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sexta-feira, 4 de abril de 2008

Rita Redshoes - Choose Love (2008)

Ontem não houve música por estes lados, mas há hoje. Porque uma música por dia, nem sabe o bem que lhe fazia!


Com um sorriso nervoso, quase inocente, entra em palco. Ajeita o cabelo (está muito calor e a sala é pequena), o vestidinho preto de lã e pega na guitarra. Parece uma estreante nestas coisas da música, mas não é.

Aos 14 anos já dava voz aos Atomic Bees, banda-cometa que não sobreviveu ao álbum de estreia. Aprendeu piano, guitarra, baixo. Habituámo-nos a vê-la enquanto pianista na banda que acompanha David Fonseca. Com ele gravou um dueto para Our Hearts Will Beat As One, e aquela voz feminina de Hold Still soube a pouco. Chegamos a 2008 e Rita Reshoes sai detrás do piano e assume o microfone, em nome próprio.

Golden Era, o álbum de estreia a solo, é pop fresquinha, fresquinha. Tem alguns travos de jazz também. As 12 canções originais são pequenas histórias, fragmentos de coisas, de pensamentos, ela própria o diz. Contra todas as intenções, a temática do disco gira muito em torno do amor.

Ao vivo as faixas adquirem uma expressividade ainda maior. Para além daquela forma peculiar de articular as palavras, deliciosa, Rita acompanha as canções com gestos e entoações, dando uma componente teatral muito engraçada ao espectáculo.

No showcase de ontem (Fnac Chiado), Rita Redshoes começa à guitarra. Vira-se depois para o teclado que toca em pé, às vezes só com uma mão. Vai desfiando temas, dos mais populares Dream On Girl e Hey Tom a este Choose Love.

É música optimista, para sonhar, para ver o lado bom da vida. Às vezes soa a David Fonseca. Mas só às vezes. Podem partilhar a mesma escola musical, mas o ex-Silence 4 não conseguiria fazer canções tão leves e desprendidas.

Mais do que recomendável, este Golden Era é um rebuçado para os ouvidos. Os sapatos de Let's Dance são vermelhos, mas os de Rita Redshoes bem podiam ter todas as cores do arco-íris.

E porque na vida há caminhos, há escolhas a fazer, Choose Love, diz Rita Redshoes. Always love, acrescento eu.

Bom fim de semana.

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"Choose love, choose love
Choose love, choose love"

terça-feira, 4 de março de 2008

David Fonseca - Kiss Me, oh, Kiss Me (2007)

Em 1998 os Silence 4 marcavam a minha geração. Silence Becomes It apresentou o quarteto de Leiria e tornou-se um dos discos mais vendidos nesse ano. A música acústica e a poesia, maioritariamente cantada em inglês, vinha de encontro às expectativas adolescentes. Havia Borrow, muito orelhudo; My Friends, mais poderoso; Angel Song, a balada. E havia o sussurro de Eu Não Sei Dizer. E havia Sérgio Godinho em Sextos Sentidos. Mas também havia o sabor a transgressão de Sex Freak, a faixa escondida.

A então banda de David Fonseca entrou para a banda sonora da minha vida e em Junho de 2000, não cabia em mim de excitação com o lançamento de Only Pain is Real. Grande disco, ainda hoje. Muito mais maduro que o disco de estreia, também muito mais denso. Ninguém crescia o suficiente em 2 anos para ouvir aquele disco sem estranheza adolescente. E que bem que sabia isso.

Vi os Silence 4 pela primeira vez ao vivo pouco mais de um mês depois do lançamento de Only Pain Is Real. E a estranheza do público na sua maioria (muito) jovem era evidente. Se Silence Becomes It tinha sido "consumido" como cerejas, Only Pain is Real era muito mais difícil de digerir. Eu delirei.

Depois veio a notícia: não haveria mais discos dos Silence 4. A banda tinha-se separado.

Cada um dos músicos seguiu a sua carreira a solo ou noutros projectos, mas foi David Fonseca quem mais deu que falar. Em 2003 regressa, em nome próprio, com Sing Me Something New.

O primeiro avanço, The 80's, surpreendeu-me. Ouvi-o na rádio ainda antes do lançamento do álbum. Aquilo soava mesmo aos anos 80. Mas não era uma cover, era um original. De David Fonseca.

O segundo single, Someone That Cannot Love, desiludiu-me. Ainda hoje acho a canção chata.
E The 80's não salvou o álbum. Não para mim.

Só em Outubro de 2005 me "reconciliei" com David Fonseca. Our Hearts Will Beat As One, o single, chegava às rádios, o disco com o mesmo nome às lojas. Na noite do lançamento lá fui eu à Fnac, verificar se Our Hearts Will Beat As One, o álbum, fazia justiça ao primeiro avanço.

E não é que fazia? Comprovei-o nos postos de escuta apinhados e depois no showcase.

Dreams in Colour, o último registo de David Fonseca, consolidou a "reconciliação".
O ex-Silence 4 está rodeado de bons músicos, tem um pé no passado e outro no futuro. O álbum de 2007 está recheado de boas canções e o DVD de edição limitada é uma boa surpresa.

Kiss Me, oh, Kiss Me, é um bom exemplo. De tudo. Temos o piano pelas mãos de Rita Redshoes, uma canção que tem tanto de clássico na melodia, como de discretamente inovador. É como uma lufada de ar fresco. Fresca não é a letra, sobre lutas perdidas, exaustão e expectativas goradas. Mas ainda assim fresca.

A versão presente no DVD é um espectáculo "virtual" de uma one man band: David Fonseca toca cada instrumento separadamente e depois a edição faz o resto.

Um efeito engraçado, para Kiss Me, oh, Kiss Me, David Fonseca.

E a história continua.

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"And the cracks in the pavement
Yeah, we've all fell there before"

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Não posso deixar passar a oportunidade

de chamar a atenção para o novo álbum da Rita Redshoes, prestes a chegar.
Ainda aqui vou falar dela e do novíssimo Golden Era.