Corro o sério risco de levar um raspanete de alguns amigos meus depois daquilo que já disse e vou dizer agora aqui. É que alguns deles são fiéis seguidores do David Fonseca e eu, confesso, já tive as minhas "desavenças" com o músico.
De maneira que, quando chega material novo do ex-Silence4, os fãs rejubilam, lançam foguetes, ficam ansiosos e eu... ponho o meu pé atrás não vá surgir dali um segundo Someone That Cannot Love.
Talvez por causa destas minhas reservas, não gostei imediatamente de A Cry For Love, quando a ouvi pela primeira vez na rádio. Aos poucos e poucos, aquilo que me parecia mais do mesmo, uma melodia simples, um registo vocal pouco interessante ou carismático, começou a revelar-se uma boa canção. Ainda não é brilhante, mas ainda assim é uma boa canção. E já começo a sentir vontade de descobrir o álbum, previsto para Outubro.
Às vezes dou comigo a pensar numa coisa curiosa: apesar da legião de fãs que David Fonseca já tem e de eu ser uma espécie de fã intermitente, parece-me que, ainda assim, ele é um pouco subestimado. Ok, os álbuns são sempre estrondosos sucessos, os lançamentos e concertos estão sempre à pinha, a relação com os fãs é inacreditável, mas... parece que falta ali qualquer coisa. A coisa pode ser o reconhecimento como artista e não apenas como talentoso fazedor de canções.
É que ele está muito para além disso. Para além das canções e das multidões.
Enquanto não há mais, A Cry For Love. David Fonseca.
________
"I jumped to the water, I swam to the shore
Turned up at your doorstep, I slept on your floor
I woke up in panic, I dreamt you were gone
You're gone, you're gone"
Mostrar mensagens com a etiqueta David Fonseca. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta David Fonseca. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
terça-feira, 4 de março de 2008
David Fonseca - Kiss Me, oh, Kiss Me (2007)
Em 1998 os Silence 4 marcavam a minha geração. Silence Becomes It apresentou o quarteto de Leiria e tornou-se um dos discos mais vendidos nesse ano. A música acústica e a poesia, maioritariamente cantada em inglês, vinha de encontro às expectativas adolescentes. Havia Borrow, muito orelhudo; My Friends, mais poderoso; Angel Song, a balada. E havia o sussurro de Eu Não Sei Dizer. E havia Sérgio Godinho em Sextos Sentidos. Mas também havia o sabor a transgressão de Sex Freak, a faixa escondida.
A então banda de David Fonseca entrou para a banda sonora da minha vida e em Junho de 2000, não cabia em mim de excitação com o lançamento de Only Pain is Real. Grande disco, ainda hoje. Muito mais maduro que o disco de estreia, também muito mais denso. Ninguém crescia o suficiente em 2 anos para ouvir aquele disco sem estranheza adolescente. E que bem que sabia isso.
Vi os Silence 4 pela primeira vez ao vivo pouco mais de um mês depois do lançamento de Only Pain Is Real. E a estranheza do público na sua maioria (muito) jovem era evidente. Se Silence Becomes It tinha sido "consumido" como cerejas, Only Pain is Real era muito mais difícil de digerir. Eu delirei.
Depois veio a notícia: não haveria mais discos dos Silence 4. A banda tinha-se separado.
Cada um dos músicos seguiu a sua carreira a solo ou noutros projectos, mas foi David Fonseca quem mais deu que falar. Em 2003 regressa, em nome próprio, com Sing Me Something New.
O primeiro avanço, The 80's, surpreendeu-me. Ouvi-o na rádio ainda antes do lançamento do álbum. Aquilo soava mesmo aos anos 80. Mas não era uma cover, era um original. De David Fonseca.
O segundo single, Someone That Cannot Love, desiludiu-me. Ainda hoje acho a canção chata.
E The 80's não salvou o álbum. Não para mim.
Só em Outubro de 2005 me "reconciliei" com David Fonseca. Our Hearts Will Beat As One, o single, chegava às rádios, o disco com o mesmo nome às lojas. Na noite do lançamento lá fui eu à Fnac, verificar se Our Hearts Will Beat As One, o álbum, fazia justiça ao primeiro avanço.
E não é que fazia? Comprovei-o nos postos de escuta apinhados e depois no showcase.
Dreams in Colour, o último registo de David Fonseca, consolidou a "reconciliação".
O ex-Silence 4 está rodeado de bons músicos, tem um pé no passado e outro no futuro. O álbum de 2007 está recheado de boas canções e o DVD de edição limitada é uma boa surpresa.
Kiss Me, oh, Kiss Me, é um bom exemplo. De tudo. Temos o piano pelas mãos de Rita Redshoes, uma canção que tem tanto de clássico na melodia, como de discretamente inovador. É como uma lufada de ar fresco. Fresca não é a letra, sobre lutas perdidas, exaustão e expectativas goradas. Mas ainda assim fresca.
A versão presente no DVD é um espectáculo "virtual" de uma one man band: David Fonseca toca cada instrumento separadamente e depois a edição faz o resto.
Um efeito engraçado, para Kiss Me, oh, Kiss Me, David Fonseca.
E a história continua.
________
"And the cracks in the pavement
Yeah, we've all fell there before"
_____
Não posso deixar passar a oportunidade
de chamar a atenção para o novo álbum da Rita Redshoes, prestes a chegar.
Ainda aqui vou falar dela e do novíssimo Golden Era.
A então banda de David Fonseca entrou para a banda sonora da minha vida e em Junho de 2000, não cabia em mim de excitação com o lançamento de Only Pain is Real. Grande disco, ainda hoje. Muito mais maduro que o disco de estreia, também muito mais denso. Ninguém crescia o suficiente em 2 anos para ouvir aquele disco sem estranheza adolescente. E que bem que sabia isso.
Vi os Silence 4 pela primeira vez ao vivo pouco mais de um mês depois do lançamento de Only Pain Is Real. E a estranheza do público na sua maioria (muito) jovem era evidente. Se Silence Becomes It tinha sido "consumido" como cerejas, Only Pain is Real era muito mais difícil de digerir. Eu delirei.
Depois veio a notícia: não haveria mais discos dos Silence 4. A banda tinha-se separado.
Cada um dos músicos seguiu a sua carreira a solo ou noutros projectos, mas foi David Fonseca quem mais deu que falar. Em 2003 regressa, em nome próprio, com Sing Me Something New.
O primeiro avanço, The 80's, surpreendeu-me. Ouvi-o na rádio ainda antes do lançamento do álbum. Aquilo soava mesmo aos anos 80. Mas não era uma cover, era um original. De David Fonseca.
O segundo single, Someone That Cannot Love, desiludiu-me. Ainda hoje acho a canção chata.
E The 80's não salvou o álbum. Não para mim.
Só em Outubro de 2005 me "reconciliei" com David Fonseca. Our Hearts Will Beat As One, o single, chegava às rádios, o disco com o mesmo nome às lojas. Na noite do lançamento lá fui eu à Fnac, verificar se Our Hearts Will Beat As One, o álbum, fazia justiça ao primeiro avanço.
E não é que fazia? Comprovei-o nos postos de escuta apinhados e depois no showcase.
Dreams in Colour, o último registo de David Fonseca, consolidou a "reconciliação".
O ex-Silence 4 está rodeado de bons músicos, tem um pé no passado e outro no futuro. O álbum de 2007 está recheado de boas canções e o DVD de edição limitada é uma boa surpresa.
Kiss Me, oh, Kiss Me, é um bom exemplo. De tudo. Temos o piano pelas mãos de Rita Redshoes, uma canção que tem tanto de clássico na melodia, como de discretamente inovador. É como uma lufada de ar fresco. Fresca não é a letra, sobre lutas perdidas, exaustão e expectativas goradas. Mas ainda assim fresca.
A versão presente no DVD é um espectáculo "virtual" de uma one man band: David Fonseca toca cada instrumento separadamente e depois a edição faz o resto.
Um efeito engraçado, para Kiss Me, oh, Kiss Me, David Fonseca.
E a história continua.
________
"And the cracks in the pavement
Yeah, we've all fell there before"
_____
Não posso deixar passar a oportunidade
de chamar a atenção para o novo álbum da Rita Redshoes, prestes a chegar.
Ainda aqui vou falar dela e do novíssimo Golden Era.
Etiquetas:
David Fonseca,
Rita Redshoes,
Silence 4
Subscrever:
Mensagens (Atom)
