Faz hoje precisamente um ano que comecei a escrever aqui.
Já andava com esta ideia fisgada há algum tempo. A minha melomania tornava urgente a criação de um espaço onde poderia partilhar descobertas, onde poderia partilhar canções. 1 Música Por Dia era o título certo. Sabia que seria difícil por aqui uma canção por dia. Não porque não ouvisse (no mínimo) uma música todos os dias, mas porque nem sempre as músicas se conseguem traduzir facilmente em palavras. Também há outros dias em que não temos vontade de partilhar ou simplesmente não arranjamos tempo para o fazer, apesar da urgência.
Inaugurei este blog com Oh, Me, dos Meat Puppets. Tinha comprado o MTV Unplugged dos Nirvana em DVD e fiquei impressionada com a banda dos irmãos Kirkwood, os convidados para esta derradeira aparição de Kurt Cobain em palco. Corri tudo à procura de álbuns, vinis, cassetes - o que fosse - dos Meat Puppets, mas nem a Carbono tinha.
Hoje, exactamente um ano depois, muitas canções depois, alguns comentários depois, é engraçado espreitar as estatísticas (que não instalei, com pena minha, desde o início). No top 5 das canções mais vistas está... O Sr. Extraterrestre, de Amália Rodrigues, com 318 visitas! Nunca pensei que aquela relíquia que ostento com orgulho na minha sala de estar - o vinil desta bizarra canção de Carlos Paião para Amália - levasse o prémio. Significa que ainda há muita gente a pôr estas palavras mágicas nos motores de busca, a principal fonte de tráfego de 1 Música Por Dia.
Mas a grande surpresa do ano neste cantinho é o segundo lugar, com 212 visitas. Outro Futuro, dos Balla. Apesar de não ter a visibilidade que merece, o projecto do dinâmico Armando Teixeira, não é tão underground como isso. Mas as estatísticas, como tudo, não são infalíveis. Quem sabe se estes resultados não vieram, em parte, das visitas daqueles que procuram "outro futuro" em sites de astrólogos, centros de empregos e afins? Prefiro pensar que não, que tudo aqui é música e nada mais.
Sem surpresas, Quem é Quem, o primeiro single do novo álbum, ainda sem nome, dos Xutos & Pontapés, ficou em 3º lugar no ranking 1 Música Por Dia. Foi o responsável pelo maior pico de visitas num só dia, o dia seguinte à comemoração dos 30 anos da maior banda de rock nacional. Em cerca de um mês, conseguiu angariar 135 visitantes para este cantinho.
Por último, fiquei contente com os "resultados" de Fireworks, dos X-Wife. 89 visitas podem não significar nada, são números, nada mais, mas não deixa de ser interessante analisá-los. Um dos melhores regressos do ano que passou, sem dúvida. Apaixonei-me por Are You Ready For The Blackout?, e tenho a certeza que não fui a única.
Talvez tenha sido o menos musical de todos os posts de 1 Música Por Dia. Mas serve para dizer que, dentro em breve, este cantinho sofrerá alguns upgrades. Já estava na hora. Até lá haverá sempre música, pelo menos uma por dia.
A de hoje é dos Red Hot Chili Peppers, do álbum "perdido" entre os dois grandes hypes Blood Sugar Sex Magik, de 91 e Californication, de 1999. One Hot Minute foi considerado um dos álbuns mais negros da banda e, para além deste Aeroplane e de My Friends, não lançou grandes singles. Apesar de tudo tem a participação de peso de Dave Navarro na guitarra. Escolhi-a porque queria uma boa definição para música. Aeroplano não me pareceu mal.
The Red Hot Chili Peppers, Aeroplane.
______
"I like pleasure spiked with pain and
Music is my aeroplane
It's my aeroplane
Songbird sweet and sour Jane and
Music is my aeroplane
It's my aeroplane
[...]
Just one note
Could make me float
Could make me float away"
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domingo, 15 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
X-Wife - Fireworks (2008)
Se alguma dúvida restava, ela deixou de existir com Are You Ready For The Blackout?, o terceiro álbum dos portuenses X-Wife, acabadinho de chegar aos escaparates.
O trio já caiu nas graças de James Murphy (LCD Soudsystem), tem aberto para grandes bandas da cena indie internacional, actua para rádios em Nova Iorque, integra colectâneas um pouco por todo o mundo.
Poucos poderão dizer o contrário: os X-Wife são a banda electroclash nacional, ao melhor nível do que se faz lá fora.
Conversar com João Vieira, Fernando Sousa e Rui Maia é descobrir um grupo sem grandes pretensões, apesar do brilhante percurso que têm feito. Podiam ter o rei na barriga, mas não o fazem. Honestidade é a palavra certa.
Vieira (a.k.a Dj Kitten) eleva a voz em falsete com uma facilidade estonteante, de tão natural. São dele também as letras, desta vez um pouco mais dark, como já tinha ouvido por aí. "Estados de espírito", apressa-se a justificar.
Às teclas e na programação está Rui Maia, de postura equilibrada e rosto afável. Também ele é um "passador de discos", como gosta de dizer. Mas só de vez em quando.
Fernando Sousa está de corpo e alma nos X-Wife e isso vê-se e sente-se ao vivo. Com uma energia quase espasmódica, agarra as linhas de baixo e vibra com elas, do princípio ao fim.
Desde há um ano que Nuno Oliveira se junta ao trio. Mas ao vê-lo atrás da bateria, podia dizer que sempre fizera parte do colectivo.
Are You Ready For The Blackout? mostra uns X-Wife cada vez mais coerentes, um trio que faz música claramente por prazer. Música tão actual como intemporal. E do melhor que se faz por cá.
Escolhi Fireworks de um álbum comprovadamente de boas canções, apesar de ser uma das canções mais pop, porque o registo vocal de João Vieira é completamente viciante. Um bocadinho mais que em Headlights.
Good Times também é uma surpresa engraçada. E desta vez não é Freddie Mercury que está lá atrás num plasma a servir de inspiração. É Prince.
Parece-me que vou voltar a Are You Ready For The Blackout? mais uma ou outra vez. Por enquanto fica esta sugestão, Fireworks, X-Wife.
Ready or not... um disco mais que obrigatório.
______
"Until the night is gone
I hear fireworks...
Strange things seem to happen when you're sober
Just like the rope breaks when you're not pulling any harder"
O trio já caiu nas graças de James Murphy (LCD Soudsystem), tem aberto para grandes bandas da cena indie internacional, actua para rádios em Nova Iorque, integra colectâneas um pouco por todo o mundo.
Poucos poderão dizer o contrário: os X-Wife são a banda electroclash nacional, ao melhor nível do que se faz lá fora.
Conversar com João Vieira, Fernando Sousa e Rui Maia é descobrir um grupo sem grandes pretensões, apesar do brilhante percurso que têm feito. Podiam ter o rei na barriga, mas não o fazem. Honestidade é a palavra certa.
Vieira (a.k.a Dj Kitten) eleva a voz em falsete com uma facilidade estonteante, de tão natural. São dele também as letras, desta vez um pouco mais dark, como já tinha ouvido por aí. "Estados de espírito", apressa-se a justificar.
Às teclas e na programação está Rui Maia, de postura equilibrada e rosto afável. Também ele é um "passador de discos", como gosta de dizer. Mas só de vez em quando.
Fernando Sousa está de corpo e alma nos X-Wife e isso vê-se e sente-se ao vivo. Com uma energia quase espasmódica, agarra as linhas de baixo e vibra com elas, do princípio ao fim.
Desde há um ano que Nuno Oliveira se junta ao trio. Mas ao vê-lo atrás da bateria, podia dizer que sempre fizera parte do colectivo.
Are You Ready For The Blackout? mostra uns X-Wife cada vez mais coerentes, um trio que faz música claramente por prazer. Música tão actual como intemporal. E do melhor que se faz por cá.
Escolhi Fireworks de um álbum comprovadamente de boas canções, apesar de ser uma das canções mais pop, porque o registo vocal de João Vieira é completamente viciante. Um bocadinho mais que em Headlights.
Good Times também é uma surpresa engraçada. E desta vez não é Freddie Mercury que está lá atrás num plasma a servir de inspiração. É Prince.
Parece-me que vou voltar a Are You Ready For The Blackout? mais uma ou outra vez. Por enquanto fica esta sugestão, Fireworks, X-Wife.
Ready or not... um disco mais que obrigatório.
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"Until the night is gone
I hear fireworks...
Strange things seem to happen when you're sober
Just like the rope breaks when you're not pulling any harder"
Etiquetas:
electroclash,
pós-punk,
X-Wife
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