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segunda-feira, 6 de abril de 2009

Iron Maiden - Heaven Can Wait (1986)

This is a song about sudden death.

Acabei de passar pelo Ípsilon on-line. Ao que parece Prince já tem os três álbuns deste ano prontos e disponíveis no site lotusflow3r.com. Mas para ouvir as novas canções, é necessário desvendar uma charada logo à entrada. Sempre a surpreender, este Prince.

Também por lá encontrei a notícia sobre a exibição em sessão única e "infernal" de Iron Maiden: Flight 666, o documentário que acompanhou os grandes senhores do heavy-metal britânico na tournée do ano passado. Os bilhetes - que custam uns irónicos 6 euros e 66 cêntimos! - já estão à venda. Vou ter de garantir o meu, dê por onde der. E é já dia 21.

Tenho muita música nova para ouvir, talvez as mini-férias da Páscoa dêem para isso. Por agora, recordo Heaven Can Wait, de um ano de grandes colheitas (!), a canção que, apesar de não ter sido single, é o cartão de visita para Somewhere in Time, o 6º (!) álbum de originais dos Iron Maiden.

Se for possível manter a consciência na altura exacta em que o coração deixa de bater, não tenho a menor dúvida que o sentimento é este que Steve Harris descreveu.

Heaven Can Wait, Iron Maiden.

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"Can't understand what is happening to me,
This isn't real, this is only a dream,
But I never have felt, no, I never have felt this way before,
I'm looking down on my body below,
I lie asleep in the midst of a dream,
Is it now could it be that the angel of death has come for me?
I can't believe that really my time has come,
I don't feel ready, there's so much left undone,
And it's my soul and I'm not gonna let it get away.

Heaven can wait,
Heaven can wait,
Heaven can wait,
Heaven can wait till another day."

quinta-feira, 5 de março de 2009

Rita Lee - Baila Comigo (1980)

Rita Lee é aquele bicho estranho. Há quem lhe chame Vovó Rock, e na verdade, a cantora e compositora brasileira lançou-se no final dos anos 60 e passou as décadas de 70, 80, 90 até aos dias de hoje, sempre a compor, sempre polémica, sempre sem papas na língua.

Ouvi hoje, quase por acaso, este Baila Comigo, um tema delicioso, daqueles que apetece cantar quando a Primavera se demora, e é urgente pensar em algo mais que ventanias, vendavais, aguaceiros e as milhentas coisas que temos para fazer.

Baila Comigo, Rita Lee.

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"Se Deus quiser,
Um dia eu quero ser índio
Viver pelado pintado de verde
Num eterno domingo

Ser um bicho-preguiça,
Espantar turista
E tomar banho de sol, banho de sol,
Banho de sol, sol

Se Deus quiser,
Um dia acabo voando
Tão banal assim como um pardal
Meio de contrabando

Desviar do estilingue
Deixar que me xinguem
E tomar banho de sol, banho de sol,
Banho de sol, banho de sol
Baila comigo, como se baila na tribo

Baila comigo, lá no meu esconderijo

Se Deus quiser,
Um dia eu viro semente
E quando a chuva molhar o jardim
Ah, eu fico contente
E na primavera vou brotar na terra
E tomar banho de sol, banho de sol,
Banho de sol, sol

Se Deus quiser,
Um dia eu morro bem velha
Na hora H quando a bomba estourar
Quero ver da janela
E entrar no pacote de de camarote
E tomar banho de sol, banho de sol,
Banho de sol, banho de sol

Baila comigo, como se baila na tribo
Baila comigo, lá no meu esconderijo"

terça-feira, 3 de março de 2009

Jack White & Alicia Keys - Another Way To Die (2008)

Não sou fã da saga James Bond, como todos lá em casa. Não vi, nem tenciono ver num futuro próximo, Quantum Of Solace. Alicia Keys não é uma artista da minha eleição. Gosto do trabalho de Jack White, nos White Stripes, mas nada que me tire o sono. Então porque é que Another Way To Die me soa tão bem?

Não sei.

Tenho algumas suspeitas. Desde logo, é interessante ver um rocker e uma artista r&b como estes dois em dueto, o 1º de todas as bandas-sonoras de filmes do 007. Depois, parece-me que este é o tema que conjuga melhor o glamour associado ao universo Bond com uma certa tensão irreverente, dada sobretudo pelos dedos (na guitarra e na produção) de Jack White.

Fascina-me, sobretudo, que o lado mais "clássico" do tema seja quebrado pela guitarra de White, que funciona como um quase improviso, como um pisar fora do risco. O registo dos dois também é delicioso. É pop, é soul, é rock também.

Não sendo brilhante, é uma ousadia bem interessante de ouvir.

Jack White e Alicia Keys, Another Way To Die.

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"A door left open, a woman walking by
A drop in the water, a look in the eye
A phone on the table, a man on your side
Or someone that you think that you can trust
It's just another way to die"

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Sitiados - A Noite (1988)


Fundador dos Sitiados, membro dos Megafone e d' A Naifa, João Aguardela vai ficar para sempre como um dos mais criativos músicos e compositores portugueses.


A Noite, tema celebrizado pelos Resistência uns anos mais tarde, é a minha sugestão para hoje. Para lembrar, juntamente com Esta Vida de Marinheiro, Vamos ao Circo? e tantas outras canções que deram novos sentidos à música popular portuguesa.


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"Ela sorriu
E ele foi atrás
Ela despiu-o
Ela o satisfaz

Passa-se a noite
Passa-se o tempo devagar
Já é dia
Já é tempo de voltar

Aqui ao luar
Ao pé do mar
Só o sonho ficar
Só ele pode ficar

Aqui ao luar
Ao pé de ti, ao pé do mar
Só o sonho fica
Só ele pode ficar."

sábado, 3 de janeiro de 2009

Prince - Kiss (1986)

A notícia está por todo o lado. Prince vai voltar em 2009 não com um, nem com dois, mas com três novos álbuns de originais. E o melhor de tudo? A distribuição vai ser feita mais uma vez por conta própria, sem editora.

Os desentendimentos dos últimos anos com editoras culminaram em 2007 com a distribuição de Planet Earth com um jornal inglês, uma verdadeira chapada de luva branca nas caras das grandes labels internacionais. Já em 2008 (a tentação de escrever este ano ainda é grande...), bandas como os AC/DC (a propósito, em breve farei aqui a minha crítica a Black Ice) seguiram-lhe as pisadas, e fizeram a distribuição sem editora, juntos dos grandes retalhistas.

(Agora sim) Este ano Prince repete a façanha e edita três álbuns, com sonoridades diferentes: MPLSOUND, mais electro e pop experimental, Lotus Flower, um tributo à guitarra eléctrica e Elixir, em parceria com a cantora sua protegida, Bria Valente, em que Prince vai estar à guitarra.
Para além de ser sempre positivo ver notícias destas em que aos poucos os grandes nomes da música mundial se vão libertanto dos grilhões das grandes distribuidoras, o regresso de Prince marca o regresso de uma pop/funk perdida nos idos gloriosos dos anos 80. Cá para mim, isto promete.

Antes de vos deixar com este Kiss, de Parade, o oitavo álbum de uma imensa discografia, quero apenas dizer mais isto: é claro que o trabalho das editoras e distribuidoras é importante para o mundo da música, não digo o contrário. Mesmo com as facilidades que esta nova era da comunicação nos apresenta, os novos músicos não conseguem fazer valer o seu trabalho por conta própria e conseguir viver exclusivamente disso. Por esta razão, as estruturas de distribuição e edição são importantes numa primeira fase. Quando a banda ou artista em causa tem um nome e um currículo tão sólidos como Prince ou os AC/DC, porquê continuar a alimentar a luxúria grandes máquinas da indústria musical?

Parece-me que a solução não é o fim das editoras, mas um diálogo muito mais aberto sobre os direitos dos artistas e das empresas associadas. Talvez pequenas editoras, quase familiares, consigam resistir mais facilmente a todos estes constrangimentos que as grandes labels.

Para já, e para abrir o apetite ao que se segue, uma viagem até aos psicadélicos anos 80, com Prince e Kiss.

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"You don't have to be rich to be my girl,
You don't have to be cool to rule my world
Ain't no particular sign I'm more compatible with
I just want your extra time and your kiss"

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Rednex - Cotton-Eye Joe (1994)

Eu e o Tiago temos um casal amigo com quem sair é uma experiência alucinante.

Ontem lá fomos, rumo ao restaurante japonês. Entrámos todos no carro e é aí que tudo começa. Entrar naquele Alfa Romeo é como entrar numa máquina do tempo que nos teletransporta de imediato para uma década mais ou menos longínqua. Geralmente lá vamos nós a caminho dos anos 80, via Whitesnake ou Extreme. Somos todos uns grandes fãs da cultura dos 80's. Música, filmes... tudo. Mas ontem a viagem (musical) foi mais longa e fomos atrás no tempo até aos anos 50, com direito a interpretações efusivas e tudo. Em menos de nada passámos em revista 4 décadas. 60's, os 70's dos Bee Gees e as suas dentaduras impecavelmente brancas, a inevitável década de 80 e... pela primeira vez desde que nos conhecemos, chegámos aos anos 90. Mas não aos anos 90 do grunge, mas à década da pop-carrinho-de-choque.

Nos anos em que Kurt Cobain e companhia andavam a revolucionar, a partir de Seattle, a história do rock mundial, uma verdadeira explosão de música pop altamente viciante e dançável acontecia. Saturday Night, de Whigfield; Cotton Eye Joe, dos Rednex; All That She Wants, dos Ace Of Base; The Rythm Of The Night, de Corona; What is Love, dos Haddaway; Scatman, do Scatman John, mais tarde o Blue, dos Eiffel 65 e tantos tantos outros... enchiam as compilações Dance Power e afins.

Todos nós que íamos naquele carro ontem, aos pulinhos, a imitar as coreografias dos 90's, a acertar em quase todas as letras, a fazer os sons de feira característicos, todos nós crescemos a ouvir isto.

De um acervo de centenas de hits dos anos 90, escolhi este Cotton-Eye Joe, na versão da banda sueca de techno-country (!) Rednex.

É que os guilty pleasures devem soltar-se de vez em quando. Tenho que confessar que soube bem, mas que já voltei ao normal durante o dia de hoje (o meu emprego afinal, ainda não está em risco...).

Para consumir com moderação, Cotton-Eye Joe, Rednex.

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"If I hadn't been for Cotton-Eye Joe
I'd been married long time ago.
Where did you come from,
Where did you go,
Where did you come from, Cotton-Eye Joe?"

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à Diana, ao Milton, ao Oliveira e ao meu amor...
Para onde vai ser a viagem da próxima vez? ;)

sexta-feira, 11 de julho de 2008

JP Simões - 1970 (Retrato) (2007)

Não se tem falado noutra coisa, e com razão.
Finalmente a televisão portuguesa em sinal aberto vai ter um programa de divulgação musical.
Chama-se KM0, é uma produção da BUS para a RTP2, e vai ser apresentado pelo músico JP Simões.

Ingredientes de luxo que deixam adivinhar uma produção de qualidade. Durante vários meses, JP e a equipa de produção percorreram o país à procura de bandas de garagem e talentos escondidos. O ponto de partida foi a plataforma MySpace, espaço que permite às pequenas e grandes bandas divulgar o seu trabalho.

Para celebrar, hoje proponho 1970 (Retrato) primeiro single para o primeiro álbum a solo de JP Simões. Se eu já admirava o trabalho deste músico, de projectos como Pop Dell'Arte, Belle Chase Hotel ou o mais jazzy Quinteto Tati, este trabalho a solo veio consolidar aquilo que eu já suspeitava: JP Simões é um nome a reter.

Dos anos que passou no Brasil, trouxe influências notáveis da bossa nova para a sua música. 1970 (Retrato) tem muito dessas influências no ritmo, na composição, na letra.

Um tema sobre uma geração que é a sua, mas que o músico já não reconhece. Uma geração que se calou, casou, mudou, desapareceu, morreu. Acabou.

Um excelente exercício de lirismo. 1970 (Retrato), por JP Simões.

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"A minha geração é toda a minha solidão, é flor de ausência, sonho vão.
aparição, presságio, fogo de artifício, toda vício, toda boca
e pouca coisa na mão."

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para apontar na agenda....

KM0 estreia dia 26 deste mês, às 19:30h, na 2.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Madonna - 4 Minutes (2008)

Senhoras e senhores, curei-me de um otoverme, contraí outro.

Trata-se de 4 Minutes, o single de apresentação para Hard Candy, de Madonna. Não sou grande fã desta senhora, embora Madonna seja talvez a artista pop mais bem sucedida de sempre. E com mérito. À custa da sua faceta quase camaleónica, tem somado sucessos atrás de sucessos, desde os idos de 80. Muda de estilo como quem muda de toilet. Já a vimos nos mais variados registos, mais pop, mais rock, mais instrospectiva, mais sensual, mais dance.

Ainda não ouvi o álbum todo, nem está na minha lista das prioridades musicais, mas parece-me que agora, com a ajuda de Timbaland, Madonna assumiu a sua faceta mais hip-hop.
Para além do produtor mais badalado do momento, este 4 Minutes conta ainda com a participação de Justin Timberlake. E acho que é a conjugação deste trio que torna o single um otoverme dos mais resistentes que pululam por estes dias as rádios.

Há aquele ritmo típico de Timbaland, e o diálogo entre Madonna e Timberlake a entranhar-se no ouvido. O que, mais uma vez, nem é bom nem é mau. É assim-assim.

Devo dizer que, para mim, esta é a face menos interessante de Madonna. Mas isso é a minha opinião de não-fã.

Os fãs, esses, devem estar radiantes. A Sticky & Sweet Tour vai incluir Portugal. Os bilhetes começam a ser vendidos amanhã.

4 Minutes, Madonna com Justin Timberlake.

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"If you want it
You already got it,
If you thought it
It better be what you want"

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Coldplay - Violet Hill (2008)

Ontem, por volta do meio dia, Violet Hill chegou às rádios e à internet para download legal e gratuito. O single de avanço para o novo álbum dos Coldplay, Viva La Vida or Death and All His Friends, estará disponível durante seis dias, sem custos, no site da banda britânica.

Não consegui assistir à "estreia" com hora marcada, mas esta manhã sintonizei a rádio e lá estava Violet Hill. Por entre uma garrafa de iogurte, um par de brincos e outro de meias, lá ouvi o novo single. E não sei se foi das tarefas matinais, ou do recente despertar, mas a canção soou-me a cover. São primeiras impressões, bem sei. Mas a melodia parece-me conhecida, nada de novo. Gostei das guitarras, um pouco mais agressivas que nos anteriores registos. Depois temos uma letra a explorar. Há neve, frio de Dezembro... a merecer uma maior atenção.

Eu já fiz o meu download e prometo mais desenvolvimentos para breve.

Enquanto o disco não chega, faça também o seu.

Violet Hill, os Coldplay.

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"I don't want to be a soldier
With the captain of some sinking ship
With snow, far below"

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Adele - Chasing Pavements (2008)

Já aqui falei da ascenção das novas vozes soul que enchem o panorama musical internacional (mais britânico) desde o ano passado. Amy Winehouse, a grande revelação soul, seguida à sua distância por Duffy e também por Adele.

Winehouse é de longe a que tem mais espírito soul. Acompanham-na também excelentes músicos e produtores e as temáticas das canções, autobiográficas e maioritariamente "trágicas", fazem o resto do excelente trabalho.

Duffy parece saída da canção dos 50's / 60's. Voz nasalada, soul, temáticas mais voltadas para o amor, para as relações.

E depois temos Adele, 19 anos, grande voz soul, mas mais virada para as sonoridades pop. Muito jovem ainda, a britânica lança agora 19, o segundo trabalho, com composições insipiradas na vivência com o ex-namorado.

O primeiro avanço é este Chasing Pavements, que vos proponho hoje. Não tem a força de um Rehab nem de Mercy, mas é apesar de tudo uma boa canção de rádio.

Chasing Pavements, Adele.

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"Should I give up
Or should I just keep chasing pavements
Even if it leads nowhere?"

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Clã - Competência Para Amar (2004)

Que os Clã são nomes seguros do pop-rock nacional já sabíamos. Que a banda de Manuela Azevedo conseguiria dar à luz um disco tão peculiar como Rosa Carne (2004), dificilmente desconfiaríamos.

Devo explicar: os Clã sempre nos habituaram a boas canções e bons discos. Dançar na Corda Bamba, mais rockeira, H2Homem, com uma componente visual muito forte, Problema de Expressão e Sopro do Coração a revelar toda a sensualidade da voz de Azevedo. Mas Rosa Carne surpreende, não pela qualidade - essa já estava bem associada ao nome Clã -, mas pela coerência, maturidade e - porque não dizê-lo? - inspiração. No álbum de 2004, as canções sucedem-se com elegância feminina, espreitam para os quartos dos casais através de cortinas semi-transparentes. É o universo da mulher, em tons rosa-carne, as suas vivências, a sua sensualidade/sexualidade/erotismo, o amor também.

Numa altura em que Cintura (2007) já deu vários singles às estações de rádio, recuo àquele que foi considerado por muitos o melhor álbum dos Clã. Não que Cintura seja inferior, não o é seguramente, mas é menos uma surpresa. Tira a Teima é um bom single sem surpreender, Sexto Andar já recupera algum intimismo ao antecessor.

Competência Para Amar, tema de apresentação para Rosa Carne, é elegância em forma de canção. Estão lá as palavras de Carlos Tê, o eterno letrista, a voz arrastada de Manuela Azevedo e todo um ambiente musical envolto em fumos e transparências. E até excertos de canções de Amália. Delicioso.

Os Clã, Competência Para Amar.

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"Essa pose cansada,
tão despida de emoção,
de quem já viu tudo
e tudo é uma imensa repetição"

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Rita Redshoes - Choose Love (2008)

Ontem não houve música por estes lados, mas há hoje. Porque uma música por dia, nem sabe o bem que lhe fazia!


Com um sorriso nervoso, quase inocente, entra em palco. Ajeita o cabelo (está muito calor e a sala é pequena), o vestidinho preto de lã e pega na guitarra. Parece uma estreante nestas coisas da música, mas não é.

Aos 14 anos já dava voz aos Atomic Bees, banda-cometa que não sobreviveu ao álbum de estreia. Aprendeu piano, guitarra, baixo. Habituámo-nos a vê-la enquanto pianista na banda que acompanha David Fonseca. Com ele gravou um dueto para Our Hearts Will Beat As One, e aquela voz feminina de Hold Still soube a pouco. Chegamos a 2008 e Rita Reshoes sai detrás do piano e assume o microfone, em nome próprio.

Golden Era, o álbum de estreia a solo, é pop fresquinha, fresquinha. Tem alguns travos de jazz também. As 12 canções originais são pequenas histórias, fragmentos de coisas, de pensamentos, ela própria o diz. Contra todas as intenções, a temática do disco gira muito em torno do amor.

Ao vivo as faixas adquirem uma expressividade ainda maior. Para além daquela forma peculiar de articular as palavras, deliciosa, Rita acompanha as canções com gestos e entoações, dando uma componente teatral muito engraçada ao espectáculo.

No showcase de ontem (Fnac Chiado), Rita Redshoes começa à guitarra. Vira-se depois para o teclado que toca em pé, às vezes só com uma mão. Vai desfiando temas, dos mais populares Dream On Girl e Hey Tom a este Choose Love.

É música optimista, para sonhar, para ver o lado bom da vida. Às vezes soa a David Fonseca. Mas só às vezes. Podem partilhar a mesma escola musical, mas o ex-Silence 4 não conseguiria fazer canções tão leves e desprendidas.

Mais do que recomendável, este Golden Era é um rebuçado para os ouvidos. Os sapatos de Let's Dance são vermelhos, mas os de Rita Redshoes bem podiam ter todas as cores do arco-íris.

E porque na vida há caminhos, há escolhas a fazer, Choose Love, diz Rita Redshoes. Always love, acrescento eu.

Bom fim de semana.

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"Choose love, choose love
Choose love, choose love"

terça-feira, 25 de março de 2008

Moby - The Sky is Broken (1999)

Numa altura em que Moby se prepara para lançar Last Night, o seu novo trabalho de estúdio, regresso a Play, álbum que não tendo sido o primeiro, pôs o músico definitivamente no mapa da pop electrónica.

Play foi bem recebido pela crítica, apesar de a utilizaçao de samples de velhas músicas blues ter sido polémica. A Rolling Stone chegou mesmo a considerá-lo um dos 500 melhores álbuns de todos os tempos. Nenhum outro trabalho de Moby teria tanto impacto.

E o mais curioso é que todas as canções do álbum de 1999 foram compostas e tocadas por Moby. Até a remistura das faixas ficou a seu cargo, com excepção para Honey e Natural Blues.

Robert Melville Hall, de seu nome, é um artista completo. Para além da música, de texturas ambiente e electrónica cruzadas por vezes com o house e os blues, Moby faz também fotografia e desenhos que serviram depois para a produção dos seus videoclips.

Play é mais que um disco de pop electrónica.Moby não se preocupou apenas em criar ambientes sonoros. Também fez poesia. Porcelain, um dos singles, tem dos melhores versos de abertura que uma canção pode ter.

E depois há The Sky Is Broken, a minha proposta para hoje. Poesia declamada envolta em electrónica.


The Sky Is Broken, Moby.


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"I watch it lift up to the sky,
I watch it crush me,
And then I die."

quinta-feira, 6 de março de 2008

Balla - A Meu Favor (2003)

Na capa de Le Jeu (2003), Armando Teixeira aparece no seu melhor estilo retro: as rosas vermelhas, o cabelo, os óculos de massa e até a forma como segura o cigarro.

Em palco, é uma personagem discreta. Tanto podia ser o mentor de alguns dos projectos mais interessantes da música portuguesa como podia ser um qualquer empregado de escritório.

Quando vi os Balla ao vivo, algures em 2004, Armando Teixeira nem sequer ocupava o lugar de maior destaque no palco. E é nessa discrição que reside todo o carisma e charme de um dos mais interessantes compositores, produtores e músicos portugueses.

Armando Teixeira é sinónimo de Balla e de Bullet. E foi também parte dos Bizarra Locomotiva e dos Da Weasel.

Tão discreto, que foi preciso chegarmos ao terceiro registo dos Balla para que Armando Teixeira cantasse todos os temas de um disco seu. É desta fibra que são feitos os grandes artistas.

Numa altura em que se prepara o lançamento de Resumo 2000-2008, compilação de 13 dos mais emblemáticos temas dos Balla, com direito a 5 remisturas para download e um inédito, recuo até à pop de charme de Le Jeu.

A Meu Favor, que conta com a voz feminina de Lili (Legendary Tiger Man, Ballerina), - se não estou em erro são dela os deliciosos apontamentos vocais neste tema - vagueia por cabarets e ruas sinuosas. Faz paragens no erotismo da pop e da electrónica, e com a ajuda de um VJ, os espectáculos ao vivo são verdadeiras experiências de sedução.

O Fim da Luta, primeiro single para A Grande Mentira (2006), último registo de Armando Teixeira com os Balla, não me conquistou à primeira como A Meu Favor, mas aquilo que me surpreende desde o início na sonoridade da banda continua lá.

A Meu Favor, os Balla de Armando Teixeira. Delicioso.

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"A brisa que vem de ti está a meu favor - o tal favor...
O tal favor..."