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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Silence 4 - Empty Happy Song (2000)

E assim chegou 2009.

2008 foi um ano de boas colheitas musicais e em breve este cantinho aqui fará um ano de canções.

Por esta altura todos os sites e blogs de música fazem as suas escolhas, os melhores do ano que passou, os álbuns que mais agradaram, aqueles que mais desiludiram, etc. Como todos os melómanos, eu adoro essas tabelas e tops, ando sempre a espreitá-los. Bem, geralmente as escolhas deles nada têm a ver com as minhas. E isso tem uma explicação, entre muitas outras explicações igualmente válidas. Os álbuns, bandas, canções que nos marcam não precisam de ser necessariamente colheitas desse ano.

Exemplo: Para mim, o álbum do ano foi The Velvet Underground & Nico. Sim, esse mesmo, o álbum da banana, de 1967. Entendem? Foi a minha "descoberta" de 2008. É claro que também descobri coisas verdadeiramente novas. O Projecto Fuga ou Are You Ready For The Blackout?, o último álbum dos X-Wife. Mas se houve disco que me marcou foi de facto o de Lou Reed e companhia. Por muito que eu queira pôr de lado esse facto - e penso que este será um pensamento comum à maioria dos melómanos como eu... - os anos que já vivi são poucos para tanta história da música. Quando os Velvet Underground se preparavam para lançar o seu álbum de estreia faltavam ainda quase 20 anos para eu nascer. Constrangimentos de ter nascido na segunda metade dos anos 80... Quanto a isso nada a fazer...

Isto explica o facto, que poucas pessoas entendem, de eu andar sempre à procura de música nova nas décadas de 80, 70, 60, 50 e por aí fora.

Escolhi para hoje uma canção espantosamente com quase 10 anos. Essa sim, que acompanhou a minha adolescência. Empty Happy Song é uma excelente forma de começar o ano. Pode parecer estranho, a letra é um tanto ou quanto triste, mas é uma resolução esforçada para um ano que começa.

Empty Happy Song, Silence 4.

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"May the new year come with a song
An empty happy song
To make my life so right for me

[...]

Live die cry tonight
Let tears fall down your face and laugh
Don't waste your last words on sorrow
Live like there is no tomorrow
And may we all be one
In this song
An empty happy song
To keep us smiling instantly
Become what we would like to be
Indulge ourselves to believe
And though we'll never ever be
We'll pretend that we all can be
Free"

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Silence 4 - Blackbird (2000)

Dou comigo a pensar no que representam as covers. Esta é dos Silence 4, para um tema dos Beatles, do épico White Album.

Gosto do Blackbird de David Fonseca e companhia. Aliás, tanto nos Silence 4 como a solo, o músico tem feito boas versões, sobretudo quando se apresenta ao vivo. São grandes momentos. Mesmo quando os temas revisitados não são os maiores êxitos da banda "homenageada".

Assim, há versões de que gosto bastante, que são segundas-vidas para o tema original. Outras há que são meras cópias, sem valor acrescentado. Como é que as distinguimos? Não sei, nem me parece que isso seja fundamental.

Cada um terá as suas razões para gostar ou não de determinada cover. Para mim o essencial, o que me faz realmente gostar de um tema não original, é a forma como é interpretado e sobretudo sentido. Quando o músico se lança no desafio de revisitar uma canção, das duas uma: ou é fã do original ou procura algum tipo de "consagração" através da banda revisitada.

Confesso que a versão de Alanis Morissette para Crazy, uma excelente canção de Seal, me deixou particularmente perplexa. A minha mulher-ídolo do início dos anos 90, em quem em distinguia uma criatividade musical interessante, revisitava um tema sem lhe acrescentar absolutamente nada. Nem uma nova roupagem, nem sentimento, nem interpretação. Com que objectivo? Também não sei.

Para hoje proponho Blackbird, na versão dos Silence 4, incluída no DVD gravado ao vivo no Coliseu dos Recreios em 2000. Um tributo aos Beatles bastante bom.

Silence 4, Blackbird.

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"Blackbird singing in the dead of night
Take these sunken eyes and learn to see
All your life
You were only waiting for this moment to be free"

terça-feira, 4 de março de 2008

David Fonseca - Kiss Me, oh, Kiss Me (2007)

Em 1998 os Silence 4 marcavam a minha geração. Silence Becomes It apresentou o quarteto de Leiria e tornou-se um dos discos mais vendidos nesse ano. A música acústica e a poesia, maioritariamente cantada em inglês, vinha de encontro às expectativas adolescentes. Havia Borrow, muito orelhudo; My Friends, mais poderoso; Angel Song, a balada. E havia o sussurro de Eu Não Sei Dizer. E havia Sérgio Godinho em Sextos Sentidos. Mas também havia o sabor a transgressão de Sex Freak, a faixa escondida.

A então banda de David Fonseca entrou para a banda sonora da minha vida e em Junho de 2000, não cabia em mim de excitação com o lançamento de Only Pain is Real. Grande disco, ainda hoje. Muito mais maduro que o disco de estreia, também muito mais denso. Ninguém crescia o suficiente em 2 anos para ouvir aquele disco sem estranheza adolescente. E que bem que sabia isso.

Vi os Silence 4 pela primeira vez ao vivo pouco mais de um mês depois do lançamento de Only Pain Is Real. E a estranheza do público na sua maioria (muito) jovem era evidente. Se Silence Becomes It tinha sido "consumido" como cerejas, Only Pain is Real era muito mais difícil de digerir. Eu delirei.

Depois veio a notícia: não haveria mais discos dos Silence 4. A banda tinha-se separado.

Cada um dos músicos seguiu a sua carreira a solo ou noutros projectos, mas foi David Fonseca quem mais deu que falar. Em 2003 regressa, em nome próprio, com Sing Me Something New.

O primeiro avanço, The 80's, surpreendeu-me. Ouvi-o na rádio ainda antes do lançamento do álbum. Aquilo soava mesmo aos anos 80. Mas não era uma cover, era um original. De David Fonseca.

O segundo single, Someone That Cannot Love, desiludiu-me. Ainda hoje acho a canção chata.
E The 80's não salvou o álbum. Não para mim.

Só em Outubro de 2005 me "reconciliei" com David Fonseca. Our Hearts Will Beat As One, o single, chegava às rádios, o disco com o mesmo nome às lojas. Na noite do lançamento lá fui eu à Fnac, verificar se Our Hearts Will Beat As One, o álbum, fazia justiça ao primeiro avanço.

E não é que fazia? Comprovei-o nos postos de escuta apinhados e depois no showcase.

Dreams in Colour, o último registo de David Fonseca, consolidou a "reconciliação".
O ex-Silence 4 está rodeado de bons músicos, tem um pé no passado e outro no futuro. O álbum de 2007 está recheado de boas canções e o DVD de edição limitada é uma boa surpresa.

Kiss Me, oh, Kiss Me, é um bom exemplo. De tudo. Temos o piano pelas mãos de Rita Redshoes, uma canção que tem tanto de clássico na melodia, como de discretamente inovador. É como uma lufada de ar fresco. Fresca não é a letra, sobre lutas perdidas, exaustão e expectativas goradas. Mas ainda assim fresca.

A versão presente no DVD é um espectáculo "virtual" de uma one man band: David Fonseca toca cada instrumento separadamente e depois a edição faz o resto.

Um efeito engraçado, para Kiss Me, oh, Kiss Me, David Fonseca.

E a história continua.

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"And the cracks in the pavement
Yeah, we've all fell there before"

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Não posso deixar passar a oportunidade

de chamar a atenção para o novo álbum da Rita Redshoes, prestes a chegar.
Ainda aqui vou falar dela e do novíssimo Golden Era.