Se alguma dúvida restava, ela deixou de existir com Are You Ready For The Blackout?, o terceiro álbum dos portuenses X-Wife, acabadinho de chegar aos escaparates.
O trio já caiu nas graças de James Murphy (LCD Soudsystem), tem aberto para grandes bandas da cena indie internacional, actua para rádios em Nova Iorque, integra colectâneas um pouco por todo o mundo.
Poucos poderão dizer o contrário: os X-Wife são a banda electroclash nacional, ao melhor nível do que se faz lá fora.
Conversar com João Vieira, Fernando Sousa e Rui Maia é descobrir um grupo sem grandes pretensões, apesar do brilhante percurso que têm feito. Podiam ter o rei na barriga, mas não o fazem. Honestidade é a palavra certa.
Vieira (a.k.a Dj Kitten) eleva a voz em falsete com uma facilidade estonteante, de tão natural. São dele também as letras, desta vez um pouco mais dark, como já tinha ouvido por aí. "Estados de espírito", apressa-se a justificar.
Às teclas e na programação está Rui Maia, de postura equilibrada e rosto afável. Também ele é um "passador de discos", como gosta de dizer. Mas só de vez em quando.
Fernando Sousa está de corpo e alma nos X-Wife e isso vê-se e sente-se ao vivo. Com uma energia quase espasmódica, agarra as linhas de baixo e vibra com elas, do princípio ao fim.
Desde há um ano que Nuno Oliveira se junta ao trio. Mas ao vê-lo atrás da bateria, podia dizer que sempre fizera parte do colectivo.
Are You Ready For The Blackout? mostra uns X-Wife cada vez mais coerentes, um trio que faz música claramente por prazer. Música tão actual como intemporal. E do melhor que se faz por cá.
Escolhi Fireworks de um álbum comprovadamente de boas canções, apesar de ser uma das canções mais pop, porque o registo vocal de João Vieira é completamente viciante. Um bocadinho mais que em Headlights.
Good Times também é uma surpresa engraçada. E desta vez não é Freddie Mercury que está lá atrás num plasma a servir de inspiração. É Prince.
Parece-me que vou voltar a Are You Ready For The Blackout? mais uma ou outra vez. Por enquanto fica esta sugestão, Fireworks, X-Wife.
Ready or not... um disco mais que obrigatório.
______
"Until the night is gone
I hear fireworks...
Strange things seem to happen when you're sober
Just like the rope breaks when you're not pulling any harder"
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sexta-feira, 17 de outubro de 2008
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
The Cure - Friday I'm In Love (1992)
Aproveitando a capa deste mês da revista Blitz, o concerto no Pavilhão Atlântico dia 8 do mês que amanhã começa, e, já agora, porque é sexta-feira - hoje proponho Friday I'm in Love, The Cure.
A mítica banda britânica tem melhores temas do que este, de Wish (1992). Friday I'm in Love pertence à fase mais pop dos Cure. A outra fase - ou face - é a da escuridão, do gothic rock, das canções densas, dos videoclips cheios de teias de aranha.
O conceito de gótico na música não é pacífico em mim. Para mim as ambiências criadas pelos Cure são ambiências góticas. Eles souberem criar esses ambientes, sendo profundamente melódicos. A nova geração da chamada música gótica nada tem a ver com isto. Nenhuma é melhor que a outra. Nem pior. Não são é a mesma coisa.
Nos Cure gosto das duas faces. E gosto da face de Robert Smith, dos cabelos em pé, da palidez e até do batom vermelho vivo esborratado. Dos olhos carregados a preto. Gosto da sensualidade pesada de Lullaby e gosto da frescura de Boys Don't Cry e de Friday I'm in Love.
Nenhuma outra banda conseguiu, como os Cure, ser ao mesmo tempo tão sóbria e tão alegremente viva, tão alternativa e tão pop, sem nunca perder a identidade. E isto é que é coerência.
O pós-punk trouxe muitas coisas boas. E os Cure foram uma delas.
Para antecipar o sol de fim-de-semana, Friday I'm in Love, The Cure.
________
"Saturday wait
and Sunday always comes too late
but Friday never hesitate"
A mítica banda britânica tem melhores temas do que este, de Wish (1992). Friday I'm in Love pertence à fase mais pop dos Cure. A outra fase - ou face - é a da escuridão, do gothic rock, das canções densas, dos videoclips cheios de teias de aranha.
O conceito de gótico na música não é pacífico em mim. Para mim as ambiências criadas pelos Cure são ambiências góticas. Eles souberem criar esses ambientes, sendo profundamente melódicos. A nova geração da chamada música gótica nada tem a ver com isto. Nenhuma é melhor que a outra. Nem pior. Não são é a mesma coisa.
Nos Cure gosto das duas faces. E gosto da face de Robert Smith, dos cabelos em pé, da palidez e até do batom vermelho vivo esborratado. Dos olhos carregados a preto. Gosto da sensualidade pesada de Lullaby e gosto da frescura de Boys Don't Cry e de Friday I'm in Love.
Nenhuma outra banda conseguiu, como os Cure, ser ao mesmo tempo tão sóbria e tão alegremente viva, tão alternativa e tão pop, sem nunca perder a identidade. E isto é que é coerência.
O pós-punk trouxe muitas coisas boas. E os Cure foram uma delas.
Para antecipar o sol de fim-de-semana, Friday I'm in Love, The Cure.
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"Saturday wait
and Sunday always comes too late
but Friday never hesitate"
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