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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

The Vaselines - Son Of A Gun (1987)

Sei que não fui a única a conhecer os Vaselines através dos Nirvana e de covers de canções como este Son Of A Gun. Até hoje - o dia em que me chegou às mãos a deluxe edition de Enter The Vaselines, o duplo álbum com toda a discografia remasterizada e alguns bónus da banda de Eugene Kelly e Frances McKee - ainda não consegui entender como é que os Vaselines passaram despercebidos e constam tão ao de leve na história da música indie.

Não fosse Kurt Cobain, fã confesso da dupla escocesa, talvez os Vaselines não tivessem chegado a tanta gente. (A propósito, quantas bandas fizeram questão de revisitar bandas improváveis e pouco conhecidas e até de levá-las a subir ao palco?)

E o que é que os Vaselines têm? Para além de duas vozes transbordantes de carisma por, precisamente, estarem-se completamente nas tintas para o carisma; para além da irónica ingenuidade com que falam de sexo; para além das buzinas em Molly's Lips; da frontalidade absolutamente desarmante de Rory Rides Me Raw; da pronúncia fazer transformar "ugly" em "uguly"; das guitarras ora garage ora mais country; do ritmo frenético e viciante de Dum Dum; da sonoridade crua vinda directamente da garagem; para além disto, os Vaselines têm tudo. É aquela coisa a que alguns chamam honestidade. Ou verdade.

Foi certamente por isso que Cobain disse um dia que Kelly e McKee eram os melhores compositores de sempre.

The Vaselines, Son of a Gun.

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"The sun shines in the bedroom when you play,

And the raining always starts when you go away."

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Pearl Jam - 4/20/02 (2003)

Abril é o mês do luto para o grunge.

Em 1994, a 5 deste mês fatídico, Kurt Cobain era encontrado morto na sua casa em Seattle. Muita tinta correu, suicídio ou homicídio, não havia consenso. A nota de despedida encontrada ao lado do carismático líder dos Nirvana levou a melhor, e a versão suicídio foi oficializada.

O homem morreu, a obra ficou e o mito nasceu naquela dia.

7 anos depois, a 20 de Abril, o corpo de Layne Staley era encontrado já em avançado estado de decomposição. Não houve bilhetes nem armas, a causa da morte era clara como água: uma dose letal de heroína combinada com cocaína. Ironias, coincidências, acasos, as perícias mostraram que o vocalista dos Alice in Chains morreu por volta do dia 5 de Abril, tal como Cobain.

Já aqui falei de Lost Dogs, o disco de raridades e lados B, que é uma pérola na discografia dos Pearl Jam. O álbum de 2003 incluía 4/20/02, a faixa escondida no disco 2. Quem deixar correr Bee Girl vai encontrar, algures aos 6 minutos, a canção que Eddie Vedder gravou no dia em que soube da morte do amigo Staley.

É um tema arrepiante, não só por ser uma homenagem póstuma, mas sobretudo pela forma como é interpretado. É Vedder, sozinho com a sua dor e raiva, à guitarra. Às cordas imprime um tom às vezes triste, às vezes enraivecido. As palavras são duras. Eddie Vedder faz acusações, recrimina o uso prolongado de drogas, fala directamente a Layne Staley, livra-o de culpas (afinal poderia ser qualquer um de nós), sente-se ofendido.

É de uma brutalidade desmedida ouvir 4/20/02. Arrepia e não é pouco, a quem é fã do grunge e a quem não é. Durante algum tempo - confesso - não consegui pôr a faixa escondida de Lost Dogs a tocar.

4/20/02, os Pearl Jam em homenagem a Layne Staley.

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"lonesome friend, we all knew
always hoped you'd pull through
no blame, no blame
no blame, it could be you
using, you can't grow old using"