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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Ella Fitzgerald & Louis Armstrong - Dream a Little Dream of Me (1950)

Sentei-me do lado da janela, embora este em nada seja diferente do lado do corredor. Afinal, estava no metro. Da janela, nada para ver.
Sentei-me e um pensamento acorreu automaticamente, como aqueles "pensamentos mágicos" que formulava em criança, quando queria muito saber a resposta a uma coisa que tardava, quando queria, de certa forma, antecipar o futuro. Se o telefone tocar neste preciso momento... Se a próxima música a passar na rádio for cantada em português... Se... aquilo que queria realizava-se.

Esta manhã quando me sentei no metro tive um feeling. E, brincando um pouco com aquela ideia que me preencheu a infância, fiz uma espécie de "promessa". Dream a Little Dream of Me seria a canção do dia aqui no estaminé. Mas só se...

Ora, o se aconteceu mesmo, e aqui está uma vez mais, a grandiosa dupla do jazz, Ella Fitzgerald e Louis Armstrong. Promessas são promessas, por mais infantis que sejam.

Já nem sei o que dizer mais de Satchmo e da First Lady Of Song. Todos os que frequentam esta casa conhecem a minha admiração por eles. Dream a Little Dream Of Me começa com o trompete de Armstrong muito bem acompanhado pelo scat delicioso de Fitzgerald. Ella continua, desta vez com palavras, o trompete sempre a pontuá-la, depois é a vez de Louis Armstrong pegar nas palavras, arrastá-las. Fitzgerald acompanha-o num improviso e continua. Scat de Armstrong, scat de Ella. Os dois em coro. Uma simbiose perfeita.

É assim em Dream a Little Dream of Me. Ella Fitzgerald e Louis Armstrong.

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"Sweet dreams...
Till sunbeams find you
Keep dreaming...
(You gotta keep dreaming...)
Leave your worries behind you...
But in your dreams,
Whatever they be,
You gotta make me a promise:
Promise to me you'll dream...
Dream a little dream of me..."

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Bem, diria que começa aqui uma nova era para a pessoa que tem estado atrás do balcão deste estaminé.
Coisa que afectará o estabelecimento em si - parece-me - de forma positiva.
Pode demorar um bocadinho mais em algumas alturas, mas vai continuar a haver sempre por aqui uma música por dia! Pelo menos!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Ella Fitzgerald - How High the Moon (1960)

Nos últimos anos tenho vindo a descobrir mais seriamente o jazz.

Agradam-me mais os clássicos que os novos sub-géneros. Gosto muito dos blues. E fascina-me o scat.

O scat singing é o canto improvisado de sílabas, palavras, que não têm qualquer significado. E é maravilhoso. É a voz como verdadeiro instrumento de orquestra, em pé de igualdade com qualquer saxofone ou piano.

Poderia ter escolhido para hoje um tema integralmente cantado em scat. Tenho ouvido muito Ella Fitzgerald, a primeira-dama da canção, como foi chamada. Temas como Smooth Sailin' ou Rough Ridin', são pérolas do scat singing.

Resolvi escolher a versão de 1960 de How High The Moon, um tema clássico, já presente no álbum 1947-1948. A canção não é inteiramente cantada em scat, mas em Ella in Berlin, o improviso final, toda aquela reviravolta rítmica, faz de How High The Moon um tema da minha eleição.

Porque nem só de palavras se faz o significado de uma canção, Ella Fitzgerald, How High The Moon.



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"How high the moon is the name of this song,

How high the moon, thought the words may be wrong,

We're singin' it because you asked for it,

so we're swingin' it just for you..."