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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Pearl Jam - Wishlist (1998)

Eu devia estar aqui a escrever sobre o maravilhoso disco do Kurt Vile ou o do Mazgani, ou então de todas aquelas coisas boas que tenho ouvido ultimamente e que estão em lista de espera. Mas teve de ser. Bom ano para todos os que vão passando por aqui e, para aqueles que voltam e que uma vez e outra não encontram nada novo, saibam que por aqui há sempre música todos os dias. Quer cá esteja em palavras, quer não. :)

Quando comecei a ouvir Pearl Jam, Wishlist era aquela canção de que eu menos gostava. Ouvia- a na rádio e ficava incomodada, inquieta. Se passava enquanto dormia, sobressaltava-me, perturbava-me. Talvez não compreendesse completamente a mensagem (há coisas que só os anos nos dão) e a sonoridade não era a clássica da banda de Seattle. Não sei se era por isso, mas pode ter sido.

Um dia – um qualquer dia – ouvia-a de outra maneira. E a canção que outrora eu passava à frente ou fingia não ouvir quando ia no carro, passou a significar outras coisas. Na verdade, passou a significar, ponto. Nesse ano - também nos últimos dias desse ano – fiz a minha wishlist, com excertos da música e desejos meus. Eram centenas. De todos os feitios, uns fáceis, outros difíceis de concretizar. Coisa de adolescente, o objectivo era riscar cada sonho à medida que fosse sendo cumprido. Com data e a cor diferente e tudo. Dobrei as folhas e guardei-as dentro de um livro. Durante alguns anos lá ia eu, a cada conquista, riscar a frase correspondente ao desejo realizado. Depois, como todas as coisas de adolescente, também a wishlist foi ficando esquecida. Há anos que não risco nada naquelas páginas, apesar de os últimos anos me terem dado bons motivos para isso.

Mais um ano chega ao fim e voltei a lembrar-me de Wishlist, já, e merecidamente, no saco das grandes canções. Há uma versão de que eu gosto particularmente: a tocada ao vivo, no Madison Square Garden, em Agosto de 2003. “I believe.”, começa por dizer Eddie Vedder, e depois começa o inesquecível riff de guitarra. Por cima do público há uma bola de espelhos. Arrepio-me sempre que ouço a guitarra de Vedder a distorcer. Leva as mãos à cabeça, estala os dedos, volta para a guitarra límpida e solta um estonteante “Fuck the pessimists. Fuck ‘em!”. O público aplaude. “This proves that dreams could be a good thing”, continua o vocalista, e agradece aos Buzzcocks, companheiros da noite. Incita o público a cantar.
“That’s fuckin’ beautiful”. Eu também acho, e por isso é que esta é a música do dia, do último dia do ano.
As canções são coisas vivas quando as bandas fazem delas coisas vivas.
Wishlist, os Pearl Jam no Madison Square Garden.
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“And it feels so real I can feel it, and it tastes so real I can taste it, and it sounds so real I can hear it… But why can’t I touch it?”

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Alice In Chains - Last Of My Kind (2009)

Dei comigo a pensar, durante toda a semana, sobre as bandas que "substituem" membros. Geralmente o resultado desilude. Lembro-me da reunião dos Queen sem Freddie Mercury ou dos Doors sem Jim Morrison ou até dos Guns 'n' Roses sem... toda a gente menos Axl Rose.

Mas nem sempre é assim. Os AC/DC, por exemplo, souberam continuar sem o malogrado Bon Scott, e Brian Johnson quase fez esquecer o anterior vocalista, tal foi a simbiose perfeita com a banda. Sei que ainda é cedo, mas é mais ou menos esta a sensação que tenho quando ouço Black Gives Way To Blue, o novíssimo álbum dos Alice in Chains. O 1º sem Layne Staley. William DuVall acenta que nem uma luva na sonoridade do grupo, muito embora a herança de Staley, a importância e o carisma do eterno líder dos AiC, seja insubstituível. Para mim, os Alice in Chains são e sempre serão a banda de Layne Staley e Jerry Cantrell. Infelizmente, o primeiro já cá não está. Mas está DuVall para homenageá-lo, para dar continuidade, em respeito, ao seu trabalho.

Não estava à espera de encontrar todos os pontos característicos da sonoridade dos AiC no álbum, muito embora A Looking In View, o primeiro single desse a entender que assim seria. Estão lá as guitarras distintivas do grunge impregnado de metal, estão lá as letras, está a voz de Cantrell a ajudar, a introdução de Check My Brain não me sai da cabeça (como antes tinha acontecido com Again ou We Die Young), a melancolia de Your Decision agarra-se à pele, Acid Bubble é uma canção cheia de camadas por descobrir, Black Gives Way To Blue é quase um Down in a Hole mais reconciliado e o refrão deste Last Of My Kind é qualquer coisa...

É talvez nas canções menos agitadas que se sente mais a falta que faz o carisma, a voz inconfudível de Layne Staley. De resto, Duvall é um vocalista competentíssimo para os Alice in Chains. Todo o disco cheira a homenagem. É um conceito um pouco difícil de explicar. Não sei em que é que Jerry Cantrell estava a pensar. Não sei como as coisas se deram. Mas ao ouvir Black Gives Way To Blue não sinto qualquer pudor, qualquer medo de trair a memória de Staley, sinto sim um enorme respeito por um trabalho de anos, que marcou muita gente.

Marcou-me a mim, seguramente. E é bom sentir isso de novo.

Dizia um jornalista, há tempos, que, onde quer que estivesse, Staley estaria com certeza a sorrir. Também não tenho dúvidas nenhumas disso.

Last Of My Kind, os Alice in Chains.

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"Trapped in the cold outside
There ain't no shelter
They wanna force my hand
Until I...

Take what I wanted, and
Break all the lies that they
Feed the fuckin' liars...
Smash all the temples, and
Crawl through the rubble, and
Cry to the fallen

I'm the last of my kind still standing
I'm the last of my kind still standing down the law"

terça-feira, 21 de julho de 2009

Pearl Jam - The Fixer (2009)

Este ano o grunge está em alta. Para além do regresso dos Alice In Chains, com novo vocalista, e no ano em que celebrámos Ten, álbum seminal do movimento de Seattle e de toda a década de 90, os Pearl Jam estão de volta com mais um álbum de originais, Backspacer.

The Fixer, o primeiro avanço, foi divulgado ontem e já estou a imaginar a divergência de opiniões. Uns dirão que é um grande tema, ao melhor estilo da banda de Eddie Vedder, outros dirão que não passa de mais uma canção rock FM, comercial. Vão dizer que fica no ouvido, que vicia. Para alguns isso é mau, para outros nem por isso.

A mim não me parece uma grande canção, nem tão pouco me parece que os Pearl Jam escolheram para single um tema comercialão. The Fixer não é tipicamente Pearl Jam, porque, a bem da verdade, a banda não tem uma canção-tipo. Não é um tema épico, não é um Even Flow nem um Alive, tão pouco é um Black. Mas, alguém já se esqueceu de Lost Dogs, o duplo álbum que é a prova mais que provada que Eddie Vedder e companhia formam a banda mais versátil do grunge e talvez uma das mais honestas?

Gostei bastante da sonoridade veraneante, do rock simples e directo, do timbre inconfundível e familiar de Eddie Vedder, mas gostei sobretudo da mensagem. Não é preciso estar-se zangado, não é preciso ser-se agressivo, pessimista, negativista, para se ser revolucionário. Ninguém está sempre de mal com a vida. Os Pearl Jam não estão, com certeza, e isso ouve-se. Ouve-se e sabe tão bem...

Até chegar o álbum, Pearl Jam, The Fixer.

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"When something’s dark let me shed a little light on it
When something’s cold let me put a little fire on it
If something’s old I wanna put a bit of shine on it
When something’s gone I wanna fight to get it back again"

domingo, 5 de julho de 2009

Alice In Chains - A Looking In View (2009)

Confesso que fiquei surpreendida quando soube do regresso dos Alice In Chains, 7 anos depois da morte de Layne Staley, 14 depois do último álbum. Depois, aquela sensação dúbia: por um lado, a excitação de ver de volta uma das minhas bandas preferidas de sempre, por outro, o medo de que a nova formação traia a memória saudosa de um dos frontmen mais carismáticos de todo o movimento grunge. Um homem com um timbre inimitável, uma presença incomparável.

Hoje não consigo deixar de tremer ao digitar o endereço do site da banda. Está lá para escuta e download o primeiro avanço para o álbum que vai sair em Setembro. A Looking In View é o single, Black Gives Way To Blue, o disco. Os primeiros sem Staley.

Entro, arrepiada e com pequenas borboletas na barriga. Faço a inscrição para o download, entro no site propriamente dito e a canção começa a tocar. Parece que voltei aos meus 13 / 14 anos, ao quarto de cortinas verdes e à aparelhagem de som (que conservo ainda) em cima da escrivaninha velha de madeira. Parece que voltei ao dia em que, pela primeira vez, pus um disco dos Alice In Chains a ecoar pela casa toda. Andava fascinada com o grunge, já tinha passado pelos obrigatórios Nirvana e Pearl Jam e voltava-me agora para o lado mais negro e pesado do movimento, voltava-me para a banda de Layne Staley. (É engraçado como ainda hoje o meu pai reconhece a música que durante anos deu cor às nossas manhãs: Got Me Wrong, em versão MTV Unpplugged).

Ao ouvir A Looking In View, percebo que devia ter confiado em Jerry Cantrell. Ele só ressuscitaria os Alice In Chains se realmente isso honrasse a vida e obra do amigo Staley. E sendo ele um dos principais compositores, outra coisa não seria de esperar: está lá tudo. Aos primeiros acordes respira-se o espírito Alice In Chains original. Não vou pensar em William DuVall, o novo vocalista, como o substituto de Staley. Ninguém iguala aquela voz. Ninguém. Mas é uma excelente escolha, um vocalista competentíssimo, que se encaixa perfeitamente na sonoridade da banda.

Os Alice In Chains já estão a preparar a tournée europeia. Se vierem a Portugal, vou lá estar sem nenhuma dúvida. Por Staley, por Cantrell, e pela nova vida que deu a uma banda seminal.

A Looking In View, o regresso dos Alice In Chains.

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"A looking in view too long on the outside
Desperate plans make sense in a low life

That's why you'll never tell me heaven's on your mind"

terça-feira, 24 de março de 2009

Pearl Jam - Alive (1991)

Tenho tido pilhas de trabalho na secretária de casa e na do escritório. Aparecem coisas para fazer de todos os cantos e, na verdade, isso sabe bem. Apesar de o tempo não esticar, como todos gostaríamos.
Também tenho em lista de espera alguma música nova: uns temas que o meu namorado desencantou do fantástico músico japonês Akira Yamaoka e os novos álbuns dos The Whitest Boy Alive e dos Phoenix, duas bandas muito interessantes, em registo mais electro, que o Rui Maia me aconselhou a ouvir.

(Ah, há quanto tempo não nos sentamos no tapete da sala, cada um com uma pequena pilha de discos ao lado, a fazer descobertas desta ou daquela banda? Há quanto?)
Quero ouvi-los com a calma que merecem, por isso a sugestão de hoje é outra. Dou-me conta que um ano de blog chega para falar várias vezes dos Pearl Jam e por isso não me vou alongar na exposição. Ontem foi dia Pearl Jam em mim. A banda de Eddie Vedder decidiu reeditar Ten, o álbum de estreia, o álbum de Even Flow, Jeremy, Black e deste Alive. Um dos discos que marcou a minha adolescência, todos os anos 90 e, permitam-me isto, a história mais recente da música no mundo. Está lá tudo o que é preciso: raiva grunge, a história de um miúdo que se suicida na escola, uma das melhores letras rock de todos os tempos. A Blitz dedica a sua próxima edição aos Pearl Jam, com uma entrevista sentida a Vedder, e a todo o movimento grunge.
(Gostava de encontrar uma foto minha de camisa de flanela - ou a própria da camisa axadrezada - , mas as minhas memórias ainda não estão assim tão informatizadas...)
Ainda hoje o riff inicial de Alive me arrepia tanto como na altura em que enchia os meus cadernos da escola com esta e outras letras. E depois há a forma como Vedder conta esta história, como se envolve no diálogo de uma família estilhaçada.
Ten é obrigatório.
Pearl Jam, Alive.
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"Is something wrong, she said
Well of course there is
You're still alive, she said
Oh, and do I deserve to be
Is that the question
And if so...if so...who answers...who answers...
I, oh, I'm still alive
Hey I, oh, I'm still alive
Hey I, but, I'm still alive
Yeah I, ooh, I'm still alive"

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Pearl Jam - Drifting (1999)

Sei que estou em falta para com os leitores destas músicas do dia. Por ocasião do 1º aniversário deste cantinho prometi algumas novidades, e elas chegarão a seu tempo. A velha desculpa, a do tempo.

Ando a ler On The Road, de Jack Kerouac. Estou fascinada, fazia-me falta ter um livro destes na cabeceira. Uma escrita urgente e inflamada, simples, ao serviço da memória. Este é também um livro quase musical. Kerouac era um obcecado pelos sons do bop, o género mais em voga naqueles anos 40. Faz descrições apaixonadas dos músicos que sopram, mesmo sem soprar, das canções que saíam de jukeboxes, guitarras de mexicanos ou da sua própria mente, de onde Billie Holiday poderia saltar a qualquer momento.

Pus a tocar faixas aleatórias e, coincidência ou não, entrou este Drifting, tema single do Natal de 99 especial para o clube de fãs dos Pearl Jam. Eddie Vedder e Stone Gossard gravaram o tema décadas depois de Kerouac ter inventado a beat generation, mas haverá melhor forma de descrever a filosofia subjacente ao movimento que este Drifting? Ou pelo menos, haverá melhor forma de descrever os novos beatniks?

Drifting, os Pearl Jam.

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"Drifting, drifting, drifting away.
I got myself a mansion, then I gave it away.
It's not the world that's heavy, just the things that you save.
And I'm drifting, drifting away.

Drifting, drifting, drifting uh-huh
I rid myself of worries, and the worries were gone.
I only run when I want to and I sleep like a dog.
I'm just drifting, drifting along.

The suitcoats say, 'There is money to be made".
They get so damn excited, nothing gets in their way
My road it may be lonely just because it's not paved.
It's good for drifting, drifting away.

Drifting, drifting, drifting, uh huh.
I feel like going back there, but never for long.
I sometimes wonder if they know that I'm gone.
I'm just drifting, drifting along.
Drifting, drifting along. Drifting, drifting along."

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Feromona - Bisturi (2008)

Estou a gostar disto.

Uma Vida A Direito é o álbum de estreia dos lisboetas Feromona, um trio que já anda por esses palcos fora desde 2002.

Fiz o download - legal, gratuito e completo - desta primeira aventura de estúdio e a coisa agrada-me. Principalmente pela mistura de influências que, embora se concentrem todas algures na década de 90, dão às canções um travo ao mesmo tempo novo e familiar. Feromona às vezes é um power-trio puramente rock 'n' roll a beber nos 90's, outras vezes é mais grunge, nalguns arranjos e letras que não me espantaria ver traduzidos nos cadernos de Cobain, às vezes cai mais para as sonoridades indie. Para além de cantarem sempre em português, há outra coisa que dá a Uma Vida A Direito uma identidade - diria... - lusa. Estão lá os Ornatos Violeta em grande plano a dar o mote, e todas as outras bandas nacionais que marcaram o rock dos últimos anos de 80 e toda a década de 90.

Gostei bastante do toque mais funky com que começam Psicologia, um dos temas escolhidos para single e que já está a rodar nas rádios. As letras são deliciosas por duas razões, só aparentemente contraditórias: são histórias simples de raparigas, sexo e discussões mas não lhes faltam os sentimentos, sem serem lamechas.

A verdade é esta: os Feromona falam do que lhes apetece e fazem-no com competência.

E há outra coisa muito rara: letra e música sobrevivem, nenhuma se sobrepõe à outra. Há o mesmo cuidado nas duas componentes da canção e isso é muito bom de ouvir.

Escolhi este Bisturí, de um álbum que - não consigo bem explicar porquê - já fazia falta ouvir, sem ser propriamente um diamante luminoso. Talvez das canções mais "abstractas", mas a que me marcou mais.

Uma coisa é mais que certa. O download vale a pena e recomenda-se. E, façam favor, contribuam com aquilo que quiserem e puderem, mas não deixem de contribuir.

Bisturí, os Feromona.

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"Um bisturi
pedaço
de algodão doce
um bisturi
que eu seguro como se ele fosse
só p'ra ti
p'ra que mordas sem que eu sinta remorsos"

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Pearl Jam - Let Me Sleep (1991)

As minhas sugestões nos próximos dias vão ser canções para a quadra que se aproxima.
Não, não são canções de Natal. São canções para o Natal.

Há diferenças.

Para abrir escolhi este tema de um dos primeiros singles de Natal lançados especialmente para o clube de fãs dos Pearl Jam. Let Me Sleep, composto algures em Dezembro de 1991, é um tema melancólico, triste até. Conheci-o também num destes natais mais ou menos longínquos, quando no sapatinho alguém me pôs Lost Dogs, o álbum duplo de lados b e raridades da banda de Eddie Vedder. Não tinha reparado - ou não me lembrava já - que o tema era do início da carreira dos Pearl Jam, tão madura, tão sentida que soa.

Já aqui o disse, eles são mesmo a maior caixinha-de-surpresas do grunge. Lost Dogs é a prova mais flagrante disso.

O mais delicioso em Let Me Sleep... Ia dizer o som dos slit drums, um instrumento de percussão - vim a descobrir mais tarde - do tempo dos Aztecas, pelas mãos de Dave Krusen. Mas também poderia dizer a guitarra de Mike McCready, arrepiante. Ou a voz de Vedder, tantas vezes sumida.

Este é sem dúvida um dos temas para este e para todos os Natais. Cheira a Inverno, a frio, a luvas e a cachecóis e a gorros de lã. Cheria àquele momento, depois de todos termos deixado a árvore despida de presentes e a sala desarrumada de papéis e fitinhas coloridas, cheira ao momento em que recolhemos ao quarto da nossa infância e, pouco seguros do alto da nossa adultez forçada, dizemos: dantes é que era.

E adormecemos novamente enrolados como crianças na nossa cama de solteiros e pijama de ursinhos que já estão curtos nas pernas e nas mangas e sonhamos com bonecas, casinhas, carrinhos, aviões e pecinhas de lego.

Os mesmos que agora oferecemos aos nossos filhos no Natal.

Let Me Sleep, Pearl Jam.

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Oh, when I...
If I was a kid...
Oh, how magic it seemed...
Oh please let me dream it's Christmas time..."

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Nirvana - Love Buzz (1989)

Não resisti e aceitei o desafio. 1 música por dia faz bem à saúde - está provado - , várias então... são capazes de prolongar a vida um bom par de anos.

Por isso aqui fica um quiz musical bem simpático. Ah, e já agora, receito este outro medicamento, pelo menos uma vez ao dia.



Então é assim:



1. Colocar uma foto individual




(Ora cá está ela... Vamos a isto.)

2. Escolher um artista/banda
Nirvana

3. Responder às seguintes questões somente com títulos de canções do artista/banda escolhido:

- És homem ou mulher? Oh Me
- Descreve-te: About a Girl
- O que é que as pessoas pensam de ti? Smells Like Teen Spirit
- Como descreves o teu último relacionamento? Love Buzz
- Descreve o estado actual da tua relação: Heart-Shapped Box
- Onde querias estar agora? On a Plain
- O que pensas a respeito do amor? Endless, Nameless
- Como é a tua vida? Aero Zeppelin
- O que pedirias se pudesses ter só um desejo? Mexican Seafood
- Escreve uma frase sábia: Come As You Are

4. Escolher quatro pessoas para responder ao desafio sem esquecer de os avisar.

Tu que lês este blog.


Um balanço desta brincadeira musical: é mais difícil do que parece. Principalmente quando a banda que se escolhe tem um compositor tão maníaco-depressivo como Kurt Cobain. Era quase irresistível colocar Negative Creep como resposta à segunda questão... I'm a negative creep, I'm a negative creep and I'm stoned! Não pude deixar de ouvir este refrão ao ler a pergunta. Tudo isto para dizer que se podem fazer coisas bastante engraçadas com este simples quiz (basta ver a resposta 9...).

Agora sobre a música do dia: deste leque de respostas escolhi Love Buzz, um tema contagiante, muito punk, do primeiríssimo álbum dos Nirvana, Bleach. Adoro guitarra e o baixo, o tom completamente stoned de Cobain, num tema simples, de 3 linhas (como de resto praticamente todos os temas de Bleach), sobre um tipo que declara o seu amor de forma desajeitada. É um tema puramente punk, em sonoridade e atitude, tão delicioso quanto adolescente.

Love Buzz, os Nirvana

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"Would you believe me when I tell you you're the queen of my heart?
Please don't deceive me when I hurt you, just ain't the way it seems.

Can you feel my love buzz?"

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Nirvana - Come As You Are (1991)

O bebé Nirvana é um fait-divers. Mas um fait-divers que não passa ao lado dos fãs da mítica banda de Seattle.


Falo da notícia que correu esta semana. O bebé que aparece na capa do épico Nevermind já tem 17 anos. Foi uma feliz coincidência. Precisava-se de um bebé para fazer a capa do álbum e os pais de Spencer Elden lá aceitaram atirá-lo para a piscina para fazer umas fotos. Receberam 200 dólares por isso e, digo eu, estariam longe de imaginar que o filho seria a imagem de um dos álbuns mais influentes da história da música mais recente. O álbum que poria definitivamente o grunge no mapa da música mundial.


Spencer, o bebé Nirvana, é um ícone acidental. Diz que até gostava de ter vivido os seus 17 anos na década de 90. Gosta dos Nirvana, mas nunca chegou a conhecer nenhum dos membros. O grunge não lhe desperta tanto interesse como o tecno, mas conserva em casa o disco que o mostra como veio ao mundo, perseguindo uma nota.


Para além de se ver aqui e ali, numa t-shirt, num poster, num disco, a fama não o rala. Mas, aqui para nós, ser a imagem de um álbum que marcou várias gerações, é uma responsabilidade e, de certa forma, um orgulho.


É que Nevermind é tão-só o disco de pérolas como este Come As You Are ou Smells Like Teen Spirit, o grande single.


Hoje proponho aquela que, a cada audição, me parece cada vez mais indiscutivelmente, a canção de Nevermind. Tudo me soa a perfeição. Tudo. Do início, arrepiante, ao fim. Cada instrumento a entrar no tempo certo, da forma certa. Uma excelente composição. Do mais inspirado que há na discografia da banda de Kurt Cobain.


Para hoje, para sempre, Come As You Are, os Nirvana.




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"Take your time,

Hurry up,

choice is yours don't be late"

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Pearl Jam - Even Flow (1991)

Hoje decidi voltar ao início da década de 90, ao início do movimento grunge.
Em 1991 nascia Ten, o primeiro álbum dos Pearl Jam, a banda que, tantos anos passados, continua fiel à sua ideologia.

Uma banda que tem marcado o mundo pelo seu envolvimento em questões políticas, ambientais e sociais. Uma banda que tem apoiado iniciativas importantes sem nunca chamar a si o protagonismo.

Para mim, a banda de Eddie Vedder é uma das mais marcantes. A todos os níveis. Composições sempre inspiradas, excelentes histórias a contar. Sinceridade. Honestidade. Feeling.

Superaram a tragédia de 2000 na Dinamarca. Após a morte de nove fãs durante o espectáculo de apresentação de Binaural, retiraram-se dos grandes palcos. Recusaram as tiranias das grandes empresas e, sempre voltados para os fãs, mantêm até hoje um discreto, mas sólido sucesso.

Por tudo isto, Even Flow, os Pearl Jam.

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"Even flow, thoughts arrive like butterflies
Oh, he don't know, so he chases them away
Oh, someday yet, he'll begin his life again..."

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Pearl Jam - 4/20/02 (2003)

Abril é o mês do luto para o grunge.

Em 1994, a 5 deste mês fatídico, Kurt Cobain era encontrado morto na sua casa em Seattle. Muita tinta correu, suicídio ou homicídio, não havia consenso. A nota de despedida encontrada ao lado do carismático líder dos Nirvana levou a melhor, e a versão suicídio foi oficializada.

O homem morreu, a obra ficou e o mito nasceu naquela dia.

7 anos depois, a 20 de Abril, o corpo de Layne Staley era encontrado já em avançado estado de decomposição. Não houve bilhetes nem armas, a causa da morte era clara como água: uma dose letal de heroína combinada com cocaína. Ironias, coincidências, acasos, as perícias mostraram que o vocalista dos Alice in Chains morreu por volta do dia 5 de Abril, tal como Cobain.

Já aqui falei de Lost Dogs, o disco de raridades e lados B, que é uma pérola na discografia dos Pearl Jam. O álbum de 2003 incluía 4/20/02, a faixa escondida no disco 2. Quem deixar correr Bee Girl vai encontrar, algures aos 6 minutos, a canção que Eddie Vedder gravou no dia em que soube da morte do amigo Staley.

É um tema arrepiante, não só por ser uma homenagem póstuma, mas sobretudo pela forma como é interpretado. É Vedder, sozinho com a sua dor e raiva, à guitarra. Às cordas imprime um tom às vezes triste, às vezes enraivecido. As palavras são duras. Eddie Vedder faz acusações, recrimina o uso prolongado de drogas, fala directamente a Layne Staley, livra-o de culpas (afinal poderia ser qualquer um de nós), sente-se ofendido.

É de uma brutalidade desmedida ouvir 4/20/02. Arrepia e não é pouco, a quem é fã do grunge e a quem não é. Durante algum tempo - confesso - não consegui pôr a faixa escondida de Lost Dogs a tocar.

4/20/02, os Pearl Jam em homenagem a Layne Staley.

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"lonesome friend, we all knew
always hoped you'd pull through
no blame, no blame
no blame, it could be you
using, you can't grow old using"

segunda-feira, 31 de março de 2008

Alice In Chains - Rooster (1992)

O movimento grunge deu ao mundo bandas muito particulares e distintas. E os Alice In Chains foram talvez a mais particular de todas elas.

Com uma sonoridade muito mais voltada para o heavy-metal e para o glam-rock, o grupo do malogrado Layne Staley distinguiu-se da restante cena musical de Seattle por não beber tanto das influências punk. As guitarras são muito mais agressivas e as temáticas abordadas bem mais pesadas e depressivas.

Em 1996, os Alice in Chains seguiram o exemplo dos Nirvana e aceitaram o convite da MTV para um concerto Unplugged. Chegava a hora de trocar os riffs poderosos por guitarras acústicas, o ritmo estonteante das canções por momentos mais intimistas. Não foi fácil para os Alice In Chains actuar num registo completamente afastado daquilo que eram habitualmente em palco.
E não foi fácil principalmente porque o estado de saúde de Staley assim o ditou.

Ao palco da MTV subiu uma figura magra, pálida, de negro e óculos escuros. Encolhido no banco, Layne Staley cantou o que pôde, sempre imóvel, sempre com a mesma expressão. Quando finalmente tirou os óculos, podemos ver: cantou sempre de olhos fechados.

Muitas vezes não cantou. Deixou essa tarefa para Jerry Cantrell, que estava à guitarra. Enganou-se. Praguejou e recomeçou.

Para quem, como eu, tinha descoberto os Alice in Chains poucos anos antes, a notícia de 20 de Abril de 2002 foi como um balde de gelo: Layne Staley morria de overdose no apartamento de Seattle de onde já pouco saía. Passei o dia com o rádio ligado a ouvir uma emissão especial sobre os Alice in Chains. Nem queria acreditar.

Ontem, enquanto via o MTV Unplugged em DVD, a morte pareceu-me óbvia e expectável. Como conseguiu viver Staley tanto tempo?

Escolhi Rooster, do segundo álbum da banda, Dirt. É das minhas preferidas.

Alice in Chains, Rooster. You know he ain't gonna die.

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"Got my pills against mosquito death
My buddy's breathin' his dyin' breath
Oh God please, won't you help me make it through"

terça-feira, 11 de março de 2008

Nirvana - Sliver (1992)

este estaminé prolongou o fim-de-semana e ontem por estes lados não houve música.
Voltamos hoje, porque uma música por dia, nem sabe o bem que lhe fazia!
Live! Tonight! Sold Out! é um documento fundamental na estante de qualquer fã dos Nirvana ou de quem quer perceber os anos 90.

Pensado e maioritariamente editado por Kurt Cobain, este documentário que reúne vários vídeos caseiros das actuações e entrevistas dos Nirvana foi lançado originalmente em VHS em 1994, já depois da sua morte. A cassete tornou-se uma lenda e em 2006, para consolo de fãs como eu, é lançada a versão em DVD.

Está lá tudo. A mítica aparição da banda no programa Top Of The Pops, onde era suposto interpretarem Smells Like Teen Spirit numa espécie de quase-playback: os Nirvana deveriam fingir estar a tocar ao vivo e Kurt Cobain deveria cantar por cima da gravação insrumental.Mas estamos a falar dos Nirvana. E como não poderia deixar de ser, as intenções da produção do programa foram completamente desmanteladas: ninguém fingiu tocar, e Cobain cantou o grande hit num registo muito lento, quase gregoriano.

Também lá está Kurt Cobain a entrar em palco de cadeira de rodas e bata branca. E lá está a cena em que um tipo espanca Cobain durante um stage diving, em Love Buzz. E estão lá as entrevistas, as aparições televisivas e os vídeos caseiros.
E o melhor de tudo, é que cada faixa é um conjunto de fragmentos, de vários concertos, de diferentes entrevistas. Tudo depois composto por um excelente trabalho de edição.

Imprescindível.

De Seattle para o mundo, os Nirvana marcaram toda a década de 90.

Em 1996, já Cobain tinha sido encontrado morto, e na escola onde eu entrava pela primeira vez, ainda os rapazes mais velhos vestiam camisas de flanela e deixavam o cabelo crescer ao estilo grunge. Ouviam Nirvana e drogavam-se ao fundo do recinto, onde estava um inútil campo de futebol e mais tarde, um pavilhão desportivo.

Depois tudo isso passou. A escola esforçou-se por erradicar aquele pessoal todo.

O grunge já não estava na moda quando apresentei Sliver numa aula de Inglês. Tinha de melhorar a nota com uma prova oral e a música - sempre ela - foi o tema escolhido. Levei a minha bandeira dos Nirvana, fotos e até a suposta carta de suicídio de Cobain. E levei Sliver, de Incesticide (1992).

Quando a linha de baixo começa, ainda está tudo tranquilo naquela sala. O desconforto surge quando guitarra e bateria se misturam com gritos e as palavras adquirem outros significados. Houve quem quisesse sair da sala.

Mas Sliver é, no fundo, uma canção inocente. Sobre uma criança e as suas birras. Sobre querer ir para casa e estar sozinho.

Os tempos já tinham mudado.

Sliver, Nirvana.

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"Mom and Dad went to a show,
dropped me off at Grandpa Joe's,
I kicked and screamed,
said 'please don't go'"


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Quis o acaso

que este domingo à noite eu visse o Festival da Canção, na RTP1. É tão pouca a televisão que vejo que nem sabia o porquê da mudança de programação. Mas uma voz conhecida fez-me parar ali. Era a Joana Melo, que agora integra o excelente projecto Lisboa Não Sejas Francesa, com alguns músicos dos Donna Maria.
Porto de Encontro era, de longe, o melhor tema da noite. O projecto que lhe deu vida é dos mais empolgantes no panorâma nacional, com músicos de grande qualidade. Conjugam o tradicional com novas sonoridades e não se limitam a exaltar os temas típicos da música portuguesa, como o faz a vencedora, Vânia Fernandes, em Senhora do Mar.

Vânia tem seguramente uma boa voz, mas isso não deveria, por si só, chegar.

Lisboa Não Sejas Francesa não chegou sequer aos três primeiros lugares.

Não estarão na Sérvia, mas aqui e ali, uma alternativa nas noites lisboetas.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Dollar Llama - Head to the Bone (2006)

A minha última incursão pel' A Trompa fez-me voltar a tirar da estante Revolution FM, EP de estreia dos portugueses Dollar Llama.

O primeiro registo de estúdio da banda, lançado em 2006, foi apenas o culminar de uma série de anos a pisar palcos e a vencer concursos, primeiro na Grande Lisboa, depois um pouco por todo o país.

Já nem me lembro de como descobri os Dollar Llama. Lembro-me de ouvir alguns temas on-line, sempre que o velhinho computador da altura o permitia. A versão ainda por polir de Head to the Bone, tocava vezes sem fim.

Para mim, os Dollar Llama eram e são ainda a banda grunge em Portugal. Tiago Simões tem uma indiscutível voz grunge, mais ao estilo Vedder que Cobain ou Stealy. A sonoridade da banda faz juz às influências que orgulhosamente receberam de grupos como os Pearl Jam, Nirvana ou Alice In Chains.

Foi por isto que, num dia qualquer de Abril de 2006, lá fui eu até à estação de metro de Arroios (ou terá sido do Areeiro?) encontrar-me com o Tiago Silva, guitarrista, para ir buscar o meu exemplar de Revolution FM. E como foi bom poder dar 5 euros em mãos - as mãos de um membro da banda - por aqueles 4 excelentes temas.

Na era do MP3, das grandes editoras, das polémicas dos downloads legais e ilegais... São momentos como estes que, para mim, ainda fazem o prazer de produzir e ouvir música em Portugal.

Head to the Bone, Dollar Llama, para ouvir e descobrir mais aqui.


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"Sometimes I feel insane, that's ok,
it's just a game that they are playing with my mind."