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terça-feira, 23 de setembro de 2008

Chauffeur Navarrus - Juca Camaleão (2008)

Recebi hoje no e-mail mais um tema a incluir no primeiríssimo álbum dos Chauffeur Navarrus, Estradas Locais, que deve estar mesmo a rebentar nos escaparates.

Juca Camaleão é blues do melhor que se faz em português. Bom swing, a harmónica de João Coutinho com um protagonismo merecido e o trombone de Guida Costa a dar um toque big-band muito interessante. O resto é de uma competência de que nunca duvidei: Paleka, para mim o grande bluesman do Chauffeur - com direito a chapéu e tudo - , está em forma; o baixo sempre a pontuar, e a voz de João Navarro cada vez melhor. Os coros como sempre magníficos, uma verdadeira party track, como lhe chamaram, com palmas e gritos.

E depois há esta história de um tipo vigarista como muitos que encontramos por aí, que vai de Marrocos ao Japão, vender todo o tipo de coisas mesmo as que não interessam a ninguém. Até o fornecedor engana.

Venham daí essas estradas locais, que estamos a precisar de uns caminhos novos e menos congestionados por onde andar.

Juca Camaleão, pelo Chauffeur Navarrus.

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"Vendes óculos escuros, carros, esquemas e seguros,
és um artista!"

sexta-feira, 28 de março de 2008

Chauffeur Navarrus - A12 (Corte de Cabelo) (2008)

Penso em blues e a imagem que me vem à cabeça é dos solos áridos americanos, dos clubes nocturnos, dos homens sentados em pequenos banquinhos de madeira com os seus chapéus, guitarra apoiada numa perna, as botas a imitar o ritmo no chão encardido, harmónica no suporte para o pescoço, depois a passar pelos lábios. Vêm-me à cabeça as vozes daqueles mestres negros, aquela cadência tão particular, a repetição dos versos que obedece àquele velho esquema. Vêm-me à cabeça aquelas histórias corriqueiras, dos amores, dos desamores, da tristeza, histórias simples de pessoas simples. Pessoas que trabalham duro, vão à Igreja, bebem uns copos na tasca e pedem liberdade.

Os blues nasceram das angústias da comunidade afro-americana em Terras do Tio Sam, no início do século passado. Mas neste século também se fazem blues. E dos bons.

O Chauffeur Navarrus não é negro nem trabalha nos campos junto ao Mississipi. O Chaffeur Navarrus é o típico português, ganha a vida ao volante do seu táxi mas também sabe cantar os blues. Na língua de Camões.

Personagem criada por João Navarro (voz, composição e letras) para dar sentido ao projecto musical que pretendia criar, o Chauffeur Navarrus viaja pelas sonoridades do jazz e dos blues, muito graças à formação dos músicos que lhe dão vida. João Navarro esteve sempre ligado aos blues, António Silva (piano) e o mítico baterista Paleka vêm dessa catedral do jazz que é o Hot Clube. A eles junta-se Guilherme Marinho (baixo e guitarra), com formação mais clássica e as vozes de Sónia, Sara e Carla que fazem um coro muito engraçado e simplesmente delicioso.

O disco de estreia do Chauffeur, Estradas Locais, está prestes a circular por esse país fora. Até lá proponho uma viagem pela A12 (Corte de Cabelo), uma das 11 faixas do primeiro álbum da banda.

Para mim, sem qualquer dúvida, um dos lançamentos do ano. Das melhores coisas que me foram dadas a ouvir em português nos últimos tempos.

A toda a velocidade em direcção ao fim-de-semana, pela A12 (Corte de Cabelo), no cadillac do Chauffeur Navarrus.

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"Dá-me boleia fora das estradas locais..."

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Para viajar no banco de trás deste táxi...


Amanhã Chauffeur Navarrus ao vivo Toda a Tarde no Rádio Clube Português depois das 16h e pela noite dentro no Casino de Lisboa.

Boa viagem.