes and everybody's gone,
You can call me a friend
I'll be here for your new beginnings and I'll be here in the end...
Gonna tell the world I love you, baby girl
Shout it out in the streets
Gonna talk about the joy you bring me, girl
Look what you're doin' to me."
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quarta-feira, 2 de setembro de 2009
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
T-Bone Walker - Call It Stormy Monday (1943)
Ontem vi finalmente O Estranho Caso de Benjamin Button. Depois de ter lido todo o tipo de críticas, boas, más, assim-assim, o filme agradou-me mesmo. Por várias razões e uma delas tem o seu quê de musical, ou não fosse eu uma melómana do pior. E como este é um blog de música, deixo as partes cinematográficas para quem realmente percebe do assunto.
A curiosa história do tipo que nasce velho e rejuvenesce à medida que os anos passam acontece nesse santuário do jazz e dos blues que é New Orleans, precisamente na época de florescimento do género banhado pelo delta do Mississipi. É delicioso, não posso negar, ouvir aquelo acento típico, aquela forma tão peculiar de falar, legado de negros, de homens e mulheres que me habituei a ouvir nos melhores standards de jazz e blues.
Boa parte da acção desenrola-se entre as décadas de 30 e 50, logo o filme é muito marcado por aquela coisa tão típica que paira no ar um pouco por todo o Louisiana. Aquela cadência jazzy, não sei bem explicar.
Call It Stormy Monday, um blues típico, cantada por vários artistas em todas as gerações, não faz parte da banda sonora de O Estranho Caso de Benjamin Button, mas bem podia fazer. Escolhi a versão de 1943 de T-Bone Walker para hoje. Se existe canção que descreve como se vivia na New Orleans dos anos 40, essa canção é esta.
Deliciosa no ritmo, na guitarra que sobressai, no piano lá atrás, no saxofone que de quando em vez também se impõe. E a voz a de Walker, um desalento tal que só podia existir ali, naquele momento e naquele lugar da história.
Call It Stormy Monday, T-Bone Walker.
______
They call it stormy Moday, but Tuesday's just as bad
They call it stormy Moday, but Tuesday's just as bad
Wednesday's worse, and Thursday's also sad
Yes the eagle flies on Friday, and Saturday I go out to play
Eagle flies on Friday, and Saturday I go out to play
Sunday I go to church, then I kneel down and pray
Lord have mercy, Lord have mercy on me
Lord have mercy, my heart's in misery
Crazy about my baby, yes, send her back to me
A curiosa história do tipo que nasce velho e rejuvenesce à medida que os anos passam acontece nesse santuário do jazz e dos blues que é New Orleans, precisamente na época de florescimento do género banhado pelo delta do Mississipi. É delicioso, não posso negar, ouvir aquelo acento típico, aquela forma tão peculiar de falar, legado de negros, de homens e mulheres que me habituei a ouvir nos melhores standards de jazz e blues.
Boa parte da acção desenrola-se entre as décadas de 30 e 50, logo o filme é muito marcado por aquela coisa tão típica que paira no ar um pouco por todo o Louisiana. Aquela cadência jazzy, não sei bem explicar.
Call It Stormy Monday, um blues típico, cantada por vários artistas em todas as gerações, não faz parte da banda sonora de O Estranho Caso de Benjamin Button, mas bem podia fazer. Escolhi a versão de 1943 de T-Bone Walker para hoje. Se existe canção que descreve como se vivia na New Orleans dos anos 40, essa canção é esta.
Deliciosa no ritmo, na guitarra que sobressai, no piano lá atrás, no saxofone que de quando em vez também se impõe. E a voz a de Walker, um desalento tal que só podia existir ali, naquele momento e naquele lugar da história.
Call It Stormy Monday, T-Bone Walker.
______
They call it stormy Moday, but Tuesday's just as bad
They call it stormy Moday, but Tuesday's just as bad
Wednesday's worse, and Thursday's also sad
Yes the eagle flies on Friday, and Saturday I go out to play
Eagle flies on Friday, and Saturday I go out to play
Sunday I go to church, then I kneel down and pray
Lord have mercy, Lord have mercy on me
Lord have mercy, my heart's in misery
Crazy about my baby, yes, send her back to me
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Ella Fitzgerald - Have Yourself a Merry Little Christmas (1960)
Para todos os que lêem este blog, a swinging Christmas.
_______
_______
Have yourself a merry little christmas
Let your heart be light
Next year all our troubles will be
Out of sight
Have yourself a merry little christmas
Make the yule-tide gay
Next year all our troubles will be
Miles away
Once again as in olden days
Happy golden days of yore
Faithful friends who are dear to us
Will be near to us once more
Someday soon, we all will be together
If the fates allow
Until then, we'll have to muddle through somehow
So have yourself a merry little christmas now.
____________
Feliz Natal
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Amy Winehouse - Stronger Than Me (2003)
O meu amor (que é também um assíduo leitor destas linhas) ofereceu-me neste aniversário uma edição especialíssima da discografia de Amy Winehouse. Frank & Back To Black contém, como o próprio nome indica, os dois álbuns da cantora, com dois discos cada, que incluem remixes e temas tocados ao vivo, um pequeno livro com fotos, um texto e todas as letras. Mas a cereja no topo do bolo é a inclusão das demos originais de alguns temas. Quase sem arranjo, nestas gravações está apenas Winehouse acompanhada à guitarra ou ao piano. São raras as vezes em que nos são dados a conhecer os temas em bruto, o que é uma pena.
Já aqui falei de Amy Winehouse e os jornais, revistas, sites, blogs, estão sempre a fazer das tropelias dela notícia. Tenho pena que se fale menos na música propriamente dita e mais nas drogas, nos amores e no álcool. Estes cenários não são novos no mundo da música, por isso torna-se incompreensível tanto burburinho. A menos que justifiquemos esta vaga de fait-divers com o crescente voyeurismo e a sede crescente de escandaleiras.
Nos próximos tempos vou mergulhar na discografia de Winehouse. Gosto especialmente da atitude jazzy, por vezes soul que adopta. Continuo a dizer que os excelentes músicos que a acompanham fazem uma boa parte do trabalho, mas a verdade é que as demos originais mostram que Winehouse é bem mais que uma figura problemática, é bem mais que uma voz (que às vezes está em péssimo estado) ou que um bom arranjo e acompanhamento.
Stronger Than Me, Amy Winehouse.
________
"I'm not gonna meet your mother anytime
I just wanna rip your body over mine
So tell me why you think that's a crime
I've forgotten all of young love's joy
Feel like a lady, but you my lady boy"
Já aqui falei de Amy Winehouse e os jornais, revistas, sites, blogs, estão sempre a fazer das tropelias dela notícia. Tenho pena que se fale menos na música propriamente dita e mais nas drogas, nos amores e no álcool. Estes cenários não são novos no mundo da música, por isso torna-se incompreensível tanto burburinho. A menos que justifiquemos esta vaga de fait-divers com o crescente voyeurismo e a sede crescente de escandaleiras.
Nos próximos tempos vou mergulhar na discografia de Winehouse. Gosto especialmente da atitude jazzy, por vezes soul que adopta. Continuo a dizer que os excelentes músicos que a acompanham fazem uma boa parte do trabalho, mas a verdade é que as demos originais mostram que Winehouse é bem mais que uma figura problemática, é bem mais que uma voz (que às vezes está em péssimo estado) ou que um bom arranjo e acompanhamento.
Stronger Than Me, Amy Winehouse.
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"I'm not gonna meet your mother anytime
I just wanna rip your body over mine
So tell me why you think that's a crime
I've forgotten all of young love's joy
Feel like a lady, but you my lady boy"
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Chauffeur Navarrus - Juca Camaleão (2008)
Recebi hoje no e-mail mais um tema a incluir no primeiríssimo álbum dos Chauffeur Navarrus, Estradas Locais, que deve estar mesmo a rebentar nos escaparates.
Juca Camaleão é blues do melhor que se faz em português. Bom swing, a harmónica de João Coutinho com um protagonismo merecido e o trombone de Guida Costa a dar um toque big-band muito interessante. O resto é de uma competência de que nunca duvidei: Paleka, para mim o grande bluesman do Chauffeur - com direito a chapéu e tudo - , está em forma; o baixo sempre a pontuar, e a voz de João Navarro cada vez melhor. Os coros como sempre magníficos, uma verdadeira party track, como lhe chamaram, com palmas e gritos.
E depois há esta história de um tipo vigarista como muitos que encontramos por aí, que vai de Marrocos ao Japão, vender todo o tipo de coisas mesmo as que não interessam a ninguém. Até o fornecedor engana.
Venham daí essas estradas locais, que estamos a precisar de uns caminhos novos e menos congestionados por onde andar.
Juca Camaleão, pelo Chauffeur Navarrus.
_____
"Vendes óculos escuros, carros, esquemas e seguros,
és um artista!"
Juca Camaleão é blues do melhor que se faz em português. Bom swing, a harmónica de João Coutinho com um protagonismo merecido e o trombone de Guida Costa a dar um toque big-band muito interessante. O resto é de uma competência de que nunca duvidei: Paleka, para mim o grande bluesman do Chauffeur - com direito a chapéu e tudo - , está em forma; o baixo sempre a pontuar, e a voz de João Navarro cada vez melhor. Os coros como sempre magníficos, uma verdadeira party track, como lhe chamaram, com palmas e gritos.
E depois há esta história de um tipo vigarista como muitos que encontramos por aí, que vai de Marrocos ao Japão, vender todo o tipo de coisas mesmo as que não interessam a ninguém. Até o fornecedor engana.
Venham daí essas estradas locais, que estamos a precisar de uns caminhos novos e menos congestionados por onde andar.
Juca Camaleão, pelo Chauffeur Navarrus.
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"Vendes óculos escuros, carros, esquemas e seguros,
és um artista!"
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quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Ella Fitzgerald & Louis Armstrong - Dream a Little Dream of Me (1950)
Sentei-me do lado da janela, embora este em nada seja diferente do lado do corredor. Afinal, estava no metro. Da janela, nada para ver.
Sentei-me e um pensamento acorreu automaticamente, como aqueles "pensamentos mágicos" que formulava em criança, quando queria muito saber a resposta a uma coisa que tardava, quando queria, de certa forma, antecipar o futuro. Se o telefone tocar neste preciso momento... Se a próxima música a passar na rádio for cantada em português... Se... aquilo que queria realizava-se.
Esta manhã quando me sentei no metro tive um feeling. E, brincando um pouco com aquela ideia que me preencheu a infância, fiz uma espécie de "promessa". Dream a Little Dream of Me seria a canção do dia aqui no estaminé. Mas só se...
Ora, o se aconteceu mesmo, e aqui está uma vez mais, a grandiosa dupla do jazz, Ella Fitzgerald e Louis Armstrong. Promessas são promessas, por mais infantis que sejam.
Já nem sei o que dizer mais de Satchmo e da First Lady Of Song. Todos os que frequentam esta casa conhecem a minha admiração por eles. Dream a Little Dream Of Me começa com o trompete de Armstrong muito bem acompanhado pelo scat delicioso de Fitzgerald. Ella continua, desta vez com palavras, o trompete sempre a pontuá-la, depois é a vez de Louis Armstrong pegar nas palavras, arrastá-las. Fitzgerald acompanha-o num improviso e continua. Scat de Armstrong, scat de Ella. Os dois em coro. Uma simbiose perfeita.
É assim em Dream a Little Dream of Me. Ella Fitzgerald e Louis Armstrong.
____
"Sweet dreams...
Till sunbeams find you
Keep dreaming...
(You gotta keep dreaming...)
Leave your worries behind you...
But in your dreams,
Whatever they be,
You gotta make me a promise:
Promise to me you'll dream...
Dream a little dream of me..."
____
Sentei-me e um pensamento acorreu automaticamente, como aqueles "pensamentos mágicos" que formulava em criança, quando queria muito saber a resposta a uma coisa que tardava, quando queria, de certa forma, antecipar o futuro. Se o telefone tocar neste preciso momento... Se a próxima música a passar na rádio for cantada em português... Se... aquilo que queria realizava-se.
Esta manhã quando me sentei no metro tive um feeling. E, brincando um pouco com aquela ideia que me preencheu a infância, fiz uma espécie de "promessa". Dream a Little Dream of Me seria a canção do dia aqui no estaminé. Mas só se...
Ora, o se aconteceu mesmo, e aqui está uma vez mais, a grandiosa dupla do jazz, Ella Fitzgerald e Louis Armstrong. Promessas são promessas, por mais infantis que sejam.
Já nem sei o que dizer mais de Satchmo e da First Lady Of Song. Todos os que frequentam esta casa conhecem a minha admiração por eles. Dream a Little Dream Of Me começa com o trompete de Armstrong muito bem acompanhado pelo scat delicioso de Fitzgerald. Ella continua, desta vez com palavras, o trompete sempre a pontuá-la, depois é a vez de Louis Armstrong pegar nas palavras, arrastá-las. Fitzgerald acompanha-o num improviso e continua. Scat de Armstrong, scat de Ella. Os dois em coro. Uma simbiose perfeita.
É assim em Dream a Little Dream of Me. Ella Fitzgerald e Louis Armstrong.
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"Sweet dreams...
Till sunbeams find you
Keep dreaming...
(You gotta keep dreaming...)
Leave your worries behind you...
But in your dreams,
Whatever they be,
You gotta make me a promise:
Promise to me you'll dream...
Dream a little dream of me..."
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Bem, diria que começa aqui uma nova era para a pessoa que tem estado atrás do balcão deste estaminé.
Coisa que afectará o estabelecimento em si - parece-me - de forma positiva.
Pode demorar um bocadinho mais em algumas alturas, mas vai continuar a haver sempre por aqui uma música por dia! Pelo menos!
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segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Louis Armstrong - La Vie En Rose
A crítica já tinha avisado: Wall.E não é apenas mais um filme de animação. É o E.T. dos novos tempos. Aqui e ali já se ouve que esta história é o mais recente clássico da Ficção Científica.
Eu vi e apaixonei-me.
Quem não viu pode perguntar-se: afinal que tem Wall.E de tão espectacular? Quem já viu responderá certamente: tudo.
Para além de ser uma belíssima história de amor, das mais simples e comoventes que já vi, tem um excelente enredo, ao bom estilo da Ficção Científica mais clássica. Visualmente é surpreendente. É certo que estamos a falar da Pixar, mas conseguir expressões tão humanas em robôs é obra, mesmo para os mestres da animação.
É esta humanidade que o filme transpira que o torna tão delicioso. A banda sonora escolhida para Wall.E também foi certeira: desde Hello Dolly, o musical a que o pequeno robô assiste todos os dias e que tenta desajeitadamente imitar, até este La Vie en Rose.
Sei que sou suspeita, mas o jazz clássico parece-me, cada vez mais, assentar que nem uma luva ao universo Wall.E.
Talvez não tão óbvia como o amor e a solidão, a temática do regresso a uma humanidade perdida é outro dos pontos fulcrais desta história. E Andrew Stanton e restante equipa souberam transmitir esse desejo com a ajuda da banda-sonora e de outros pormenores como os objectos que Wall.E colecciona, sendo o mais paradigmático a cassete de vídeo que revê vezes sem fim.
Sem dúvida, um filme apaixonante. Indispensável.
Parte da banda-sonora do filme, aqui fica em jeito de homenagem, a versão que Satchmo fez para o clássico de Edith Piaf.
Louis Armstrong, La Vie en Rose.
_____
"When you kiss me heaven sighs
And tho I close my eyes
I see la vie en rose"
Eu vi e apaixonei-me.
Quem não viu pode perguntar-se: afinal que tem Wall.E de tão espectacular? Quem já viu responderá certamente: tudo.
Para além de ser uma belíssima história de amor, das mais simples e comoventes que já vi, tem um excelente enredo, ao bom estilo da Ficção Científica mais clássica. Visualmente é surpreendente. É certo que estamos a falar da Pixar, mas conseguir expressões tão humanas em robôs é obra, mesmo para os mestres da animação.
É esta humanidade que o filme transpira que o torna tão delicioso. A banda sonora escolhida para Wall.E também foi certeira: desde Hello Dolly, o musical a que o pequeno robô assiste todos os dias e que tenta desajeitadamente imitar, até este La Vie en Rose.
Sei que sou suspeita, mas o jazz clássico parece-me, cada vez mais, assentar que nem uma luva ao universo Wall.E.
Talvez não tão óbvia como o amor e a solidão, a temática do regresso a uma humanidade perdida é outro dos pontos fulcrais desta história. E Andrew Stanton e restante equipa souberam transmitir esse desejo com a ajuda da banda-sonora e de outros pormenores como os objectos que Wall.E colecciona, sendo o mais paradigmático a cassete de vídeo que revê vezes sem fim.
Sem dúvida, um filme apaixonante. Indispensável.
Parte da banda-sonora do filme, aqui fica em jeito de homenagem, a versão que Satchmo fez para o clássico de Edith Piaf.
Louis Armstrong, La Vie en Rose.
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"When you kiss me heaven sighs
And tho I close my eyes
I see la vie en rose"
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quarta-feira, 2 de julho de 2008
Louis Armstrong & Ella Fitzgerald- Basin Street Blues
Tem feito parte do meu trabalho, neste últimos dias, telefonar para aqui e para ali. Telefonemas daqueles em que nos põem invariavelmente em espera. Eternidades. Às vezes a chamada cai, outras vezes somos nós que desistimos.
Nos entretantos, ouvem-se conversas indesejadas, ruído, silêncio, e ocasionalmente música.
Num destes telefonemas ouvi Basin Street Blues, a canção que Louis Armstrong gravou em 1929 e que eu adoro ouvir em dueto com Ella Fitzgerald.
Um belo momento que me fez pensar como seriam bem mais agradáveis todos os escritórios de todas as empresas por este mundo fora, se se ouvisse jazz como música ambiente. Também se podiam ouvir outras coisas. Ter música durante o horário de trabalho parece-me sempre positivo. Positivo mas nem sempre concretizável. Não na empresa onde trabalho.
Este clássico do jazz é uma homenagem à rua de New Orleans, no Louisiana. Um local mítico para este género musical. Quanto a mim, este blues é também um hino à amizade, ao reencontro.
Afinal, Basin Street is the street where the best folks always meet.
Duas grandes vozes, Ella e Armstrong em dueto é a minha proposta para hoje. No final ainda temos direito a um scat, pelo mestre do improviso.
Basin Street Blues, Louis Armstrong com Ella Fitzgerald. Divino.
___
"Won't you come along with me
to the Mississippi
we'll take a boat to the land of dreams
Steam down the river, down to New Orleans"
Nos entretantos, ouvem-se conversas indesejadas, ruído, silêncio, e ocasionalmente música.
Num destes telefonemas ouvi Basin Street Blues, a canção que Louis Armstrong gravou em 1929 e que eu adoro ouvir em dueto com Ella Fitzgerald.
Um belo momento que me fez pensar como seriam bem mais agradáveis todos os escritórios de todas as empresas por este mundo fora, se se ouvisse jazz como música ambiente. Também se podiam ouvir outras coisas. Ter música durante o horário de trabalho parece-me sempre positivo. Positivo mas nem sempre concretizável. Não na empresa onde trabalho.
Este clássico do jazz é uma homenagem à rua de New Orleans, no Louisiana. Um local mítico para este género musical. Quanto a mim, este blues é também um hino à amizade, ao reencontro.
Afinal, Basin Street is the street where the best folks always meet.
Duas grandes vozes, Ella e Armstrong em dueto é a minha proposta para hoje. No final ainda temos direito a um scat, pelo mestre do improviso.
Basin Street Blues, Louis Armstrong com Ella Fitzgerald. Divino.
___
"Won't you come along with me
to the Mississippi
we'll take a boat to the land of dreams
Steam down the river, down to New Orleans"
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terça-feira, 1 de julho de 2008
Couple Coffee - Menino D'Oiro (2007)
Num dia qualquer de Maio ou Junho do ano passado, tive o prazer de partilhar um café com um simpático casal. Ele mais tímido, pouco falava, ela mais conversadora, transbordante de cor na saia e nas palavras.
Enquanto ele preparava o baixo (não traziam mais nada), ela pediu-me um café, falou-me dos filhos, das obras que tinham em casa, daquele cheiro a tinta e da bagunça. Depois falámos de música, de rádio e de Zeca Afonso. Nunca um sotaque tão brasileiro tinha em si tanta portugalidade. Contou-me que nunca chegara a conhecer José Afonso, mas era como se o conhecesse, por intermédio das histórias que contava um familiar seu amigo, talvez o avô, já não me lembro com precisão.
Norton Daiello continuava a afinar as cordas. Luanda Cozetti explicava-me o porquê de gravar Co'as Tamanquinhas do Zeca, um discos de versões do músico português.
Apaixonei-me de imediato pela música dos Couple Coffee, esta dupla fascinante de brasileiros a viver em Portugal.
Você já ouviu o Puro? Perguntava-me Luanda. Não, não tinha ouvido. Mas que bom título para um álbum de estreia!
Seguramente dois dos músicos mais marcantes que passaram pela rádio onde trabalhava na altura. O resultado só podia ser uma conversa muito agradável e os momentos musicais, ao vivo, voz e baixo apenas, mágicos.
Este ano os Couple Coffee regressam aos registos, com a banda alargada que os acompanha, em Young and Lovely, álbum de tributo à bossa nova.
Uma sonoridade incrível, de todos os recantos do jazz, uma intensa experiência musical.
Fica aqui a sugestão, Menino D'Oiro, de Zeca Afonso, pela mãos dos Couple Coffee.
___
"Venham altas montanhas, ventos do mar
Que o meu menino, nasceu p'ra amar."
Enquanto ele preparava o baixo (não traziam mais nada), ela pediu-me um café, falou-me dos filhos, das obras que tinham em casa, daquele cheiro a tinta e da bagunça. Depois falámos de música, de rádio e de Zeca Afonso. Nunca um sotaque tão brasileiro tinha em si tanta portugalidade. Contou-me que nunca chegara a conhecer José Afonso, mas era como se o conhecesse, por intermédio das histórias que contava um familiar seu amigo, talvez o avô, já não me lembro com precisão.
Norton Daiello continuava a afinar as cordas. Luanda Cozetti explicava-me o porquê de gravar Co'as Tamanquinhas do Zeca, um discos de versões do músico português.
Apaixonei-me de imediato pela música dos Couple Coffee, esta dupla fascinante de brasileiros a viver em Portugal.
Você já ouviu o Puro? Perguntava-me Luanda. Não, não tinha ouvido. Mas que bom título para um álbum de estreia!
Seguramente dois dos músicos mais marcantes que passaram pela rádio onde trabalhava na altura. O resultado só podia ser uma conversa muito agradável e os momentos musicais, ao vivo, voz e baixo apenas, mágicos.
Este ano os Couple Coffee regressam aos registos, com a banda alargada que os acompanha, em Young and Lovely, álbum de tributo à bossa nova.
Uma sonoridade incrível, de todos os recantos do jazz, uma intensa experiência musical.
Fica aqui a sugestão, Menino D'Oiro, de Zeca Afonso, pela mãos dos Couple Coffee.
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"Venham altas montanhas, ventos do mar
Que o meu menino, nasceu p'ra amar."
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terça-feira, 24 de junho de 2008
Ella Fitzgerald - (I Love You) For Sentimental Reasons (1947)
Já andava para falar em (I Love You) For Sentimental Reasons há algum tempo. Hoje proponho aqui a versão de Ella Fitzgerald, que tenho muito bem embalada no volume dedicado à "First Lady Of Song" da colecção BD Jazz.
Este conjunto de mini-livros de BD com CDs, lançado pela editora francesa Nocturne, é uma boa forma de apresentar os grandes nomes do jazz, através de uma pequena biografia em banda-desenhada e de dois discos com gravações mais ou menos reconhecidas. Infelizmente, já não apanhei quase nada da colecção, que a FNAC foi recuperando de tempos a tempos, mas sempre incompleta. Fiquei com os volumes de Ray Charles e Ella Fitzgerald.
O de Fitzgerald é o que roda mais no meu rádio. O CD1 com temas mais scat, mais enérgicos, com algumas parcerias. O CD2 é o meu disco de eleição para ouvir quando o sol já se pôs, em noites de insónia ou quando a rádio teima em passar, ao sábado à noite, música de discoteca de trazer por casa. É lá que se escondem os temas mais clássicos, as baladas acompanhadas de big band, como este (I Love You) For Sentimental Reasons.
Este tema da tradição jazz, popularizado por Nat King Cole, é uma canção simples, serena, que sabe muito bem ouvir pela noite fora, até que a manhã entre pela janela. Na versão de Ella, o coro masculino no final abre caminho à sua improvisação única: I really love you, really, I do.
Para ouvir, e sonhar, (I Love You) For Sentimental Reasons, na voz de Ella Fitzgerald.
____
"I think of you every morning
Dream of you every night
Darling, I'm never lonely
Whenever you are in sight"
Este conjunto de mini-livros de BD com CDs, lançado pela editora francesa Nocturne, é uma boa forma de apresentar os grandes nomes do jazz, através de uma pequena biografia em banda-desenhada e de dois discos com gravações mais ou menos reconhecidas. Infelizmente, já não apanhei quase nada da colecção, que a FNAC foi recuperando de tempos a tempos, mas sempre incompleta. Fiquei com os volumes de Ray Charles e Ella Fitzgerald.
O de Fitzgerald é o que roda mais no meu rádio. O CD1 com temas mais scat, mais enérgicos, com algumas parcerias. O CD2 é o meu disco de eleição para ouvir quando o sol já se pôs, em noites de insónia ou quando a rádio teima em passar, ao sábado à noite, música de discoteca de trazer por casa. É lá que se escondem os temas mais clássicos, as baladas acompanhadas de big band, como este (I Love You) For Sentimental Reasons.
Este tema da tradição jazz, popularizado por Nat King Cole, é uma canção simples, serena, que sabe muito bem ouvir pela noite fora, até que a manhã entre pela janela. Na versão de Ella, o coro masculino no final abre caminho à sua improvisação única: I really love you, really, I do.
Para ouvir, e sonhar, (I Love You) For Sentimental Reasons, na voz de Ella Fitzgerald.
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"I think of you every morning
Dream of you every night
Darling, I'm never lonely
Whenever you are in sight"
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Louis Armstrong - When It's Sleepy Time Down South (1942)
Quando chegar a casa, cansado do trabalho que se prolongou mais do que o que seria natural, desligue as luzes, telvisão e computador, deixe-se estar à luz de uma vela ou da lua que entra pela janela e ligue o rádio. Ouça When It's Sleepy Time Down South, Louis Armstrong.
É que Satchmo, como era também conhecido, sabia bem como cantar os este wonderfull world, em várias canções.
E porque todos temos os nossos lugares, onde a noite cai suavemente e sem fanatsmas, When it's Sleepy Time Down South, Louis Armstrong.
___
"Pale moon shining on the fields below
Folks are crooning songs soft and low
Needn't tell me so because I know
It's sleepy time down south
Soft winds blowing through the pinewood trees
Folks down there like a life of ease
When old mammy falls upon her knees
It's sleepy time down south
Steamboats on the river a coming or a going
Splashing the night away
Hear those banjos ringing, the people are singing
They dance 'till the break of day, hey
Dear old southland with his dreamy songs
Takes me back there where I belong
How I'd love to be in my mammy's arms
When it's sleepy time way down south"
É que Satchmo, como era também conhecido, sabia bem como cantar os este wonderfull world, em várias canções.
E porque todos temos os nossos lugares, onde a noite cai suavemente e sem fanatsmas, When it's Sleepy Time Down South, Louis Armstrong.
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"Pale moon shining on the fields below
Folks are crooning songs soft and low
Needn't tell me so because I know
It's sleepy time down south
Soft winds blowing through the pinewood trees
Folks down there like a life of ease
When old mammy falls upon her knees
It's sleepy time down south
Steamboats on the river a coming or a going
Splashing the night away
Hear those banjos ringing, the people are singing
They dance 'till the break of day, hey
Dear old southland with his dreamy songs
Takes me back there where I belong
How I'd love to be in my mammy's arms
When it's sleepy time way down south"
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Vinicius de Moraes - Samba da Bênção (1963)
Às vezes parece-me que existe um certo preconceito em relação à música popular brasileira, apesar de Portugal ter sido sempre dela um grande consumidor.
E apesar de, nos seus últimos trabalhos, muitos músicos portugueses se terem dedicado às sonoridades do Brasil. São disto exemplo JP Simões, Maria João, Teresa Salgueiro e até Maria de Medeiros.
E apesar de a brasileira bossa-nova ter intensas relações com o jazz e de ser considerada música "da elite cultural", quando apareceu, nos anos 50.
Contradições.
Portugal e o irmão Brasil vivem a vida sob pontos de vista diferentes. Pode dizer-se que um vive sob a alçada do fatalismo do fado, e o outro sob a alegria do samba. Mas nem tudo é assim tão linear. Até no mais pungente fado existe uma pontinha de sol e até no mais carnavalesco samba existem resquícios de tristeza.
É talvez isto que aproxima timidamente brasileiros e portugueses. Isto e também o facto de o cosmopolitismo da MPB estar na moda.
A verdade é que é melhor ser alegre que ser triste.
Propoho para hoje esta pérola de Vinicius de Moraes & Odette Lara, do álbum com o mesmo nome, de 1963.
Alegria e tristeza, neste Samba da Bêção, Vinicius de Moraes.
____
"Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não"
E apesar de, nos seus últimos trabalhos, muitos músicos portugueses se terem dedicado às sonoridades do Brasil. São disto exemplo JP Simões, Maria João, Teresa Salgueiro e até Maria de Medeiros.
E apesar de a brasileira bossa-nova ter intensas relações com o jazz e de ser considerada música "da elite cultural", quando apareceu, nos anos 50.
Contradições.
Portugal e o irmão Brasil vivem a vida sob pontos de vista diferentes. Pode dizer-se que um vive sob a alçada do fatalismo do fado, e o outro sob a alegria do samba. Mas nem tudo é assim tão linear. Até no mais pungente fado existe uma pontinha de sol e até no mais carnavalesco samba existem resquícios de tristeza.
É talvez isto que aproxima timidamente brasileiros e portugueses. Isto e também o facto de o cosmopolitismo da MPB estar na moda.
A verdade é que é melhor ser alegre que ser triste.
Propoho para hoje esta pérola de Vinicius de Moraes & Odette Lara, do álbum com o mesmo nome, de 1963.
Alegria e tristeza, neste Samba da Bêção, Vinicius de Moraes.
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"Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não"
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sexta-feira, 28 de março de 2008
Chauffeur Navarrus - A12 (Corte de Cabelo) (2008)
Penso em blues e a imagem que me vem à cabeça é dos solos áridos americanos, dos clubes nocturnos, dos homens sentados em pequenos banquinhos de madeira com os seus chapéus, guitarra apoiada numa perna, as botas a imitar o ritmo no chão encardido, harmónica no suporte para o pescoço, depois a passar pelos lábios. Vêm-me à cabeça as vozes daqueles mestres negros, aquela cadência tão particular, a repetição dos versos que obedece àquele velho esquema. Vêm-me à cabeça aquelas histórias corriqueiras, dos amores, dos desamores, da tristeza, histórias simples de pessoas simples. Pessoas que trabalham duro, vão à Igreja, bebem uns copos na tasca e pedem liberdade.
Os blues nasceram das angústias da comunidade afro-americana em Terras do Tio Sam, no início do século passado. Mas neste século também se fazem blues. E dos bons.
O Chauffeur Navarrus não é negro nem trabalha nos campos junto ao Mississipi. O Chaffeur Navarrus é o típico português, ganha a vida ao volante do seu táxi mas também sabe cantar os blues. Na língua de Camões.
Personagem criada por João Navarro (voz, composição e letras) para dar sentido ao projecto musical que pretendia criar, o Chauffeur Navarrus viaja pelas sonoridades do jazz e dos blues, muito graças à formação dos músicos que lhe dão vida. João Navarro esteve sempre ligado aos blues, António Silva (piano) e o mítico baterista Paleka vêm dessa catedral do jazz que é o Hot Clube. A eles junta-se Guilherme Marinho (baixo e guitarra), com formação mais clássica e as vozes de Sónia, Sara e Carla que fazem um coro muito engraçado e simplesmente delicioso.
O disco de estreia do Chauffeur, Estradas Locais, está prestes a circular por esse país fora. Até lá proponho uma viagem pela A12 (Corte de Cabelo), uma das 11 faixas do primeiro álbum da banda.
Para mim, sem qualquer dúvida, um dos lançamentos do ano. Das melhores coisas que me foram dadas a ouvir em português nos últimos tempos.
A toda a velocidade em direcção ao fim-de-semana, pela A12 (Corte de Cabelo), no cadillac do Chauffeur Navarrus.
_____
"Dá-me boleia fora das estradas locais..."
_________
Para viajar no banco de trás deste táxi...
Amanhã Chauffeur Navarrus ao vivo Toda a Tarde no Rádio Clube Português depois das 16h e pela noite dentro no Casino de Lisboa.
Boa viagem.
Os blues nasceram das angústias da comunidade afro-americana em Terras do Tio Sam, no início do século passado. Mas neste século também se fazem blues. E dos bons.
O Chauffeur Navarrus não é negro nem trabalha nos campos junto ao Mississipi. O Chaffeur Navarrus é o típico português, ganha a vida ao volante do seu táxi mas também sabe cantar os blues. Na língua de Camões.
Personagem criada por João Navarro (voz, composição e letras) para dar sentido ao projecto musical que pretendia criar, o Chauffeur Navarrus viaja pelas sonoridades do jazz e dos blues, muito graças à formação dos músicos que lhe dão vida. João Navarro esteve sempre ligado aos blues, António Silva (piano) e o mítico baterista Paleka vêm dessa catedral do jazz que é o Hot Clube. A eles junta-se Guilherme Marinho (baixo e guitarra), com formação mais clássica e as vozes de Sónia, Sara e Carla que fazem um coro muito engraçado e simplesmente delicioso.
O disco de estreia do Chauffeur, Estradas Locais, está prestes a circular por esse país fora. Até lá proponho uma viagem pela A12 (Corte de Cabelo), uma das 11 faixas do primeiro álbum da banda.
Para mim, sem qualquer dúvida, um dos lançamentos do ano. Das melhores coisas que me foram dadas a ouvir em português nos últimos tempos.
A toda a velocidade em direcção ao fim-de-semana, pela A12 (Corte de Cabelo), no cadillac do Chauffeur Navarrus.
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"Dá-me boleia fora das estradas locais..."
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Para viajar no banco de trás deste táxi...
Amanhã Chauffeur Navarrus ao vivo Toda a Tarde no Rádio Clube Português depois das 16h e pela noite dentro no Casino de Lisboa.
Boa viagem.
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quarta-feira, 19 de março de 2008
Loopless - Raining Down (2003)
Há sons que se enquadram bem nestes dias cinzentões.
A música dos Loopless é um desses sons. O disco de estreia do duo português, homónimo, brinda-nos com excelentes canções chill out. Com um pé no jazz, outro no funk e com o espírito na música soul. E uma pitada de electrónica suave. É assim com Educated Fools e com este Raining Down, a minha sugestão para hoje.
A excelente voz soul de Kika Santos já a conhecia dos Blackout. A dupla que faz com Hugo Novo nos Loopless é que foi uma verdadeira lufada de ar bem fresco. E com a ajuda de vários músicos que com eles colaboram, este é um dos projectos mais estimulantes neste género musical em Portugal. Kalaf é um dos colaboradores frequentes. E é dele um outro projecto que vale mesmo a pena descobrir também: o One Week Project explora os mesmos ambientes funk, soul e nu-jazz.
Inspiração não falta no underground musical português. É preciso é resgatá-la, incólume, um bocadinho mais para a superfície.
Este estaminé vai de férias, que também merece. A música está de volta na segunda-feira. Até lá, e porque os próximos dias se adivinham tão chuvosos e cinzentos como este, Raining Down, Loopless.
_____
"It's raining all over again..."
A música dos Loopless é um desses sons. O disco de estreia do duo português, homónimo, brinda-nos com excelentes canções chill out. Com um pé no jazz, outro no funk e com o espírito na música soul. E uma pitada de electrónica suave. É assim com Educated Fools e com este Raining Down, a minha sugestão para hoje.
A excelente voz soul de Kika Santos já a conhecia dos Blackout. A dupla que faz com Hugo Novo nos Loopless é que foi uma verdadeira lufada de ar bem fresco. E com a ajuda de vários músicos que com eles colaboram, este é um dos projectos mais estimulantes neste género musical em Portugal. Kalaf é um dos colaboradores frequentes. E é dele um outro projecto que vale mesmo a pena descobrir também: o One Week Project explora os mesmos ambientes funk, soul e nu-jazz.
Inspiração não falta no underground musical português. É preciso é resgatá-la, incólume, um bocadinho mais para a superfície.
Este estaminé vai de férias, que também merece. A música está de volta na segunda-feira. Até lá, e porque os próximos dias se adivinham tão chuvosos e cinzentos como este, Raining Down, Loopless.
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"It's raining all over again..."
quinta-feira, 13 de março de 2008
The Soaked Lamb - Color Blues (2007)
Interessante a proposta de hoje da edição dos Heróis do Ar, rubrica da reponsabilidade de Tiago Santos na Rádio Oxigénio.
Chamam-se The Soaked Lamb e, apesar de figurarem na lista dos melhores de 2007 da Blitz, eu ainda não tinha despertado para eles. Hoje sintonizei música para respirar e lá estavam eles. Ou não fosse esta uma banda bastante arejada: vão beber ao country, aos blues, ao jazz. Mesmo como eu gosto, logo pela manhã.
A voz de serviço é feminina e bastante competente. No entanto parece-me que Mariana Lima tem muito por onde crescer, podia talvez melhorar o swing.
Este Color Blues é um bom cartão de visita para Handmade Blues, disco de estreia.
Vou ficar atenta.
Uma proposta de uma proposta, Color Blues, The Soaked Lamb.
Chamam-se The Soaked Lamb e, apesar de figurarem na lista dos melhores de 2007 da Blitz, eu ainda não tinha despertado para eles. Hoje sintonizei música para respirar e lá estavam eles. Ou não fosse esta uma banda bastante arejada: vão beber ao country, aos blues, ao jazz. Mesmo como eu gosto, logo pela manhã.
A voz de serviço é feminina e bastante competente. No entanto parece-me que Mariana Lima tem muito por onde crescer, podia talvez melhorar o swing.
Este Color Blues é um bom cartão de visita para Handmade Blues, disco de estreia.
Vou ficar atenta.
Uma proposta de uma proposta, Color Blues, The Soaked Lamb.
Música azul-colorida.
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"I see such colors in my dreams
Such creatures, oh I do"
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Ella Fitzgerald - How High the Moon (1960)
Nos últimos anos tenho vindo a descobrir mais seriamente o jazz.
Agradam-me mais os clássicos que os novos sub-géneros. Gosto muito dos blues. E fascina-me o scat.
O scat singing é o canto improvisado de sílabas, palavras, que não têm qualquer significado. E é maravilhoso. É a voz como verdadeiro instrumento de orquestra, em pé de igualdade com qualquer saxofone ou piano.
Poderia ter escolhido para hoje um tema integralmente cantado em scat. Tenho ouvido muito Ella Fitzgerald, a primeira-dama da canção, como foi chamada. Temas como Smooth Sailin' ou Rough Ridin', são pérolas do scat singing.
Resolvi escolher a versão de 1960 de How High The Moon, um tema clássico, já presente no álbum 1947-1948. A canção não é inteiramente cantada em scat, mas em Ella in Berlin, o improviso final, toda aquela reviravolta rítmica, faz de How High The Moon um tema da minha eleição.
Porque nem só de palavras se faz o significado de uma canção, Ella Fitzgerald, How High The Moon.
______________
"How high the moon is the name of this song,
How high the moon, thought the words may be wrong,
We're singin' it because you asked for it,
so we're swingin' it just for you..."
Agradam-me mais os clássicos que os novos sub-géneros. Gosto muito dos blues. E fascina-me o scat.
O scat singing é o canto improvisado de sílabas, palavras, que não têm qualquer significado. E é maravilhoso. É a voz como verdadeiro instrumento de orquestra, em pé de igualdade com qualquer saxofone ou piano.
Poderia ter escolhido para hoje um tema integralmente cantado em scat. Tenho ouvido muito Ella Fitzgerald, a primeira-dama da canção, como foi chamada. Temas como Smooth Sailin' ou Rough Ridin', são pérolas do scat singing.
Resolvi escolher a versão de 1960 de How High The Moon, um tema clássico, já presente no álbum 1947-1948. A canção não é inteiramente cantada em scat, mas em Ella in Berlin, o improviso final, toda aquela reviravolta rítmica, faz de How High The Moon um tema da minha eleição.
Porque nem só de palavras se faz o significado de uma canção, Ella Fitzgerald, How High The Moon.
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"How high the moon is the name of this song,
How high the moon, thought the words may be wrong,
We're singin' it because you asked for it,
so we're swingin' it just for you..."
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