Ainda hesitei. Sempre quis que este 1 Música Por Dia fosse desse espaço àquelas coisas que eu considero essenciais de ouvir. São as minhas opiniões, o lado crítico e pessoal da minha relação com a música. Não evito falar mal. Mas há tanta coisa que eu considero essencial na minha lista de espera - coisas sobre as quais eu quero tanto falar - que nunca quis "perder tempo" a escrever sobre projectos que não me tocam ou, simplesmente, que não gosto.
Hoje vou quebrar essa minha regra pessoal e vou escrever sobre uma coisa de que, definitivamente, não consigo gostar. Abro a excepção aos Amália Hoje - ou só Hoje - , por culpa do Rui Miguel Abreu, que hoje assina um excelente artigo na Blitz deste mês.
Vamos por partes. Não fui daquelas pessoas que condenou à partida o projecto - porque estaria a trair a obra de Amália ou por outras razões igualmente tradicionalistas. Só comecei a não gostar de Amália Hoje quando ouvi pela primeira vez Gaivota. Uma ideia que à partida não é má de todo - a de resgatar a obra de uma figura de proa da música portuguesa - peca, de resto, em quase tudo. Nos arranjos, que não são de hoje nem de ontem, muito - demasiado - à là Gift, na dificuldade em encontrar o registo certo, até na imagem a banda exagerou.
Fiquei desiludida, ao conhecer melhor o projecto. Porque teriam Paulo Praça, Sónia Tavares e Fernando Ribeiro embarcado num projecto que, parece-me, diz-lhes tanto a eles quanto a mim? Porquê fazer algo que - e nota-se a milhas - os deixa desconfortáveis, rígidos? A dúvida assolou-me ainda mais quando comecei a ver a escalada de popularidade que os Hoje começavam: vendas estrondosas, concertos esgotados em salas gigantescas. Apesar de tudo, não conseguia gostar de nada ali.
Hoje percebi. Ou melhor, confirmei suspeitas. Rui Miguel Abreu fez aquilo que eu tinha vontade de fazer há já algum tempo: entrevistou não só a banda como uma representante da Valentim de Carvalho, e responsável pelo projecto. Um trabalho brilhante, isento, que dá gosto ler.
E está lá tudo. Paula Homem, da Valentim, explica como surgiu a ideia, associada a uma necessidade de marketing para vender um filme sobre Amália à camada mais jovem. Nuno Gonçalves, o produtor, confessa que não ficou convencido quando lhe encomendaram o projecto. Não percebia nada de fado, não conhecia a discografia de Amália. Tal como Sónia Tavares, que entrou na aventura nas mesmas (e ingénuas) condições. A cantora dos Gift diz mesmo que a ideia foi difícil de entranhar e que não gostou das ideias inicialmente propostas por Nuno Gonçalves. Só Fernando Ribeiro estava mais próximo da obra de Amália, mais igualmente afastado do objectivo pop da Valentim de Carvalho.
"Na conversa com os músicos e editores deste projecto, ninguém tenta passar a ideia dos Hoje serem um projecto natural, nascido devido ao amor comum a uma causa ou a uma obra. Pelo contrário, a ideia que vai passando nos discursos de cada um dos intervenientes é precisamente contrária, de alguma resistência em abraçar o projecto", constata Rui Miguel Abreu, a linhas tantas. Eu acrescentaria que isso se ouve em cada tema do álbum. Tudo ali me soa a encomenda, a algo pouco natural, a um sacrifício feito em nome de mais um desafio superado. Não vejo ali Amália, não vejo ali nada de novo, nem de interessante. Os arranjos não me tocam, não vejo sentimento naquelas vozes nem naquelas notas, nem naqueles ambientes tão orquestrais. Não vejo o hoje nem o ontem. Não vejo sequer um objectivo, quanto mais artístico (o de dar a conhecer Amália, o de revisitar a obra, o de criar algo de novo a partir de algo que se admira).
Mas não posso deixar de louvar a disponibilidade destes músicos para mostrar todas as fragilidades do projecto, as dificuldades, as incertezas, a ingenuidade, e, claro, a perspicácia e profissionalismo do jornalista. Talvez agora os entenda melhor, embora continue a achar - e cada vez mais - que é um projecto infeliz e vazio, do ponto de vista artístico. Porque do ponto de vista comercial, está longe de ser um fracasso.
Amália Hoje é um (im)perfeito coração, como disse uma vez um crítico. Mas é sem dúvida um perfeito plano de marketing.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
The Vaselines - Son Of A Gun (1987)
Sei que não fui a única a conhecer os Vaselines através dos Nirvana e de covers de canções como este Son Of A Gun. Até hoje - o dia em que me chegou às mãos a deluxe edition de Enter The Vaselines, o duplo álbum com toda a discografia remasterizada e alguns bónus da banda de Eugene Kelly e Frances McKee - ainda não consegui entender como é que os Vaselines passaram despercebidos e constam tão ao de leve na história da música indie.
Não fosse Kurt Cobain, fã confesso da dupla escocesa, talvez os Vaselines não tivessem chegado a tanta gente. (A propósito, quantas bandas fizeram questão de revisitar bandas improváveis e pouco conhecidas e até de levá-las a subir ao palco?)
E o que é que os Vaselines têm? Para além de duas vozes transbordantes de carisma por, precisamente, estarem-se completamente nas tintas para o carisma; para além da irónica ingenuidade com que falam de sexo; para além das buzinas em Molly's Lips; da frontalidade absolutamente desarmante de Rory Rides Me Raw; da pronúncia fazer transformar "ugly" em "uguly"; das guitarras ora garage ora mais country; do ritmo frenético e viciante de Dum Dum; da sonoridade crua vinda directamente da garagem; para além disto, os Vaselines têm tudo. É aquela coisa a que alguns chamam honestidade. Ou verdade.
Foi certamente por isso que Cobain disse um dia que Kelly e McKee eram os melhores compositores de sempre.
The Vaselines, Son of a Gun.
______
Não fosse Kurt Cobain, fã confesso da dupla escocesa, talvez os Vaselines não tivessem chegado a tanta gente. (A propósito, quantas bandas fizeram questão de revisitar bandas improváveis e pouco conhecidas e até de levá-las a subir ao palco?)
E o que é que os Vaselines têm? Para além de duas vozes transbordantes de carisma por, precisamente, estarem-se completamente nas tintas para o carisma; para além da irónica ingenuidade com que falam de sexo; para além das buzinas em Molly's Lips; da frontalidade absolutamente desarmante de Rory Rides Me Raw; da pronúncia fazer transformar "ugly" em "uguly"; das guitarras ora garage ora mais country; do ritmo frenético e viciante de Dum Dum; da sonoridade crua vinda directamente da garagem; para além disto, os Vaselines têm tudo. É aquela coisa a que alguns chamam honestidade. Ou verdade.
Foi certamente por isso que Cobain disse um dia que Kelly e McKee eram os melhores compositores de sempre.
The Vaselines, Son of a Gun.
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"The sun shines in the bedroom when you play,
And the raining always starts when you go away."
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quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Jazzanova & Phonte - Look What You're Doin' To Me (2008)
Miguel Esteves Cardoso não está sozinho quando diz que sente uma curiosidade incontrolável quando vê alguém de phones nos ouvidos, ao entrar no metro. Eu também partilho dessa forte sensação.
Voltei esta semana ao trabalho e, consequentemente, às viagens de metro. Entro, sento-me, às vezes também eu ponho os phones nos ouvidos, mas quando não ponho não consigo evitar: deixo-me levar pela imaginção e faço apostas sobre o que é que os dois passageiros da frente e o que ocupa o lugar mesmo a meu lado estão a ouvir nos seus leitores. Porque são poucos aqueles que viajam sem música. Aposto que o rapaz de barba mal semeada, mala a tiracolo, camisa às riscas e ténis gastos ouve as últimas do indie-pop. Que descobertas terá ele feito nas últimas semanas? A rapariga que encontro dia sim, dia não na estação da Pontinha - de cabelo muito preto e liso, unhas inpecavelmente pintadas, cores vibrantes e roupas da moda - deverá ouvir as novas tendências da pop e do r&b. Será mesmo assim? Nunca consigo descobrir. A viagem chega ao fim e eu não sei o que os outros ouvem e ninguém saberá aquilo que ouço todos os dias durante aquele percurso.
A internet é a casa de chocolate dos melómanos gulosos. Basta passar pelo Myspace, pelos blogues e revistas on-line para se encontrar música nova. Já não é preciso esperar pelos programas de autor que passavam a altas horas nas rádios, já não é preciso estar atento ao crítico X ou Y, já nem é preciso ir ver as novidades às lojas.
Mas ninguém me tira aquela ideia (acho que a roubei também do MEC, na altura no Blitz) de nos sentarmos no tapete da sala, ao pé de aparelhagem, com pilhas de discos de um lado e um amigo curioso do outro. O tapete pode até ser virtual, em vez de Cds, vinis e cassetes empilhados podemos ter links e ficheiros mp3, se a ideia original for demasiado exigente.
Como me disse o Henrique Amaro certa vez, o divulgador hoje pode ser qualquer pessoa. Pode ser um amigo que te apresenta uma música no rádio do carro ou de casa ou até no computador. Pode ser o locutor de rádio. Pode ser o crítico musical num jornal de referência. Pode ser um anúncio de televisão ou um filme. Pode ser uma coincidência. Pode estar a teu lado no metro.
E também pode ser outro músico. Nos últimos tempos tenho feito descobertas muito interessantes através de colaborações entre músicos. Dificilmente prestaria atenção ao trabalho do rapper/soulman Phonte Coleman se não me tivesse apaixonado por este Look What You're Doin' To Me, de Of All The Things, o último álbum dos Jazzanova. E isto é só um exemplo tosco.
Jazzanova, Look What You're Doin' To Me.
______
"And when the day comes and everybody's gone,
You can call me a friend
I'll be here for your new beginnings and I'll be here in the end...
Gonna tell the world I love you, baby girl
Shout it out in the streets
Gonna talk about the joy you bring me, girl
Look what you're doin' to me."
Voltei esta semana ao trabalho e, consequentemente, às viagens de metro. Entro, sento-me, às vezes também eu ponho os phones nos ouvidos, mas quando não ponho não consigo evitar: deixo-me levar pela imaginção e faço apostas sobre o que é que os dois passageiros da frente e o que ocupa o lugar mesmo a meu lado estão a ouvir nos seus leitores. Porque são poucos aqueles que viajam sem música. Aposto que o rapaz de barba mal semeada, mala a tiracolo, camisa às riscas e ténis gastos ouve as últimas do indie-pop. Que descobertas terá ele feito nas últimas semanas? A rapariga que encontro dia sim, dia não na estação da Pontinha - de cabelo muito preto e liso, unhas inpecavelmente pintadas, cores vibrantes e roupas da moda - deverá ouvir as novas tendências da pop e do r&b. Será mesmo assim? Nunca consigo descobrir. A viagem chega ao fim e eu não sei o que os outros ouvem e ninguém saberá aquilo que ouço todos os dias durante aquele percurso.
A internet é a casa de chocolate dos melómanos gulosos. Basta passar pelo Myspace, pelos blogues e revistas on-line para se encontrar música nova. Já não é preciso esperar pelos programas de autor que passavam a altas horas nas rádios, já não é preciso estar atento ao crítico X ou Y, já nem é preciso ir ver as novidades às lojas.
Mas ninguém me tira aquela ideia (acho que a roubei também do MEC, na altura no Blitz) de nos sentarmos no tapete da sala, ao pé de aparelhagem, com pilhas de discos de um lado e um amigo curioso do outro. O tapete pode até ser virtual, em vez de Cds, vinis e cassetes empilhados podemos ter links e ficheiros mp3, se a ideia original for demasiado exigente.
Como me disse o Henrique Amaro certa vez, o divulgador hoje pode ser qualquer pessoa. Pode ser um amigo que te apresenta uma música no rádio do carro ou de casa ou até no computador. Pode ser o locutor de rádio. Pode ser o crítico musical num jornal de referência. Pode ser um anúncio de televisão ou um filme. Pode ser uma coincidência. Pode estar a teu lado no metro.
E também pode ser outro músico. Nos últimos tempos tenho feito descobertas muito interessantes através de colaborações entre músicos. Dificilmente prestaria atenção ao trabalho do rapper/soulman Phonte Coleman se não me tivesse apaixonado por este Look What You're Doin' To Me, de Of All The Things, o último álbum dos Jazzanova. E isto é só um exemplo tosco.
Jazzanova, Look What You're Doin' To Me.
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"And when the day comes and everybody's gone,
You can call me a friend
I'll be here for your new beginnings and I'll be here in the end...
Gonna tell the world I love you, baby girl
Shout it out in the streets
Gonna talk about the joy you bring me, girl
Look what you're doin' to me."
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quinta-feira, 13 de agosto de 2009
David Fonseca - A Cry For Love (2009)
Corro o sério risco de levar um raspanete de alguns amigos meus depois daquilo que já disse e vou dizer agora aqui. É que alguns deles são fiéis seguidores do David Fonseca e eu, confesso, já tive as minhas "desavenças" com o músico.
De maneira que, quando chega material novo do ex-Silence4, os fãs rejubilam, lançam foguetes, ficam ansiosos e eu... ponho o meu pé atrás não vá surgir dali um segundo Someone That Cannot Love.
Talvez por causa destas minhas reservas, não gostei imediatamente de A Cry For Love, quando a ouvi pela primeira vez na rádio. Aos poucos e poucos, aquilo que me parecia mais do mesmo, uma melodia simples, um registo vocal pouco interessante ou carismático, começou a revelar-se uma boa canção. Ainda não é brilhante, mas ainda assim é uma boa canção. E já começo a sentir vontade de descobrir o álbum, previsto para Outubro.
Às vezes dou comigo a pensar numa coisa curiosa: apesar da legião de fãs que David Fonseca já tem e de eu ser uma espécie de fã intermitente, parece-me que, ainda assim, ele é um pouco subestimado. Ok, os álbuns são sempre estrondosos sucessos, os lançamentos e concertos estão sempre à pinha, a relação com os fãs é inacreditável, mas... parece que falta ali qualquer coisa. A coisa pode ser o reconhecimento como artista e não apenas como talentoso fazedor de canções.
É que ele está muito para além disso. Para além das canções e das multidões.
Enquanto não há mais, A Cry For Love. David Fonseca.
________
"I jumped to the water, I swam to the shore
Turned up at your doorstep, I slept on your floor
I woke up in panic, I dreamt you were gone
You're gone, you're gone"
De maneira que, quando chega material novo do ex-Silence4, os fãs rejubilam, lançam foguetes, ficam ansiosos e eu... ponho o meu pé atrás não vá surgir dali um segundo Someone That Cannot Love.
Talvez por causa destas minhas reservas, não gostei imediatamente de A Cry For Love, quando a ouvi pela primeira vez na rádio. Aos poucos e poucos, aquilo que me parecia mais do mesmo, uma melodia simples, um registo vocal pouco interessante ou carismático, começou a revelar-se uma boa canção. Ainda não é brilhante, mas ainda assim é uma boa canção. E já começo a sentir vontade de descobrir o álbum, previsto para Outubro.
Às vezes dou comigo a pensar numa coisa curiosa: apesar da legião de fãs que David Fonseca já tem e de eu ser uma espécie de fã intermitente, parece-me que, ainda assim, ele é um pouco subestimado. Ok, os álbuns são sempre estrondosos sucessos, os lançamentos e concertos estão sempre à pinha, a relação com os fãs é inacreditável, mas... parece que falta ali qualquer coisa. A coisa pode ser o reconhecimento como artista e não apenas como talentoso fazedor de canções.
É que ele está muito para além disso. Para além das canções e das multidões.
Enquanto não há mais, A Cry For Love. David Fonseca.
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"I jumped to the water, I swam to the shore
Turned up at your doorstep, I slept on your floor
I woke up in panic, I dreamt you were gone
You're gone, you're gone"
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Nouvelle Vague - Dancing With Myself (2004)
Uma noite destas deu-me uma vontade incontrolável de desenterrar os clássicos de Billy Idol. Na verdade, eu sabia que estava calor na cidade nessa noite e o tema surgiu na minha cabeça claro como água. Depois seguiu-se White Wedding, Sweet Sixteen, o incontornável Rebel Yell, Eyes Without a Face e este Dancing With Myself. O tema que arranca sorrisos e troças, a conhecida canção da masturbação (ou sobre o episódio dos espelhos a que Idol assistiu nas ruas de Tóquio...) foi resgatado aos anos 80 pelos Nouvelle Vague.
Já aqui falei deste engraçado projecto francês. Se a década de 80 é o maior de todos os guilty pleasures de uma certa geração de melómanos como eu, os Nouvelle Vague são um prazer culpado, mas docinho.
É claro que continuo a preferir as palmas aos estalos de dedos, e continuo a vibrar mais com as guitarras que com o contrabaixo swingado, mas não deixa de ser divertido ouvir Dancing With Myself cantado com a ingenuidade e doçura da cover dos Nouvelle Vague.
Tal como existem todos os tipos de raparigas no mundo, também existem versões de Dancing With Myself para todos os gostos e estados de espírito. Esta é a dos Nouvelle Vague.
________
"So lets sink another drink
'cause it'll give me time to think
If I had the chance
Id ask the world to dance
And I'll be dancing with myself"
Já aqui falei deste engraçado projecto francês. Se a década de 80 é o maior de todos os guilty pleasures de uma certa geração de melómanos como eu, os Nouvelle Vague são um prazer culpado, mas docinho.
É claro que continuo a preferir as palmas aos estalos de dedos, e continuo a vibrar mais com as guitarras que com o contrabaixo swingado, mas não deixa de ser divertido ouvir Dancing With Myself cantado com a ingenuidade e doçura da cover dos Nouvelle Vague.
Tal como existem todos os tipos de raparigas no mundo, também existem versões de Dancing With Myself para todos os gostos e estados de espírito. Esta é a dos Nouvelle Vague.
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"So lets sink another drink
'cause it'll give me time to think
If I had the chance
Id ask the world to dance
And I'll be dancing with myself"
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terça-feira, 4 de agosto de 2009
Becky Lee And Drunkfoot - Old Fashioned Man (2008)
Contam-se velhas histórias sobre one-man bands. Foram invenções práticas, principalmente para músicos de rua: não estavam dependentes de outros músicos e podiam andar por aí à boleia, com uma guitarra, uma mini-bateria e a obrigatória harmónica. Por outro lado, também não é difícil imaginar que, numa época em que o acesso aos discos era limitadíssima e as novas sonoridades vinham pelas ondas da rádio, o mais fácil era pegar no que estava mais à mão e imitar da melhor forma aquilo que se ia ouvindo.
Hoje, as one-man bands podem nascer da simples ideia get yourself a band!, nem é preciso mais. Eu, confesso, sou fã desta forma solitária de fazer música! Para quê complicar quando uma guitarra, um kit básico de percussão e aqui ou ali uma harmónica conseguem fazer passar a mensagem? O resultado não poderia ser mais delicioso: um som cru, puro.
Becky Lee And Drunkfoot é uma das poucas one-(wo)man bands. Já esteve em Portugal umas poucas de vezes e tem colaborado com os portugueses A Jigsaw e The Legendary Tigerman. Se, à primeira audição, a voz não me convenceu, bastou umas incusões mais atentas pelo myspace para me apaixonar pela americana e pelo seu pé bêbedo! É rock 'n' roll, é blues, é country, é o que ela quiser.
Escolhi para hoje Old Fashioned Man, um tema que parece tão clássico como o próprio homem de que fala. Delicioso e, como não podia deixar de ser, obrigatório.
Becky Lee And Drunkfoot, Old Fashioned Man.
_________
"I'm in love with an old fashioned man
I'm in love with an old fashioned man
all he wanna do is play guitar and sing
and you won't catch him in no designer jeans
but oh I'm just as broke up as a girl could be
'cause old fashioned him, he don't want modern me
I'm in love with an old fashioned man, yes I am
I'm in love with an old fashioned man
he ain't a year over thirty but he dresses the part
of a dear old granddad with a broken heart
but oh I'm just as broke up as a girl could be
'cause old fashioned him, he don't want modern me
see
I wanna go out and try the finer things in town
his old soul wants to go the forest, find a quarry and swim around
oh but it makes me want him even more
girls stay away from those old fashioned men
girls stay away from those old fashioned men
they'll break you even if you are a good woman
and they all seem to obsess over that romanticized ramblin'
and oh you'll be just as broke up as a girl could be
'cause old fashioned he's don't want no modern she's"
Hoje, as one-man bands podem nascer da simples ideia get yourself a band!, nem é preciso mais. Eu, confesso, sou fã desta forma solitária de fazer música! Para quê complicar quando uma guitarra, um kit básico de percussão e aqui ou ali uma harmónica conseguem fazer passar a mensagem? O resultado não poderia ser mais delicioso: um som cru, puro.
Becky Lee And Drunkfoot é uma das poucas one-(wo)man bands. Já esteve em Portugal umas poucas de vezes e tem colaborado com os portugueses A Jigsaw e The Legendary Tigerman. Se, à primeira audição, a voz não me convenceu, bastou umas incusões mais atentas pelo myspace para me apaixonar pela americana e pelo seu pé bêbedo! É rock 'n' roll, é blues, é country, é o que ela quiser.
Escolhi para hoje Old Fashioned Man, um tema que parece tão clássico como o próprio homem de que fala. Delicioso e, como não podia deixar de ser, obrigatório.
Becky Lee And Drunkfoot, Old Fashioned Man.
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"I'm in love with an old fashioned man
I'm in love with an old fashioned man
all he wanna do is play guitar and sing
and you won't catch him in no designer jeans
but oh I'm just as broke up as a girl could be
'cause old fashioned him, he don't want modern me
I'm in love with an old fashioned man, yes I am
I'm in love with an old fashioned man
he ain't a year over thirty but he dresses the part
of a dear old granddad with a broken heart
but oh I'm just as broke up as a girl could be
'cause old fashioned him, he don't want modern me
see
I wanna go out and try the finer things in town
his old soul wants to go the forest, find a quarry and swim around
oh but it makes me want him even more
girls stay away from those old fashioned men
girls stay away from those old fashioned men
they'll break you even if you are a good woman
and they all seem to obsess over that romanticized ramblin'
and oh you'll be just as broke up as a girl could be
'cause old fashioned he's don't want no modern she's"
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quarta-feira, 29 de julho de 2009
Wordsong - 5 Fotografias (2002)
Estive a ler o último post que escrevi sobre os Wordsong. Não o devia ter feito, agora não sei o que diga, sem estar a repetir-me.
Continuo a gostar mais de Al Berto que de Pessoa, não me perguntem porquê, que eu não saberei dizer com precisão. Talvez seja por me soar mais experimental, talvez seja por causa do poeta, não sei.
Continuo a achar Pedro D'Orey um dos mais carismáticos vocalistas portugueses. Ninguém faz aquilo que ele consegue fazer com as palavras. Ninguém. Muito para além de cantar, muito para além do mero spoken word.
Continuo a ver naquela banda um envolvimento e uma criatividade sem par que não se esgota na simples adaptação de poemas. Eles são aqueles poemas. É quase como se as teclas fizessem um verso, o baixo outro, a guitarra outro, a bateria outro, a voz outro, as imagens outro ainda. E dessa conjugação nascesse o poema, e não da queda da laranja.
Os Wordsong continuam a ser um dos projectos mais estimulantes da música nacional.
5 Fotografias, para os Wordsong.
________
"Apesar de Alexandre ter um olho de cada cor, a fotografia tinha o rigor das imagens a preto e branco."
Continuo a gostar mais de Al Berto que de Pessoa, não me perguntem porquê, que eu não saberei dizer com precisão. Talvez seja por me soar mais experimental, talvez seja por causa do poeta, não sei.
Continuo a achar Pedro D'Orey um dos mais carismáticos vocalistas portugueses. Ninguém faz aquilo que ele consegue fazer com as palavras. Ninguém. Muito para além de cantar, muito para além do mero spoken word.
Continuo a ver naquela banda um envolvimento e uma criatividade sem par que não se esgota na simples adaptação de poemas. Eles são aqueles poemas. É quase como se as teclas fizessem um verso, o baixo outro, a guitarra outro, a bateria outro, a voz outro, as imagens outro ainda. E dessa conjugação nascesse o poema, e não da queda da laranja.
Os Wordsong continuam a ser um dos projectos mais estimulantes da música nacional.
5 Fotografias, para os Wordsong.
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"Apesar de Alexandre ter um olho de cada cor, a fotografia tinha o rigor das imagens a preto e branco."
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