Ontem, por volta do meio dia, Violet Hill chegou às rádios e à internet para download legal e gratuito. O single de avanço para o novo álbum dos Coldplay, Viva La Vida or Death and All His Friends, estará disponível durante seis dias, sem custos, no site da banda britânica.
Não consegui assistir à "estreia" com hora marcada, mas esta manhã sintonizei a rádio e lá estava Violet Hill. Por entre uma garrafa de iogurte, um par de brincos e outro de meias, lá ouvi o novo single. E não sei se foi das tarefas matinais, ou do recente despertar, mas a canção soou-me a cover. São primeiras impressões, bem sei. Mas a melodia parece-me conhecida, nada de novo. Gostei das guitarras, um pouco mais agressivas que nos anteriores registos. Depois temos uma letra a explorar. Há neve, frio de Dezembro... a merecer uma maior atenção.
Eu já fiz o meu download e prometo mais desenvolvimentos para breve.
Enquanto o disco não chega, faça também o seu.
Violet Hill, os Coldplay.
____
"I don't want to be a soldier
With the captain of some sinking ship
With snow, far below"
quarta-feira, 30 de abril de 2008
terça-feira, 29 de abril de 2008
Micro Audio Waves - Fully Connected (2004)
a quem ontem esperava música por aqui, as minhas desculpas.
a administração de doses musicais recomeça hoje.
porque uma música por dia nem sabe o bem que lhe fazia.
Há um filão riquíssimo de experimentalismo electrónico na música dos Micro Audio Waves.
Este criativo trio começou pelas mãos de Flak (Rádio Macau) e de C. Morgado, a quem se juntou, após o lançamento do álbum de estreia, a voz de Cláudia Efe.
Apesar de ser o mais experimental e alternativo, não foi com o álbum homónimo de estreia que os Micro Audio Waves se impuseram na cena musical. Só Fully Connected, single de apresentação para No Waves (2004) levou definitivamente o colectivo às rádios nacionais e internacionais.
O grande hit dos Micro Audio Waves é pop electrónica bem feita, criativa. Mas a cereja no topo deste bolo musical é, sem dúvida, a escolha certeira da voz. Cláudia Efe tem uma voz nasalada como poucas, fazendo lembrar a impessoalidade intimista de um altifalante de aeroporto. Em Fully Connected, este estilo assenta que nem uma luva.
Cantar um livro de instruções de um qualquer aparelho electrónico de forma sexy é possível.
A comprová-lo, Fully Connected, os Micro Audio Waves.
____
"Push down
gently
but firmly
until the body is fully connected
by touching a grounded metal surface
firmly
until the body is fully connected"
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electrónica,
experimental,
MIcro Audio Waves
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Sérgio Godinho - Liberdade (1974)
A 25 de Abril de 1974 caía a ditadura e nascia a Liberdade. A de Sérgio Godinho e a de todos nós.
Aproveite o feriado para tomar a liberdade de fazer aquilo que sempre quis fazer.
Segunda-feira há mais música por aqui.
Até lá, Liberdade, por Sérgio Godinho.
___
"Viemos com o peso do passado e da semente
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
A paz, o pão
habitação, saúde,
educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir"
Aproveite o feriado para tomar a liberdade de fazer aquilo que sempre quis fazer.
Segunda-feira há mais música por aqui.
Até lá, Liberdade, por Sérgio Godinho.
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"Viemos com o peso do passado e da semente
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
A paz, o pão
habitação, saúde,
educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir"
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Sérgio Godinho
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Adele - Chasing Pavements (2008)
Já aqui falei da ascenção das novas vozes soul que enchem o panorama musical internacional (mais britânico) desde o ano passado. Amy Winehouse, a grande revelação soul, seguida à sua distância por Duffy e também por Adele.
Winehouse é de longe a que tem mais espírito soul. Acompanham-na também excelentes músicos e produtores e as temáticas das canções, autobiográficas e maioritariamente "trágicas", fazem o resto do excelente trabalho.
Duffy parece saída da canção dos 50's / 60's. Voz nasalada, soul, temáticas mais voltadas para o amor, para as relações.
E depois temos Adele, 19 anos, grande voz soul, mas mais virada para as sonoridades pop. Muito jovem ainda, a britânica lança agora 19, o segundo trabalho, com composições insipiradas na vivência com o ex-namorado.
O primeiro avanço é este Chasing Pavements, que vos proponho hoje. Não tem a força de um Rehab nem de Mercy, mas é apesar de tudo uma boa canção de rádio.
Chasing Pavements, Adele.
___
"Should I give up
Or should I just keep chasing pavements
Even if it leads nowhere?"
Winehouse é de longe a que tem mais espírito soul. Acompanham-na também excelentes músicos e produtores e as temáticas das canções, autobiográficas e maioritariamente "trágicas", fazem o resto do excelente trabalho.
Duffy parece saída da canção dos 50's / 60's. Voz nasalada, soul, temáticas mais voltadas para o amor, para as relações.
E depois temos Adele, 19 anos, grande voz soul, mas mais virada para as sonoridades pop. Muito jovem ainda, a britânica lança agora 19, o segundo trabalho, com composições insipiradas na vivência com o ex-namorado.
O primeiro avanço é este Chasing Pavements, que vos proponho hoje. Não tem a força de um Rehab nem de Mercy, mas é apesar de tudo uma boa canção de rádio.
Chasing Pavements, Adele.
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"Should I give up
Or should I just keep chasing pavements
Even if it leads nowhere?"
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terça-feira, 22 de abril de 2008
Xutos & Pontapés + Oioai - Pertencer (2008)
É de louvar a iniciativa da Associação UPA, Unidos Para Ajudar, de juntar em palco vários nomes da música portuguesa contra a discriminação das doenças mentais.
Para além da componente solidária do projecto, que promove concertos e a venda de música digital (cada faixa tem o custo que se quiser, desde que acima dos 0 euros) a favor de uma causa, existe também uma outra bastante interessante, a componente musical em si.
Se já é interessante juntar, por si só, Mariza a Boss AC, Camané a Dead Combo, Paulo Gonzo a Balla, entre outros, mais interessante ainda é vê-los em palco a partilhar um tema original, composto para a ocasião a partir de um tema proposto pela UPA.
Discriminar/Integrar foi o ponto de partida para Pertencer, a composição conjunta dos Xutos & Pontapés e dos Oioai no âmbito deste projecto.
Musicalmente, o tema não foge muito à sonoridade dos Xutos, embora a composição e a letra seja da autoria de Pedro Puppe, voz dos Oioai. A banda de Sushi Baby surpreendeu-me ao adoptar um estilo bem mais sóbrio.
Alguns versos deixam um pouco a desejar, mas no fundo a mensagem passou.
Vale a pena ficar atento aos próximos concertos e fazer os downloads das canções aqui.
Para já, proponho Pertencer, Xutos & Pontapés e Oioai, unidos para ajudar.
___
"O meu número é zero nesta democracia,
deixa-me pertencer, eu quero pertencer-te"
Para além da componente solidária do projecto, que promove concertos e a venda de música digital (cada faixa tem o custo que se quiser, desde que acima dos 0 euros) a favor de uma causa, existe também uma outra bastante interessante, a componente musical em si.
Se já é interessante juntar, por si só, Mariza a Boss AC, Camané a Dead Combo, Paulo Gonzo a Balla, entre outros, mais interessante ainda é vê-los em palco a partilhar um tema original, composto para a ocasião a partir de um tema proposto pela UPA.
Discriminar/Integrar foi o ponto de partida para Pertencer, a composição conjunta dos Xutos & Pontapés e dos Oioai no âmbito deste projecto.
Musicalmente, o tema não foge muito à sonoridade dos Xutos, embora a composição e a letra seja da autoria de Pedro Puppe, voz dos Oioai. A banda de Sushi Baby surpreendeu-me ao adoptar um estilo bem mais sóbrio.
Alguns versos deixam um pouco a desejar, mas no fundo a mensagem passou.
Vale a pena ficar atento aos próximos concertos e fazer os downloads das canções aqui.
Para já, proponho Pertencer, Xutos & Pontapés e Oioai, unidos para ajudar.
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"O meu número é zero nesta democracia,
deixa-me pertencer, eu quero pertencer-te"
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Vinicius de Moraes - Samba da Bênção (1963)
Às vezes parece-me que existe um certo preconceito em relação à música popular brasileira, apesar de Portugal ter sido sempre dela um grande consumidor.
E apesar de, nos seus últimos trabalhos, muitos músicos portugueses se terem dedicado às sonoridades do Brasil. São disto exemplo JP Simões, Maria João, Teresa Salgueiro e até Maria de Medeiros.
E apesar de a brasileira bossa-nova ter intensas relações com o jazz e de ser considerada música "da elite cultural", quando apareceu, nos anos 50.
Contradições.
Portugal e o irmão Brasil vivem a vida sob pontos de vista diferentes. Pode dizer-se que um vive sob a alçada do fatalismo do fado, e o outro sob a alegria do samba. Mas nem tudo é assim tão linear. Até no mais pungente fado existe uma pontinha de sol e até no mais carnavalesco samba existem resquícios de tristeza.
É talvez isto que aproxima timidamente brasileiros e portugueses. Isto e também o facto de o cosmopolitismo da MPB estar na moda.
A verdade é que é melhor ser alegre que ser triste.
Propoho para hoje esta pérola de Vinicius de Moraes & Odette Lara, do álbum com o mesmo nome, de 1963.
Alegria e tristeza, neste Samba da Bêção, Vinicius de Moraes.
____
"Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não"
E apesar de, nos seus últimos trabalhos, muitos músicos portugueses se terem dedicado às sonoridades do Brasil. São disto exemplo JP Simões, Maria João, Teresa Salgueiro e até Maria de Medeiros.
E apesar de a brasileira bossa-nova ter intensas relações com o jazz e de ser considerada música "da elite cultural", quando apareceu, nos anos 50.
Contradições.
Portugal e o irmão Brasil vivem a vida sob pontos de vista diferentes. Pode dizer-se que um vive sob a alçada do fatalismo do fado, e o outro sob a alegria do samba. Mas nem tudo é assim tão linear. Até no mais pungente fado existe uma pontinha de sol e até no mais carnavalesco samba existem resquícios de tristeza.
É talvez isto que aproxima timidamente brasileiros e portugueses. Isto e também o facto de o cosmopolitismo da MPB estar na moda.
A verdade é que é melhor ser alegre que ser triste.
Propoho para hoje esta pérola de Vinicius de Moraes & Odette Lara, do álbum com o mesmo nome, de 1963.
Alegria e tristeza, neste Samba da Bêção, Vinicius de Moraes.
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"Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não"
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Vinicius de Moraes
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Pearl Jam - 4/20/02 (2003)
Abril é o mês do luto para o grunge.
Em 1994, a 5 deste mês fatídico, Kurt Cobain era encontrado morto na sua casa em Seattle. Muita tinta correu, suicídio ou homicídio, não havia consenso. A nota de despedida encontrada ao lado do carismático líder dos Nirvana levou a melhor, e a versão suicídio foi oficializada.
O homem morreu, a obra ficou e o mito nasceu naquela dia.
7 anos depois, a 20 de Abril, o corpo de Layne Staley era encontrado já em avançado estado de decomposição. Não houve bilhetes nem armas, a causa da morte era clara como água: uma dose letal de heroína combinada com cocaína. Ironias, coincidências, acasos, as perícias mostraram que o vocalista dos Alice in Chains morreu por volta do dia 5 de Abril, tal como Cobain.
Já aqui falei de Lost Dogs, o disco de raridades e lados B, que é uma pérola na discografia dos Pearl Jam. O álbum de 2003 incluía 4/20/02, a faixa escondida no disco 2. Quem deixar correr Bee Girl vai encontrar, algures aos 6 minutos, a canção que Eddie Vedder gravou no dia em que soube da morte do amigo Staley.
É um tema arrepiante, não só por ser uma homenagem póstuma, mas sobretudo pela forma como é interpretado. É Vedder, sozinho com a sua dor e raiva, à guitarra. Às cordas imprime um tom às vezes triste, às vezes enraivecido. As palavras são duras. Eddie Vedder faz acusações, recrimina o uso prolongado de drogas, fala directamente a Layne Staley, livra-o de culpas (afinal poderia ser qualquer um de nós), sente-se ofendido.
É de uma brutalidade desmedida ouvir 4/20/02. Arrepia e não é pouco, a quem é fã do grunge e a quem não é. Durante algum tempo - confesso - não consegui pôr a faixa escondida de Lost Dogs a tocar.
4/20/02, os Pearl Jam em homenagem a Layne Staley.
____
"lonesome friend, we all knew
always hoped you'd pull through
no blame, no blame
no blame, it could be you
using, you can't grow old using"
Em 1994, a 5 deste mês fatídico, Kurt Cobain era encontrado morto na sua casa em Seattle. Muita tinta correu, suicídio ou homicídio, não havia consenso. A nota de despedida encontrada ao lado do carismático líder dos Nirvana levou a melhor, e a versão suicídio foi oficializada.
O homem morreu, a obra ficou e o mito nasceu naquela dia.
7 anos depois, a 20 de Abril, o corpo de Layne Staley era encontrado já em avançado estado de decomposição. Não houve bilhetes nem armas, a causa da morte era clara como água: uma dose letal de heroína combinada com cocaína. Ironias, coincidências, acasos, as perícias mostraram que o vocalista dos Alice in Chains morreu por volta do dia 5 de Abril, tal como Cobain.
Já aqui falei de Lost Dogs, o disco de raridades e lados B, que é uma pérola na discografia dos Pearl Jam. O álbum de 2003 incluía 4/20/02, a faixa escondida no disco 2. Quem deixar correr Bee Girl vai encontrar, algures aos 6 minutos, a canção que Eddie Vedder gravou no dia em que soube da morte do amigo Staley.
É um tema arrepiante, não só por ser uma homenagem póstuma, mas sobretudo pela forma como é interpretado. É Vedder, sozinho com a sua dor e raiva, à guitarra. Às cordas imprime um tom às vezes triste, às vezes enraivecido. As palavras são duras. Eddie Vedder faz acusações, recrimina o uso prolongado de drogas, fala directamente a Layne Staley, livra-o de culpas (afinal poderia ser qualquer um de nós), sente-se ofendido.
É de uma brutalidade desmedida ouvir 4/20/02. Arrepia e não é pouco, a quem é fã do grunge e a quem não é. Durante algum tempo - confesso - não consegui pôr a faixa escondida de Lost Dogs a tocar.
4/20/02, os Pearl Jam em homenagem a Layne Staley.
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"lonesome friend, we all knew
always hoped you'd pull through
no blame, no blame
no blame, it could be you
using, you can't grow old using"
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