terça-feira, 3 de junho de 2008
Aerosmith - I Don't Want To Miss a Thing (1998)
Que eu sou grande fã da música dos anos 80, todos por aqui sabem. Agora juntem as melhores baladas da década, baladas rock à séria, a uma tarde de descanso e à companhia certa e... Isto sim, é qualidade de vida!
Durante várias horas desfilaram canções de amor emblemáticas como Is This Love?, dos grandes Whitesnake. Os clips são deliciosos. Por um lado temos a figura máscula das grandes estrelas rock - calças de cabedal justas, gabardines e cabelos compridos - por outro, as beldades de enchumaços nos ombros e saias curtas. O erotismo sempre presente. Mas não é um erotismo como o dos dias de hoje. Hoje há menos roupa e corpos mais esculturais. Nos anos 80, o erotismo é, por assim dizer, mais natural. Há peitos descaídos e roupa interior da avózinha, para ajudar a construir a imagem.
Como não poderia deixar de ser, lá estava na tabela das melhores baladas de sempre Wicked Game, de Chris Isaak. No meu top pessoal leva dois galardões: o de clip mais ousado e de balada mais sensual de sempre. Não se deixem enganar: a versão dos pseudo-metaleiros HIM para Wicked Game não lhe faz justiça nem um bocadinho.
Bonnie Tyler e Total Eclipse of the Heart não faltaram à chamada. É engraçado ver também os efeitos especiais da época. Turnaroud, bright eyes... e é ver os olhos dos dançarinos literalmente a brilhar como se se tratasse de duas lanternas.
Kayleigh, dos Marillion, também lá estava. Do you remember... chalk hearts melting on a playground wall... Quem não se lembra? Um dos versos mais emblemáticos das baladas rock.
Há dias propus aqui Patience, uma das muitas boas baladas originas dos Guns N' Roses. A VH1 não tem a mesma opinião e marca a presença da banda de Axl Rose com... a versão para Knockin' on Heaven's Door, de Bob Dylan. Mas uma desilusão não destrói uma tarde.
Aproximava-se o número 1 e faziam-se apostas. Alguém me dizia que o primeiro lugar deste Best of Ballads pertencia a Steven Tyler e companhia. E não é que tem sempre razão? Lá estava o meteorito de I Don't Want To Miss a Thing, a canção que os Aerosmith compuseram para o filme de 1998, Armageddon.
Não é dos 80's, mas é uma balada especial. Muito especial.
As baladas, meus amigos, não são algo de que devamos envergonhar-nos, como dizia um radialista da nossa praça.
Assim, aqui fica(m) a(s) sugestão(ões).
I Don't Want to Miss a Thing, os Aerosmith.
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"'Cause even when I dream of you
The sweetest dream will never do
Id still miss you, baby
And I don't want to miss a thing"
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Madonna - 4 Minutes (2008)
Trata-se de 4 Minutes, o single de apresentação para Hard Candy, de Madonna. Não sou grande fã desta senhora, embora Madonna seja talvez a artista pop mais bem sucedida de sempre. E com mérito. À custa da sua faceta quase camaleónica, tem somado sucessos atrás de sucessos, desde os idos de 80. Muda de estilo como quem muda de toilet. Já a vimos nos mais variados registos, mais pop, mais rock, mais instrospectiva, mais sensual, mais dance.
Ainda não ouvi o álbum todo, nem está na minha lista das prioridades musicais, mas parece-me que agora, com a ajuda de Timbaland, Madonna assumiu a sua faceta mais hip-hop.
Para além do produtor mais badalado do momento, este 4 Minutes conta ainda com a participação de Justin Timberlake. E acho que é a conjugação deste trio que torna o single um otoverme dos mais resistentes que pululam por estes dias as rádios.
Há aquele ritmo típico de Timbaland, e o diálogo entre Madonna e Timberlake a entranhar-se no ouvido. O que, mais uma vez, nem é bom nem é mau. É assim-assim.
Devo dizer que, para mim, esta é a face menos interessante de Madonna. Mas isso é a minha opinião de não-fã.
Os fãs, esses, devem estar radiantes. A Sticky & Sweet Tour vai incluir Portugal. Os bilhetes começam a ser vendidos amanhã.
4 Minutes, Madonna com Justin Timberlake.
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"If you want it
You already got it,
If you thought it
It better be what you want"
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Guns N' Roses - Patience (1988)
Guns N' Roses, Whitesnake, Van Halen... Apetece-me ir de novo às origens do rock.
Por isso é que hoje proponho aqui Patience, uma balada puramente rock, da banda de Axl Rose. Uma das minhas preferidas de sempre. Do álbum GN'R Lies, bastante polémico à época, sai esta canção de amor em forma de lição de vida.
A provar que os tipos durões também sabem escrever coisas bonitas quando querem, sem destruir o espírito rock, aqui fica um doce assobio.
Ao bom estilo old school, Patience, os Guns N' Roses.
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"Sometimes I get so tense
But I can't speed up the time
But you know, love
There's one more thing to consider
Said,Woman, take it slow
And things will be just fine
You and I'll just use a little patience
Said, sugar, take the time
'Cause the lights are shining bright
You and I've got what it takes to make it,
We won't fake it,
I'll never break it
'Cause I can't take it..."
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Moonspell - Vampiria (1995)
Também, depois de The Antidote, que teve até uma colaboração especial de José Luís Peixoto - esse metaleiro da literatura - a fasquia estava bem lá em cima.
Hoje proponho Vampiria, do primeiro álbum da banda, Wolfheart. Não é dos meus temas preferidos dos Moonspell - talvez seja demasiado gótico para os meus gostos - mas há nele uma linha de guitarra que não me sai da cabeça. Vampiria é aquilo que Miguel Esteves Cardoso chamaria de otoverme. O que não é bom nem é mau. É assim-assim.
Para além das guitarras, está lá o pleno exercício da voz cava de Fernando Ribeiro e uma cadência muito interessante de bateria.
A letra é como sempre de um inequívoco teor literário, ou não fosse o compositor um homem das letras e da Filosofia.
(Ah, a despropósito, Fernando Ribeiro cresceu na Brandoa, sítio onde agora assentei arraiais.)
Bem, e como o único remédio para os otovermes é, segundo MEC, ouvir o tema em questão uma e outra vez, até dela não restarem vestígios, já sei o que me espera mais logo a caminho de casa.
Vampiria, Moonspell, mais uma vez.
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"Vampiria, fly Vampiria
In your eye burn, defying
All those who in silence sleep
In a city once named desire"
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Amália Rodrigues - O Senhor Extraterrestre (1981)
A minha visita de sábado a esse templo de coisas usadas que é a Cashland rendeu-me, nada mais nada menos, que a grande pérola da discografia de Amália: um 45 rotações de O Senhor Extraterrestre.
Achados destes não acontecem todos os dias. Nos cestos de discos de vinil usados amontoam-se muitas coisas sem qualquer interesse: os típicos discos de conjuntos da música popular portuguesa, muita música romântica francesa e brasileira, best of radiofónicos, ente outros. Mas há dias em que a sorte está connosco. As dores nos joelhos, de vasculhar os cestos no chão, já me valeram coisas bem interessantes: Breakfast in America, dos Supertramp, a poucos cêntimos, capa muito velhinha, mas o vinil, em muitíssimo bom estado, ainda rodou muitas vezes no gira-discos dos meus pais; um 45 rotações dos Bon Jovi, que fez as delícias do meu irmão mais novo; um álbum duplo dos Simple Minds ao vivo, mais carote; dois discos dos Kajagoogoo; um dos Police, The Century, Rod Stewart e, meus senhores, a pérola das pérolas, este O Senhor Extraterrestre de que hoje vos falo. Com este 45 rotações de Amália, rivaliza O Feitiço de Ney Matogrosso, a melhor capa que já vi até hoje.
Agarrei-me logo à capa colorida d' O Senhor Extraterrestre porque, desde que tive conhecimento desta bizarra composição no Há Vida em Markl, nunca pensei que fosse possível encontrá-lo assim, num cesto da Cashland entre Roberto Leal e Art Sulivan. Aliás, O Senhor Extraterrestre podia bem ser um mito. Nunca ter existido.
Mas existe. Uma grande rodela de vinil amarelo-transparente. Agora orgulhosamente em exposição na minha sala. Quero agradecer publicamente à antiga proprietária pelo facto de O Senhor Extraterrestre ter pousado agora o seu ovní na minha alegre casinha. Dona Adelaide, os meus obrigados.
Passo a explicar o porquê de tanta euforia em torno desta composição de Carlos Paião para Amália Rodrigues. O Senhor Extraterrestre é, nada mais nada menos, a prova de que o fado não tem que ser uma canção necessariamente triste. Nem sequer séria. Já sabíamos que há certo fado mais alegre, gozão, até. Mas ouvir a grande Amália contar a história do seu encontro com um tipo verde é qualquer coisa.
Lia ontem um crítico da Time Out dizer, a propósito do novo álbum dos Moonspell, que o que falta ao metal em geral, e à banda portuguesa em particular, é a capacidade de fazer humor. Dizia ele que Fernando Ribeiro deveria cantar mais temas como Abram Alas Para o Noddy.
Não discordo.
A música é um meio de expressão, e ninguém está sempre feliz ou sempre deprimido. Os bons álbuns e os bons músicos são capazes de mostrar esses altos e baixos da vida com coerência.
E se me perguntarem se é coerente os Moonspell cantarem o tema do Noddy e Alma Mater, direi que sim. E se me perguntarem se é coerente Amália cantar Povo que Lavas no Rio e O Senhor Extraterrestre, direi que sim. Porque a vida é mesmo assim.
E na vida surpreendentes encontros acontecem.
Como este, entre Amália Rodrigues e O Senhor Extraterrestre.
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"Já está de chaves na mão?
Vai voltar p'ro avião?
Espere, já ali estão
umas sandes p'ra viagem
E o Senhor Extraterrestre
Viu-se um pouco atrapalhado
quis falar mais disse pi
estava mal sintonizado
mexeu lá no botãozinho
só p'ra dizer: Deus lhe pague.
Eu dei-lhe um copo de vinho
e lá foi no seu caminho
que era um pouco em ziguezague."
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Ugly Kid Joe - Panhandlin' Prince (1992)
That death is on my side
If my heart stopped beatin', the street kept reekin'
Thats suicide... thats right!"
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Xutos & Pontapés - O Que Foi Não Volta a Ser (1992)
Vou falar do público que lá estava. Uma horda de miúdos embriagados e drogados, pouco interessados em música - nada mesmo -, saltavam, empurravam-se, gritavam. Dos Xutos poucos ou nada sabiam ou queriam saber. Estavam ali para beber e fumar ganzas. Ter ou não ter palco e bandas para o pisar, era indiferente para a grande maioria que enchia o recinto.
Quand vi os Xutos pela primeira vez, quem lá estava estava pela música. Também se bebia e fumava. E muito. Também haviam empurrões e saltos, cerveja derramada e queimaduras de pontas de cigarro. Mas todos respeitavam aqueles que subiam ao palco. Respondiam positivamente, estavam em sintonia com o que ali se passava. Partilhavam a experiência da música.
No sábado, houve tudo menos partilha. Nunca vi um público tão alheado, mais preocupado com a rodinha de mosh que se formava a partir da terceira fila.
E depois haviam tipos como o de t-shirt amarela, mesmo por trás de mim que se divertia a vaiar e a chamar nomes à Instituição do rock nacional. Não gosta, não vai. E se vai, respeita.
Os pouco que ali estavam para, de facto, celebrar a música, tiveram que se sujeitar e levar com toda aquela imbecilidade.
O público é parte integrante de um espectáculo. Ou deveria ser. No Sábado, os Xutos sentiram que ali não havia público. E por isso tocaram o alinhamento de enfiada. Nem se pode dizer que houve encore.
Os Xutos não mereceram aquilo. Os amantes de música ao vivo, fãs ou não, não mereceram aquilo.
Mas a comunhão na música é apenas uma das coisas que foram e não vão voltar a ser. Pelo menos não da mesma maneira.
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"O que foi não volta a ser
mesmo que muito se queira,
e querer muito é poder...
O que foi não volta a ser."
