Este sábado ouvi pela primeira vez Como Nossos Pais, de Elis Regina. Fora a bossa nova, a música brasileira não me tem atraído, mas como em tudo, há sempre um momento, um momento decisivo que nos introduz neste ou naquele estilo, na obra deste ou daquele músico.
Ouvi o tema de Falso Brilhante pela primeira vez na voz da Luanda Cozetti. Posso dizê-lo agora, um animal de palco tão grande e tão forte quanto a própria Elis. De improviso, acompanhada apenas ao piano, quase sem ensaio, a parte feminina dos Couple Coffee brilhou numa noite já de si especial. Outra coisa não seria de esperar.
Uma interpretação tão intensa que me fez querer ouvir o original, a letra, de Belchior, é de arrepiar. Como Nossos Pais é MPB, com a força dos melhores temas rock, guitarras e, sobretudo, um sentimento que se sente na voz, na expressão, em tudo.
A mensagem, essa, é uma tomada de consciência. Daquelas que marcam a passagem de uma fase da vida para outra, mais madura talvez. É uma mensagem tão bela quanto dolorosa. Cabe a cada um interpretá-la. E rever-se ou não nela.
Quem ainda não ouviu, que ouça. Apesar de ser dura, é obrigatória.
_____
"Não quero lhe falar,
Meu grande amor,
Das coisas que aprendi
Nos discos...
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
[...]
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais..."
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segunda-feira, 10 de novembro de 2008
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Vinicius de Moraes - Samba da Bênção (1963)
Às vezes parece-me que existe um certo preconceito em relação à música popular brasileira, apesar de Portugal ter sido sempre dela um grande consumidor.
E apesar de, nos seus últimos trabalhos, muitos músicos portugueses se terem dedicado às sonoridades do Brasil. São disto exemplo JP Simões, Maria João, Teresa Salgueiro e até Maria de Medeiros.
E apesar de a brasileira bossa-nova ter intensas relações com o jazz e de ser considerada música "da elite cultural", quando apareceu, nos anos 50.
Contradições.
Portugal e o irmão Brasil vivem a vida sob pontos de vista diferentes. Pode dizer-se que um vive sob a alçada do fatalismo do fado, e o outro sob a alegria do samba. Mas nem tudo é assim tão linear. Até no mais pungente fado existe uma pontinha de sol e até no mais carnavalesco samba existem resquícios de tristeza.
É talvez isto que aproxima timidamente brasileiros e portugueses. Isto e também o facto de o cosmopolitismo da MPB estar na moda.
A verdade é que é melhor ser alegre que ser triste.
Propoho para hoje esta pérola de Vinicius de Moraes & Odette Lara, do álbum com o mesmo nome, de 1963.
Alegria e tristeza, neste Samba da Bêção, Vinicius de Moraes.
____
"Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não"
E apesar de, nos seus últimos trabalhos, muitos músicos portugueses se terem dedicado às sonoridades do Brasil. São disto exemplo JP Simões, Maria João, Teresa Salgueiro e até Maria de Medeiros.
E apesar de a brasileira bossa-nova ter intensas relações com o jazz e de ser considerada música "da elite cultural", quando apareceu, nos anos 50.
Contradições.
Portugal e o irmão Brasil vivem a vida sob pontos de vista diferentes. Pode dizer-se que um vive sob a alçada do fatalismo do fado, e o outro sob a alegria do samba. Mas nem tudo é assim tão linear. Até no mais pungente fado existe uma pontinha de sol e até no mais carnavalesco samba existem resquícios de tristeza.
É talvez isto que aproxima timidamente brasileiros e portugueses. Isto e também o facto de o cosmopolitismo da MPB estar na moda.
A verdade é que é melhor ser alegre que ser triste.
Propoho para hoje esta pérola de Vinicius de Moraes & Odette Lara, do álbum com o mesmo nome, de 1963.
Alegria e tristeza, neste Samba da Bêção, Vinicius de Moraes.
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"Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não"
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