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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Elis Regina - Como Nossos Pais (1976)

Este sábado ouvi pela primeira vez Como Nossos Pais, de Elis Regina. Fora a bossa nova, a música brasileira não me tem atraído, mas como em tudo, há sempre um momento, um momento decisivo que nos introduz neste ou naquele estilo, na obra deste ou daquele músico.

Ouvi o tema de Falso Brilhante pela primeira vez na voz da Luanda Cozetti. Posso dizê-lo agora, um animal de palco tão grande e tão forte quanto a própria Elis. De improviso, acompanhada apenas ao piano, quase sem ensaio, a parte feminina dos Couple Coffee brilhou numa noite já de si especial. Outra coisa não seria de esperar.

Uma interpretação tão intensa que me fez querer ouvir o original, a letra, de Belchior, é de arrepiar. Como Nossos Pais é MPB, com a força dos melhores temas rock, guitarras e, sobretudo, um sentimento que se sente na voz, na expressão, em tudo.

A mensagem, essa, é uma tomada de consciência. Daquelas que marcam a passagem de uma fase da vida para outra, mais madura talvez. É uma mensagem tão bela quanto dolorosa. Cabe a cada um interpretá-la. E rever-se ou não nela.

Quem ainda não ouviu, que ouça. Apesar de ser dura, é obrigatória.

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"Não quero lhe falar,
Meu grande amor,
Das coisas que aprendi
Nos discos...
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
[...]

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais..."

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

JP Simões & Luanda Cozetti - Se Por Acaso (Me Vires por Aí) (2007)

Sento-me ao computador com uma alegria quase adolescente, apesar do inchaço do lado direito da cara (um dente extraído...) e do saco de legumes a servir de compressa de gelo. Hoje conheci JP Simões, conheci mesmo. Já aqui falei do músico que descobri ser de Coimbra. Várias vezes até. A propósito do primeiro álbum a solo, 1970, e do programa que edita e apresenta aos sábados na RTP2, KM0.

Camisa branca, calças de ganga - magríssimo -, vejo-o entrar. O vai e vém por aquelas bandas é grande e não reparo, apesar de já estar à espera dele. Quando abre a boca para dizer Olá, boa tarde, aí reconheço-o. Não é o João, como teima em apresentar-se. É o JP Simões.

O que talvez não pareça óbvio, a julgar pelas suas canções, é o fantástico sentido de humor do músico. Conversar com ele é coisa de outro mundo.

Hoje proponho aqui Se Por Acaso (Me Vires Por Aí), na versão especialíssima em dueto com Luanda Cozetti, do excelente projecto Couple Coffee, aquando do lançamento de 1970. Dois músicos fantásticos, num tema tão simples - de travo a canção clássica - quanto belo.

É uma ode - arrisco dizê-lo - à vida citadina, à solidão que atravessa os corações cosmopolitas. Pelo menos vejo-a assim. Uma canção sobre encontros e desencontros, onde alguém diz "Quero que saibas que cago no amor, / Acho que fui sempre assim...", como quem diz ama-me, encontra-me.


Se Por Acaso (Me Vires Por Aí), JP Simões & Luanda Cozetti para ouvir.

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"Se por acaso me vires por aí
Vamos tomar um café
Diz qualquer coisa, telefona, enfim
Eu ainda moro na Sé"