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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Wordsong - 5 Fotografias (2002)

Estive a ler o último post que escrevi sobre os Wordsong. Não o devia ter feito, agora não sei o que diga, sem estar a repetir-me.

Continuo a gostar mais de Al Berto que de Pessoa, não me perguntem porquê, que eu não saberei dizer com precisão. Talvez seja por me soar mais experimental, talvez seja por causa do poeta, não sei.

Continuo a achar Pedro D'Orey um dos mais carismáticos vocalistas portugueses. Ninguém faz aquilo que ele consegue fazer com as palavras. Ninguém. Muito para além de cantar, muito para além do mero spoken word.

Continuo a ver naquela banda um envolvimento e uma criatividade sem par que não se esgota na simples adaptação de poemas. Eles são aqueles poemas. É quase como se as teclas fizessem um verso, o baixo outro, a guitarra outro, a bateria outro, a voz outro, as imagens outro ainda. E dessa conjugação nascesse o poema, e não da queda da laranja.

Os Wordsong continuam a ser um dos projectos mais estimulantes da música nacional.

5 Fotografias, para os Wordsong.

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"Apesar de Alexandre ter um olho de cada cor, a fotografia tinha o rigor das imagens a preto e branco."

quarta-feira, 26 de março de 2008

Wordsong - Les Mots (2002)

Musicar grandes poetas é sempre uma operação de alto risco. E foi este o meu primeiro pensamento ao ouvir (Brave) Save My Soul, single de apresentação para Pessoa, segundo álbum do projecto Wordsong.

Constituído por algumas das mais míticas figuras do panorama musical português - Pedro D'Orey (Mler If Dada), Alexandre Cortez (Rádio Macau), entre outros - este projecto multimédia revisita a poesia de Al Berto, no primeiro álbum (2002) e de Fernando Pessoa no segundo (2006).

Curiosamente a cronologia parece estar trocada: Pessoa introduziu-me no mundo Wordsong e só depois descobri o primeiro trabalho.

Ora, dizia eu que musicar poemas clássicos é perigoso. Não que os Wordsong não o tenham feito com competência. Não é isso. É que há um quê de quase sagrado nas palavras escritas que lemos nos livros da escola e da biblioteca da terra. E é estranho ver aquelas palavras imaculadas na boca de um tipo magro que gesticula e dança por entre luzes, figuras e sons estranhos.

(Brave) Save My Soul, com excertos de Pessoa, soube-me a pouco, quando a ouvi na rádio pela primeira vez. É preciso ver Wordsong ao vivo para que a verdadeira essência do projecto se revele e nos conquiste. Os registos de estúdio ficam muito aquém do espectáculo em palco, muito por culpa dos efeitos visuais a cargo de Nuno Franco no primeiro álbum e de Rita Sá no segundo. Mas também por culpa do carisma emanente da voz e presença de Pedro D'Orey.

Ao vivo, os Wordsong respiram e transpiram mesmo poesia. Há um envolvimento inexplicável daqueles homens em palco com as palavras e os sons.

Proponho para hoje Les Mots, excertos do poema Le Plus Grand Calligraphe, de Al Berto. Uma canção que se entranha, de ritmo irresistível, ou não fosse mesmo assim a cadência da poesia de Al Berto.

Sem mais palavras, para ouvir e saborear, Les Mots, Wordsong.


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"les mots,
les mots fruits,
les mots jus,
les mots à mordre, les mots"