Dei comigo a pensar, durante toda a semana, sobre as bandas que "substituem" membros. Geralmente o resultado desilude. Lembro-me da reunião dos Queen sem Freddie Mercury ou dos Doors sem Jim Morrison ou até dos Guns 'n' Roses sem... toda a gente menos Axl Rose.
Mas nem sempre é assim. Os AC/DC, por exemplo, souberam continuar sem o malogrado Bon Scott, e Brian Johnson quase fez esquecer o anterior vocalista, tal foi a simbiose perfeita com a banda. Sei que ainda é cedo, mas é mais ou menos esta a sensação que tenho quando ouço Black Gives Way To Blue, o novíssimo álbum dos Alice in Chains. O 1º sem Layne Staley. William DuVall acenta que nem uma luva na sonoridade do grupo, muito embora a herança de Staley, a importância e o carisma do eterno líder dos AiC, seja insubstituível. Para mim, os Alice in Chains são e sempre serão a banda de Layne Staley e Jerry Cantrell. Infelizmente, o primeiro já cá não está. Mas está DuVall para homenageá-lo, para dar continuidade, em respeito, ao seu trabalho.
Não estava à espera de encontrar todos os pontos característicos da sonoridade dos AiC no álbum, muito embora A Looking In View, o primeiro single desse a entender que assim seria. Estão lá as guitarras distintivas do grunge impregnado de metal, estão lá as letras, está a voz de Cantrell a ajudar, a introdução de Check My Brain não me sai da cabeça (como antes tinha acontecido com Again ou We Die Young), a melancolia de Your Decision agarra-se à pele, Acid Bubble é uma canção cheia de camadas por descobrir, Black Gives Way To Blue é quase um Down in a Hole mais reconciliado e o refrão deste Last Of My Kind é qualquer coisa...
É talvez nas canções menos agitadas que se sente mais a falta que faz o carisma, a voz inconfudível de Layne Staley. De resto, Duvall é um vocalista competentíssimo para os Alice in Chains. Todo o disco cheira a homenagem. É um conceito um pouco difícil de explicar. Não sei em que é que Jerry Cantrell estava a pensar. Não sei como as coisas se deram. Mas ao ouvir Black Gives Way To Blue não sinto qualquer pudor, qualquer medo de trair a memória de Staley, sinto sim um enorme respeito por um trabalho de anos, que marcou muita gente.
Marcou-me a mim, seguramente. E é bom sentir isso de novo.
Dizia um jornalista, há tempos, que, onde quer que estivesse, Staley estaria com certeza a sorrir. Também não tenho dúvidas nenhumas disso.
Last Of My Kind, os Alice in Chains.
_______
"Trapped in the cold outside
There ain't no shelter
They wanna force my hand
Until I...
Take what I wanted, and
Break all the lies that they
Feed the fuckin' liars...
Smash all the temples, and
Crawl through the rubble, and
Cry to the fallen
I'm the last of my kind still standing
I'm the last of my kind still standing down the law"
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009
domingo, 5 de julho de 2009
Alice In Chains - A Looking In View (2009)
Confesso que fiquei surpreendida quando soube do regresso dos Alice In Chains, 7 anos depois da morte de Layne Staley, 14 depois do último álbum. Depois, aquela sensação dúbia: por um lado, a excitação de ver de volta uma das minhas bandas preferidas de sempre, por outro, o medo de que a nova formação traia a memória saudosa de um dos frontmen mais carismáticos de todo o movimento grunge. Um homem com um timbre inimitável, uma presença incomparável.
Hoje não consigo deixar de tremer ao digitar o endereço do site da banda. Está lá para escuta e download o primeiro avanço para o álbum que vai sair em Setembro. A Looking In View é o single, Black Gives Way To Blue, o disco. Os primeiros sem Staley.
Entro, arrepiada e com pequenas borboletas na barriga. Faço a inscrição para o download, entro no site propriamente dito e a canção começa a tocar. Parece que voltei aos meus 13 / 14 anos, ao quarto de cortinas verdes e à aparelhagem de som (que conservo ainda) em cima da escrivaninha velha de madeira. Parece que voltei ao dia em que, pela primeira vez, pus um disco dos Alice In Chains a ecoar pela casa toda. Andava fascinada com o grunge, já tinha passado pelos obrigatórios Nirvana e Pearl Jam e voltava-me agora para o lado mais negro e pesado do movimento, voltava-me para a banda de Layne Staley. (É engraçado como ainda hoje o meu pai reconhece a música que durante anos deu cor às nossas manhãs: Got Me Wrong, em versão MTV Unpplugged).
Ao ouvir A Looking In View, percebo que devia ter confiado em Jerry Cantrell. Ele só ressuscitaria os Alice In Chains se realmente isso honrasse a vida e obra do amigo Staley. E sendo ele um dos principais compositores, outra coisa não seria de esperar: está lá tudo. Aos primeiros acordes respira-se o espírito Alice In Chains original. Não vou pensar em William DuVall, o novo vocalista, como o substituto de Staley. Ninguém iguala aquela voz. Ninguém. Mas é uma excelente escolha, um vocalista competentíssimo, que se encaixa perfeitamente na sonoridade da banda.
Os Alice In Chains já estão a preparar a tournée europeia. Se vierem a Portugal, vou lá estar sem nenhuma dúvida. Por Staley, por Cantrell, e pela nova vida que deu a uma banda seminal.
A Looking In View, o regresso dos Alice In Chains.
_________
"A looking in view too long on the outside
Desperate plans make sense in a low life
That's why you'll never tell me heaven's on your mind"
Hoje não consigo deixar de tremer ao digitar o endereço do site da banda. Está lá para escuta e download o primeiro avanço para o álbum que vai sair em Setembro. A Looking In View é o single, Black Gives Way To Blue, o disco. Os primeiros sem Staley.
Entro, arrepiada e com pequenas borboletas na barriga. Faço a inscrição para o download, entro no site propriamente dito e a canção começa a tocar. Parece que voltei aos meus 13 / 14 anos, ao quarto de cortinas verdes e à aparelhagem de som (que conservo ainda) em cima da escrivaninha velha de madeira. Parece que voltei ao dia em que, pela primeira vez, pus um disco dos Alice In Chains a ecoar pela casa toda. Andava fascinada com o grunge, já tinha passado pelos obrigatórios Nirvana e Pearl Jam e voltava-me agora para o lado mais negro e pesado do movimento, voltava-me para a banda de Layne Staley. (É engraçado como ainda hoje o meu pai reconhece a música que durante anos deu cor às nossas manhãs: Got Me Wrong, em versão MTV Unpplugged).
Ao ouvir A Looking In View, percebo que devia ter confiado em Jerry Cantrell. Ele só ressuscitaria os Alice In Chains se realmente isso honrasse a vida e obra do amigo Staley. E sendo ele um dos principais compositores, outra coisa não seria de esperar: está lá tudo. Aos primeiros acordes respira-se o espírito Alice In Chains original. Não vou pensar em William DuVall, o novo vocalista, como o substituto de Staley. Ninguém iguala aquela voz. Ninguém. Mas é uma excelente escolha, um vocalista competentíssimo, que se encaixa perfeitamente na sonoridade da banda.
Os Alice In Chains já estão a preparar a tournée europeia. Se vierem a Portugal, vou lá estar sem nenhuma dúvida. Por Staley, por Cantrell, e pela nova vida que deu a uma banda seminal.
A Looking In View, o regresso dos Alice In Chains.
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"A looking in view too long on the outside
Desperate plans make sense in a low life
That's why you'll never tell me heaven's on your mind"
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segunda-feira, 31 de março de 2008
Alice In Chains - Rooster (1992)
O movimento grunge deu ao mundo bandas muito particulares e distintas. E os Alice In Chains foram talvez a mais particular de todas elas.
Com uma sonoridade muito mais voltada para o heavy-metal e para o glam-rock, o grupo do malogrado Layne Staley distinguiu-se da restante cena musical de Seattle por não beber tanto das influências punk. As guitarras são muito mais agressivas e as temáticas abordadas bem mais pesadas e depressivas.
Em 1996, os Alice in Chains seguiram o exemplo dos Nirvana e aceitaram o convite da MTV para um concerto Unplugged. Chegava a hora de trocar os riffs poderosos por guitarras acústicas, o ritmo estonteante das canções por momentos mais intimistas. Não foi fácil para os Alice In Chains actuar num registo completamente afastado daquilo que eram habitualmente em palco.
E não foi fácil principalmente porque o estado de saúde de Staley assim o ditou.
Ao palco da MTV subiu uma figura magra, pálida, de negro e óculos escuros. Encolhido no banco, Layne Staley cantou o que pôde, sempre imóvel, sempre com a mesma expressão. Quando finalmente tirou os óculos, podemos ver: cantou sempre de olhos fechados.
Muitas vezes não cantou. Deixou essa tarefa para Jerry Cantrell, que estava à guitarra. Enganou-se. Praguejou e recomeçou.
Para quem, como eu, tinha descoberto os Alice in Chains poucos anos antes, a notícia de 20 de Abril de 2002 foi como um balde de gelo: Layne Staley morria de overdose no apartamento de Seattle de onde já pouco saía. Passei o dia com o rádio ligado a ouvir uma emissão especial sobre os Alice in Chains. Nem queria acreditar.
Ontem, enquanto via o MTV Unplugged em DVD, a morte pareceu-me óbvia e expectável. Como conseguiu viver Staley tanto tempo?
Escolhi Rooster, do segundo álbum da banda, Dirt. É das minhas preferidas.
Alice in Chains, Rooster. You know he ain't gonna die.
______
"Got my pills against mosquito death
My buddy's breathin' his dyin' breath
Oh God please, won't you help me make it through"
Com uma sonoridade muito mais voltada para o heavy-metal e para o glam-rock, o grupo do malogrado Layne Staley distinguiu-se da restante cena musical de Seattle por não beber tanto das influências punk. As guitarras são muito mais agressivas e as temáticas abordadas bem mais pesadas e depressivas.
Em 1996, os Alice in Chains seguiram o exemplo dos Nirvana e aceitaram o convite da MTV para um concerto Unplugged. Chegava a hora de trocar os riffs poderosos por guitarras acústicas, o ritmo estonteante das canções por momentos mais intimistas. Não foi fácil para os Alice In Chains actuar num registo completamente afastado daquilo que eram habitualmente em palco.
E não foi fácil principalmente porque o estado de saúde de Staley assim o ditou.
Ao palco da MTV subiu uma figura magra, pálida, de negro e óculos escuros. Encolhido no banco, Layne Staley cantou o que pôde, sempre imóvel, sempre com a mesma expressão. Quando finalmente tirou os óculos, podemos ver: cantou sempre de olhos fechados.
Muitas vezes não cantou. Deixou essa tarefa para Jerry Cantrell, que estava à guitarra. Enganou-se. Praguejou e recomeçou.
Para quem, como eu, tinha descoberto os Alice in Chains poucos anos antes, a notícia de 20 de Abril de 2002 foi como um balde de gelo: Layne Staley morria de overdose no apartamento de Seattle de onde já pouco saía. Passei o dia com o rádio ligado a ouvir uma emissão especial sobre os Alice in Chains. Nem queria acreditar.
Ontem, enquanto via o MTV Unplugged em DVD, a morte pareceu-me óbvia e expectável. Como conseguiu viver Staley tanto tempo?
Escolhi Rooster, do segundo álbum da banda, Dirt. É das minhas preferidas.
Alice in Chains, Rooster. You know he ain't gonna die.
______
"Got my pills against mosquito death
My buddy's breathin' his dyin' breath
Oh God please, won't you help me make it through"
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