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terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Feromona - Bisturi (2008)

Estou a gostar disto.

Uma Vida A Direito é o álbum de estreia dos lisboetas Feromona, um trio que já anda por esses palcos fora desde 2002.

Fiz o download - legal, gratuito e completo - desta primeira aventura de estúdio e a coisa agrada-me. Principalmente pela mistura de influências que, embora se concentrem todas algures na década de 90, dão às canções um travo ao mesmo tempo novo e familiar. Feromona às vezes é um power-trio puramente rock 'n' roll a beber nos 90's, outras vezes é mais grunge, nalguns arranjos e letras que não me espantaria ver traduzidos nos cadernos de Cobain, às vezes cai mais para as sonoridades indie. Para além de cantarem sempre em português, há outra coisa que dá a Uma Vida A Direito uma identidade - diria... - lusa. Estão lá os Ornatos Violeta em grande plano a dar o mote, e todas as outras bandas nacionais que marcaram o rock dos últimos anos de 80 e toda a década de 90.

Gostei bastante do toque mais funky com que começam Psicologia, um dos temas escolhidos para single e que já está a rodar nas rádios. As letras são deliciosas por duas razões, só aparentemente contraditórias: são histórias simples de raparigas, sexo e discussões mas não lhes faltam os sentimentos, sem serem lamechas.

A verdade é esta: os Feromona falam do que lhes apetece e fazem-no com competência.

E há outra coisa muito rara: letra e música sobrevivem, nenhuma se sobrepõe à outra. Há o mesmo cuidado nas duas componentes da canção e isso é muito bom de ouvir.

Escolhi este Bisturí, de um álbum que - não consigo bem explicar porquê - já fazia falta ouvir, sem ser propriamente um diamante luminoso. Talvez das canções mais "abstractas", mas a que me marcou mais.

Uma coisa é mais que certa. O download vale a pena e recomenda-se. E, façam favor, contribuam com aquilo que quiserem e puderem, mas não deixem de contribuir.

Bisturí, os Feromona.

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"Um bisturi
pedaço
de algodão doce
um bisturi
que eu seguro como se ele fosse
só p'ra ti
p'ra que mordas sem que eu sinta remorsos"

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Rednex - Cotton-Eye Joe (1994)

Eu e o Tiago temos um casal amigo com quem sair é uma experiência alucinante.

Ontem lá fomos, rumo ao restaurante japonês. Entrámos todos no carro e é aí que tudo começa. Entrar naquele Alfa Romeo é como entrar numa máquina do tempo que nos teletransporta de imediato para uma década mais ou menos longínqua. Geralmente lá vamos nós a caminho dos anos 80, via Whitesnake ou Extreme. Somos todos uns grandes fãs da cultura dos 80's. Música, filmes... tudo. Mas ontem a viagem (musical) foi mais longa e fomos atrás no tempo até aos anos 50, com direito a interpretações efusivas e tudo. Em menos de nada passámos em revista 4 décadas. 60's, os 70's dos Bee Gees e as suas dentaduras impecavelmente brancas, a inevitável década de 80 e... pela primeira vez desde que nos conhecemos, chegámos aos anos 90. Mas não aos anos 90 do grunge, mas à década da pop-carrinho-de-choque.

Nos anos em que Kurt Cobain e companhia andavam a revolucionar, a partir de Seattle, a história do rock mundial, uma verdadeira explosão de música pop altamente viciante e dançável acontecia. Saturday Night, de Whigfield; Cotton Eye Joe, dos Rednex; All That She Wants, dos Ace Of Base; The Rythm Of The Night, de Corona; What is Love, dos Haddaway; Scatman, do Scatman John, mais tarde o Blue, dos Eiffel 65 e tantos tantos outros... enchiam as compilações Dance Power e afins.

Todos nós que íamos naquele carro ontem, aos pulinhos, a imitar as coreografias dos 90's, a acertar em quase todas as letras, a fazer os sons de feira característicos, todos nós crescemos a ouvir isto.

De um acervo de centenas de hits dos anos 90, escolhi este Cotton-Eye Joe, na versão da banda sueca de techno-country (!) Rednex.

É que os guilty pleasures devem soltar-se de vez em quando. Tenho que confessar que soube bem, mas que já voltei ao normal durante o dia de hoje (o meu emprego afinal, ainda não está em risco...).

Para consumir com moderação, Cotton-Eye Joe, Rednex.

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"If I hadn't been for Cotton-Eye Joe
I'd been married long time ago.
Where did you come from,
Where did you go,
Where did you come from, Cotton-Eye Joe?"

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à Diana, ao Milton, ao Oliveira e ao meu amor...
Para onde vai ser a viagem da próxima vez? ;)

terça-feira, 11 de março de 2008

Nirvana - Sliver (1992)

este estaminé prolongou o fim-de-semana e ontem por estes lados não houve música.
Voltamos hoje, porque uma música por dia, nem sabe o bem que lhe fazia!
Live! Tonight! Sold Out! é um documento fundamental na estante de qualquer fã dos Nirvana ou de quem quer perceber os anos 90.

Pensado e maioritariamente editado por Kurt Cobain, este documentário que reúne vários vídeos caseiros das actuações e entrevistas dos Nirvana foi lançado originalmente em VHS em 1994, já depois da sua morte. A cassete tornou-se uma lenda e em 2006, para consolo de fãs como eu, é lançada a versão em DVD.

Está lá tudo. A mítica aparição da banda no programa Top Of The Pops, onde era suposto interpretarem Smells Like Teen Spirit numa espécie de quase-playback: os Nirvana deveriam fingir estar a tocar ao vivo e Kurt Cobain deveria cantar por cima da gravação insrumental.Mas estamos a falar dos Nirvana. E como não poderia deixar de ser, as intenções da produção do programa foram completamente desmanteladas: ninguém fingiu tocar, e Cobain cantou o grande hit num registo muito lento, quase gregoriano.

Também lá está Kurt Cobain a entrar em palco de cadeira de rodas e bata branca. E lá está a cena em que um tipo espanca Cobain durante um stage diving, em Love Buzz. E estão lá as entrevistas, as aparições televisivas e os vídeos caseiros.
E o melhor de tudo, é que cada faixa é um conjunto de fragmentos, de vários concertos, de diferentes entrevistas. Tudo depois composto por um excelente trabalho de edição.

Imprescindível.

De Seattle para o mundo, os Nirvana marcaram toda a década de 90.

Em 1996, já Cobain tinha sido encontrado morto, e na escola onde eu entrava pela primeira vez, ainda os rapazes mais velhos vestiam camisas de flanela e deixavam o cabelo crescer ao estilo grunge. Ouviam Nirvana e drogavam-se ao fundo do recinto, onde estava um inútil campo de futebol e mais tarde, um pavilhão desportivo.

Depois tudo isso passou. A escola esforçou-se por erradicar aquele pessoal todo.

O grunge já não estava na moda quando apresentei Sliver numa aula de Inglês. Tinha de melhorar a nota com uma prova oral e a música - sempre ela - foi o tema escolhido. Levei a minha bandeira dos Nirvana, fotos e até a suposta carta de suicídio de Cobain. E levei Sliver, de Incesticide (1992).

Quando a linha de baixo começa, ainda está tudo tranquilo naquela sala. O desconforto surge quando guitarra e bateria se misturam com gritos e as palavras adquirem outros significados. Houve quem quisesse sair da sala.

Mas Sliver é, no fundo, uma canção inocente. Sobre uma criança e as suas birras. Sobre querer ir para casa e estar sozinho.

Os tempos já tinham mudado.

Sliver, Nirvana.

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"Mom and Dad went to a show,
dropped me off at Grandpa Joe's,
I kicked and screamed,
said 'please don't go'"


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Quis o acaso

que este domingo à noite eu visse o Festival da Canção, na RTP1. É tão pouca a televisão que vejo que nem sabia o porquê da mudança de programação. Mas uma voz conhecida fez-me parar ali. Era a Joana Melo, que agora integra o excelente projecto Lisboa Não Sejas Francesa, com alguns músicos dos Donna Maria.
Porto de Encontro era, de longe, o melhor tema da noite. O projecto que lhe deu vida é dos mais empolgantes no panorâma nacional, com músicos de grande qualidade. Conjugam o tradicional com novas sonoridades e não se limitam a exaltar os temas típicos da música portuguesa, como o faz a vencedora, Vânia Fernandes, em Senhora do Mar.

Vânia tem seguramente uma boa voz, mas isso não deveria, por si só, chegar.

Lisboa Não Sejas Francesa não chegou sequer aos três primeiros lugares.

Não estarão na Sérvia, mas aqui e ali, uma alternativa nas noites lisboetas.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Entre Aspas - Perfume (1995)

Perfume é uma bela metáfora. É sensual, é poética, sem deixar de ser profundamente rock. O típico rock português dos anos 90. Ouvi-a esta manhã e ficou.

Os Entre Aspas de Lollipop (1995) já não estão no activo, mas a voz de Viviane continua por aí, agora num registo mais pop.

Vale mesmo a pena ouvir Viviane (2007), o segundo disco a solo da líder dos extintos Entre Aspas. Nele Viviane visita o fado, a canção francesa, o tango, a Argentina, à procura de novas e interessantes sonoridades.

O rock dos 90's aqui não tem lugar. Fica apenas a forma peculiar de cantar e o sotaque algarvio que não deixa de imprimir às palavras.

Hoje, uma dupla proposta.

Perfume, Viviane com os Entre Aspas, para uma viagem até aos anos 90;

e

Serenata à Chuva, Viviane, a solo, para quem quer ir até outras paragens.


Para descobrir as diferenças.


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"Queria agarrá-lo, metê-lo no meu frasco, fechá-lo bem p'ra não fugir..."